Desenvolvimento motor da criança dos 2-5 anos

Classificado em Psicologia e Sociologia

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Freud e a revolução psicanalítica

Objeto de estudo da psicologia

Pára Freud, a psicologia estuda os processos mentais (sobretudo os fenómenos psíquicos inconscientes) e a influência que exercem sobre o nosso comportamento e a nossa personalidade.

Freud contribuiu pára a definição do objeto de estudo da psicologia, mostrando-nos que a nossa vida psíquiçá não se reduz á consciência; é o primeiro psicólogo a afirmar que o inconsciente é a realidade psíquiçá fundamental. Na nossa vida psíquiçá, a consciência tem um papel secundário, é simplesmente a ponta do iceberg.

Somos seres marcados pelo peso do passado (das experiencias da infância), pela necessidade de refrear os nossos impulsos e de aceitar a frustração no confronto com a realidade e pela ameaça de forças desconhecidas que dentro de nós ‘’conspiram’’ contra a nossa Sáúde mental.

Conceção do ser humano

A teoria freudiana apresenta não só uma nova conceção do aparelho psíquicó, mas também uma nova visão do ser humano. Em nós não é a razão que domina. GostaríAmós de pensar que esta controla os impulsos irracionais. Contudo, Freud diz-nos que a nossa vida é dirigida por impulsos, desejos e pulsões de natureza inconsciente (sobretudo de natureza sexual e agressiva). Pára Freud, a nossa integridade psíquiçá, dadas as pulsões agressivas e libidinais do ID, exige que recalquemos, que esqueçAmós.

O ser humano vive sob o signo do conflito e da ansiedade. A ansiedade é uma vivência do Ego que se preocupa com duas eventualidades: 1) que o Id fique fora de controlo e determine comportamentos cujos efeitos podem ser severamente negativos e o 2) que o Superego se descontrole e, tornando-se extremamente moralista, nos fáça experimentar sentimentos de culpa excessivos quer acerca de transgressões reais quer de imaginárias. Pára reduzir a ansiedade, o Ego constitui um conjunto de respostas inconscientes denominadas mecanismos de defesa do Ego. A constituição da personalidade de cada individuo é determinada, em grande parte, pelo modo como se dá a relação entre o princípio de prazer e o princípio de realidade.

Pára Freud, somos seres cuja finalidade ou motivação essencial é o prazer e que vivem com receio da sua própria vontade de prazer. Mesmo a Sáúde mental é um equilíbrio instável. Não somos donos de nós próprios, somos uma misteriosa e complexa unidade de impulsos agressivos e destrutivos e de interdições. Procuramos a reconciliação com nós próprios, a harmonia interior, o equilíbrio psíquicó. No entanto, a chave do que somos está em vivencias envoltas num denso véu – há tanto tempo se deram nos primeiros anos de vida – e recalcadas por razões que nos escapam. Conhece-te a ti mesmo será o lema da psicanálise e da terapia psicanalítica. Somos o que fizemos de nós quando ainda não tínhamos uma identidade definida – mas somos mais o que os nossos desejos e as normas dos outros, essencialmente os pais, fizeram de nós.


Jean Piaget e o desenvolvimento cognitivo

Objeto de estudo da psicologia

O objeto da psicologia é, pára Piaget, o estudo da interação entre os processos mentais, o comportamento e o meio. A nossa ação sobre o meio e do meio sobre nós tem como resultado o reforço e a sofisticação dos esquemas cognitivos e a construção de outros.

Pára Piaget, o objeto da psicologia não se reduz ao simples estudo dos processos mentais nem se limita ao estudo do comportamento observável. Definindo o conhecimento como processo de adaptação ao meio, Piaget entende-lo como um comportamento que resulta da interação organismo-meio.

Conceção de ser humano

Piaget concebeu o ser humano como individuo que nasce programado pára aprender, mas que não é o simples resultado de processos de aprendizagem. O ser humano é um ser ativo, curioso, que procuro explorar o seu meio pára melhorar o conhecer e nele se orientar. Não é o resultado exclusivo de capacidades geneticamente transmitidas nem somente da influencia de fatores sociais e educativos.

Jean Piaget

Desenvolvimento e adaptação

O desenvolvimento intelectual ocorre mediante a interação ativa com o mundo.

As crianças são seres curiosos e automotivados pára a exploração e descoberta dos objetos, aprendem interagindo com estes.

O desenvolvimento intelectual é um processo.

A inteligência desenvolve-se através de estádios, não nascemos com conhecimentos, mas com a necessidade de conhecer.

A inteligência modifica-se qualitativamente de um estádio pára o outro.

Cada individuo constrói por necessidade e curiosidade a sua compreensão da realidade.

Mediante a interação com o mundos dos objetos, construíMós as estruturas mentais que tornam possível a resolução de problemas e as respostas aós desafios que o meio coloca.

Que estrutura construíMós?

Esquemas

Um esquema é uma representação interna de uma ação física ou mental.

É uma unidade básica do comportamento inteligente, tornando possível a interação com a realidade e a sua compreensão.

Nascemos com alguns esquemas de ações reflexos como sugar ou agarrar e mais tarde desenvolvermos esquemas mentais simbólicos. O desenvolvimento dos esquemas implica tornarem-se mais complexos e versáteis de modo que a nossa adaptação á realização seja cada vez melhor conseguida.


Óperações

São estruturas mentais de tipo qualitativamente superior que permitem a compreensão de regras complexas acerca do modo como o meio funciona. As óperações são capacidades lógicas que se referem a relações ou concretas ou abstratas entre esquemas.

Como as construíMós?

Assimilação

Mecanismo que permite a compreensão de novos objetos, situações e ideias mediante esquemas que já possuíMós sem que seja necessário modifica-los significativamente.

Acomodação

Mecanismo que permite a compreensão de novos objetos, situações e ideias mediante a modificação e ajustamento significativos dos esquemas que possuíMós.

Assimilação

O bebé utiliza o esquema inato da sucção pára retirar o leite da tetina do biberão ou do seio materno.

Equilíbrio

O bebé está adaptado ao meio.

Nova situação

O bebé encontra um copo de leite pela primeira vez.

Desequilíbrio

O esquema da sucção não funciona, não se revela apropriado.

Acomodação

O bebé tem de modificar o esquema da sucção de forma significativa pára se alimentar.

O desenvolvimento cognitivo

  • Estádio sensório-motor ou da inteligência sensório-motora.

Estádio em que a inteligência se adapta ao meio essencialmente através de esquemas sensórios-motores (atividade percetiva e atos motores).

É o estádio da inteligência prática.

Carácterísticas:

Ao longo de seis subestadios, a criança progride de simples atos reflexos pára comportamento sensórios-motores mais complexos.

No início, as respostas do bebé são essencialmente reflexas, automáticas. A criança repte ações aprendidas em virtude dos resultados satisfatórios que as acompanha. É uma evolução relativa porque já não se trata de um mecanismo puramente reflexo.

O nível seguinte da evolução da inteligência pratica consistira em repetir ações aprendida. Repetem-se ações com objetos explorando as suas propriedades, como o som e a dureza. Surgem os primeiros indícios de comportamento intencional (utilizar uma ação como meio pára um fim).

Há, portanto, uma inteligência anterior ao pensamento e á linguagem: a inteligência pratica, baseada nas consequências das ações.

A grande aquisição do estádio sensório motor é o conceito de objeto permanente ou de permanência do objeto, sinal da emergência da capacidade de representação simbólica. Com tal aquisição termina o estádio sensório motor, a inteligência prática dá lugar á inteligência representativa (interiorização simbólica das ações, isto é, capacidade de resolver mentalmente problemas e de usar a linguagem), iniciando-se o estádio pré-operatório.

  • Estádio pré operatório

Estádio de desenvolvimento cognitivo que é marcado pelo surgimento e crescente uso da função simbólica e do pensamento. O pensamento é um conjunto de ações interiorizadas que representam a realidade de forma superficial ou pré lógica.

Carácterísticas:

Estádio em que não apenas se agé (como antes), mas se representa a realidade mediante o pensamento e a linguagem. O estádio pré operatório (pré lógico) divide-se em duas etapas:

  1. O pensamento pré concetual cujo conteúdo são imagens mentais e não conceitos. Nesta fase, dos 2 aós 4 anos, o pensamento é dominado pela imaginação e pela fantasia.
  2. O pensamento intuitivo, centrado na perceção e não na imaginação, mas pouco flexível, preso aós acontecimentos particulares, às impressões sensíveis, impõe-se dos 4 aós 7 anos.

Mais importante do que esta divisão é a compreensão de que, neste estádio, o pensamento é dominado por um comportamento cognitivo chamado centração ou egocentrismo que o torna logicamente inconsistente (ausência de processos mentais reversíveis), incapaz de distinguir claramente eventos psicológicos de eventos físicos ou externos e confundindo a aparência com a realidade; Se anteriormente a criança manifesta um egocentrismo sensório motor, agora o que deve ultrapassar é a tendência pára não diferenciar a realidade da sua imaginação e da sua perceção (egocentrismo representativo ou pré operatório).


Mas, apesar de Piaget insistir sobretudo nas limitações, ao longo deste estádio há um crescente domínio da linguagem que facilita o uso do pensamento e uma progressiva descentração.

  • Estádio das óperações concretas ou do pensamento lógico concreto.

Fase do desenvolvimento cognitivo em que o pensamento se torna flexível e lógico, mas não consegue libertar-se da realidade concreta (identifica o real com o possível, reduz este àquelé).

Carácterísticas:

No estádio das óperações concretas, a inteligência representativa dá lugar á inteligência operatória, isto é, logica. As simples representações mentais, predominantes no estádio anterior, dão lugar a óperações mentais, as óperações mentais serão ações interiorizadas que obedecem a regras logicas.

O pensamento, nesta fase, é incapaz de resolver problemas sem pontos de referência concretos, mas torna-se reversível e muito mais descentrado do que anteriormente. A aquisição da noção de conservação ou de identidade é sinal de que se distingue o real do aparente.

A classificação, a seriação, o desenvolvimento do raciocino causal, a aquisição das noções de espaço, tempo e velocidade são aquisições (noção de…) marcantes desta fase do desenvolvimento cognitivo.

A criança no estado das óperações concretas raciocina logicamente acerca de coisas que conhece ou que pode ver e manipular, mas tem grande dificuldade e é mal sucedida no que respeita ao raciocínio sobre ideias, possibilidades, situações hipotéticas e princípios abstratos.

Pára Piaget, só a partir dos 11 anos se desenvolve o raciocínio dedutivo, o pensamento lógico abstrato.

  • Estádio das óperações formais

Estádio do desenvolvimento cognitivo em que o pensamento distingue o real do possível e se torna lógico dedutivo, isto é, capaz de derivar conclusões lógicas formalmente válidas de hipóteses ou premissas hipotéticas.

Carácterísticas:

No estádio das óperações formais, o pensamento deixa de estar limitado pela experiência de cada sujeito, ou seja, não se limita ao presente nem ao que é.

Um adolescente é capaz de raciocinar com sentido acerca de situações hipotéticas (que nunca viveu ou das quais nunca teve experiencia). Pode pensar acerca de coisas que imagina, de possibilidades e não só acerca de coisas que viu ou conhece.

As três aquisições fundamentais do estádio das óperações formais são:

  1. A distinção entre o real e o possível – amplia o campo dos objetos do pensamento.
  1. A capacidade de pensar e de raciocinar de forma hipotética dedutiva, de pensar logicamente acerca de abstrações e de possibilidades (a justiça, a verdade, a natureza da existência, o bem e o mal, a beleza, etc.). O adolescente confronta o real com o possível, o que é com o que pode ser e assim clarifica os seus valores e atitudes, componentes importantes do processo de formação da sua identidade.
  2. A forma sistemática de resolução de problemas – o adolescente procura sistemática e metodicamente a resposta a uma questão. Coloca hipóteses e testa-as, não omitindo possíveis soluções, recorrendo ao raciocínio lógico. A combinação da forma sistemática de resolver problemas e do raciocínio lógico dedutivo é necessária pára que haja raciocínio científico.

Note-se que a ‘’revolução intelectual’’ da adolescência é possibilitada pela integração de competências que começaram a desenvolver-se em fases anteriores. Em segundo lugar, essa revolução não tem efeitos simplesmente cognitivos. Quando muda a relação cognitiva com a realidade, muda também a relação sócio afetiva com os outros, os juízos de valor sobre a sociedade e o modo como nos vemos a nos próprios.

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