Abstracionismo: pintura abstrata, cores e relações

Classificado em Língua e literatura

Escrito em em português com um tamanho de 2,83 KB

A principal característica da pintura abstrata é a ausência de relação imediata entre suas formas e cores. Uma tela abstrata não representa nada da realidade que nos cerca, nem narra figurativamente alguma cena histórica, literária, religiosa ou mitológica.

Ao contemplar a veemência pictórica e o colorismo cromático de A árvore vermelha, com certeza nos lembraremos do grande antecessor holandês de Mondrian, Vincent van Gogh. Mondrian também tinha conhecimento da obra dos Fauves, baseados em Paris e liderados por Henri Matisse e André Derain, cujas obras se caracterizavam pela cor forte, decorativa e não-naturalista, e pelas pinceladas intensas. Esta obra é feita por um artista excitado pela extrema vitalidade da natureza, que vê, como Van Gogh, um tipo de fogo no verde e nas coisas que crescem. Predominam os azuis e vermelhos quentes, esse último mudando para o laranja das pinceladas largas e individuais ao longo da base, passando pelas pinceladas retorcidas, opticamente vibrantes, que lembram chamas escarlates, carmesins e azuis do tronco da árvore, para um vermelho amarronzado mais opaco nas suas extremidades. O efeito visual dessas transições é o de uma radiação centrífuga para cima e para fora. Essa macieira não cuidada, proliferando e se ramificando em galhos tênues, está voltando ao estado selvagem; ela apresenta uma imagem alarmante de perda de controle, de desequilíbrio, de entropia. Sua cor redutora e violenta e sua fantástica distribuição ramificada sobre o retângulo da tela são aspectos de uma função simbólica. Ela é uma metáfora forte da condição 'trágica' da natureza contingente, que uma pura arte 'plástica' teria como função transcender.

“Em toda a história de nossa cultura, a arte tem demonstrado que a beleza universal não surge do caráter particular da forma, mas sim do ritmo dinâmico de suas relações inerentes ou — como na composição — das relações mútuas das formas. A arte mostrou que a beleza é uma questão de determinação das relações. Revelou que as formas só existem para a criação de relações; que as formas criam relações, e vice‑versa. Nessa dualidade de formas e suas relações, nenhuma delas tem precedência. O único problema na arte é chegar a um equilíbrio entre o subjetivo e o objetivo. Mas é da maior importância que esse problema seja resolvido na esfera da arte plástica — tecnicamente, por assim dizer —, e não na esfera do pensamento. A obra de arte deve ser ‘produzida’, ‘construída’. Devemos criar uma representação tão objetiva quanto possível das formas e relações. Esse trabalho jamais pode ser vazio, porque a oposição de seus elementos construtivos e sua execução desperta emoção.”

Entradas relacionadas: