Abordagem Zen, Flow e Técnicas Mentais no Desporto
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1 – Abordagem Zen e ligação ao Flow e à mindfulness
A abordagem Zen, o flow e a mindfulness estão interligados: tratam-se de estados de equilíbrio entre corpo e mente, entre as habilidades e o desafio. Caracterizam-se por uma total absorção na atividade, concentração plena, controlo e perda da autoconsciência, o que permite movimentos sem esforço e fluidos. Tudo isto acontece intrinsecamente; não há necessidade de recompensa externa.
2 – Definição de objetivos e motivação
Os objetivos são uma ferramenta essencial para manter a motivação, tanto no desporto como na vida. Fornecem direção e ajudam a manter o foco nos elementos importantes, influenciando o aumento da performance, da persistência e de fatores psicológicos.
Exemplos e formas de motivar usando objetivos:
- Definir objetivos específicos de processo (ex.: técnica, ritmo) para orientar o treino diário.
- Estabelecer objetivos de desempenho (ex.: melhorar tempo ou precisão) para medir progresso pessoal.
- Usar objetivos de resultado (ex.: classificação) para motivar em competições, mas sem depender apenas deles.
- Combinar objetivos de curto e longo prazo e celebrar pequenas conquistas para manter a motivação.
3 – Controlo da excitação: estratégias e vantagens
No padrão de excelência, atletas de elite aprendem várias estratégias para controlar a excitação. A regulação da excitação melhora a tomada de decisão, a precisão e a consistência de desempenho.
Técnicas comuns:
- Redução somática: controlo da respiração para reduzir a ativação fisiológica.
- Redução cognitiva: treino autógeno e técnicas de relaxamento para diminuir pensamentos intrusivos.
- Pacotes de redução (treino cognitivo-afetivo): estratégias integradas para gestão do stress e regulação emocional.
4 – Focalização e regulação da ativação
A regulação da ativação e a focalização estão fortemente ligadas: ao regular a ativação obtemos um foco atencional ótimo — isto é, estar relaxado mentalmente, com elevado grau de concentração e controlo, absorvido no presente, sem pensamentos sobre passado ou futuro. Surge uma consciência apurada do corpo e do ambiente, o que permite focar apenas os sinais relevantes e eliminar distrações.
Os 4 principais estados de focalização (com exemplos):
- Foco atencional amplo: jogador de futebol a driblar a bola para o ataque.
- Foco atencional estreito: lançar uma seta ao alvo.
- Foco atencional interno: atleta do salto em altura prepara-se para iniciar a corrida.
- Foco atencional externo: tiro de partida nos 100 m.
5 – Imagética mental, ensaio mental e visualização
A imagética é uma forma de simulação que envolve recuperar da memória fragmentos de informação de experiências passadas e moldá-los em imagens significativas. A prática regular de ensaio mental e visualização ajuda a preparar respostas motoras, a reduzir a ansiedade e a consolidar padrões técnicos.
Exemplo: imaginar uma situação de jogo que desejamos provocar, ensaiando mentalmente as ações que nos conduzam a esse resultado.
6 – Stress, ativação e ansiedade: diferenças e exemplos
Ativação: mistura de excitação fisiológica e psicológica, que varia em intensidade ao longo do tempo.
Ex.: prestar atenção a estímulos irrelevantes vindo dos campos ao lado (atenção desviada por estímulos inapropriados).
Ansiedade: estado emocional negativo com preocupação, nervosismo e apreensão, associado à ativação corporal.
Ex.: estar preocupado antes da competição, com aumento da temperatura corporal e da frequência cardíaca.
Stress: desequilíbrio entre as exigências físicas/psicológicas e a capacidade de resposta, especialmente quando falhar as exigências tem consequências importantes.
Ex.: reagir negativamente aos erros durante a competição, mantendo um estado de tensão que prejudica o desempenho.
7 – Exemplo de comunicação: técnica do "sanduíche"
Exemplo de crítica construtiva usando a abordagem sandwich:
“João, tens trabalhado muito e isso notou-se. Para a próxima, tenta ir um pouco mais devagar para conseguires acompanhar o ritmo da música. Estás muito próximo do objetivo; continua o bom trabalho.”
8 – Sage (1977): definição de motivação e relação com objetivos
Sage (1977) define a motivação como a direção e a intensidade do esforço. A intensidade refere-se ao quanto de esforço uma pessoa aplica numa situação; a direção refere-se àquilo a que o indivíduo se aproxima ou do que se afasta. Ambas as dimensões estão interligadas.
A motivação pode manifestar-se como busca de conquistas, stress competitivo, motivação intrínseca e extrínseca. Uma forma concreta de desenvolver a motivação é através da definição de objetivos — sejam eles subjetivos, específicos, de resultado, de desempenho ou de processo. Os motivos pelos quais aderimos ou continuamos a praticar algo dependem da intensidade e da direção do esforço, ou seja, da motivação.