Abuso Sexual, Toxicodependência e Imputabilidade

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Abuso Sexual e Toxicodependência: Implicações Clínicas e Forenses

Item 1. Abuso Sexual: Tipos e Consequências

1.1. Distinção entre Abuso Sexual Doméstico e Extra-familiar:

É crucial diferenciar o abuso sexual doméstico do extra-familiar devido a várias razões:

  • Intervenção e Abordagem: Os tipos de intervenção e abordagem terapêutica variam significativamente entre os dois tipos de abuso.
  • Perfil Psicológico dos Agressores: Os perfis psicológicos e os fatores de personalidade dos agressores diferem radicalmente.
  • Características das Vítimas: Em certa medida, podem existir diferenças nos perfis das crianças vítimas de abuso intra e extra-familiar.
  • Dinâmica Familiar: As dinâmicas familiares e as respostas dos grupos familiares às crianças abusadas apresentam grandes diferenças.
  • Padrões de Abuso: Os padrões de cometimento do abuso sexual também são distintos.

1.2. Estado Emocional da Criança ao Relatar o Abuso:

  • A) Resistência: Dificuldade em revelar abertamente o abuso.
  • B) Vergonha: Sentimento comum, partilhado com crianças mais novas.
  • C) Raiva/Ira: Mais comum em meninos do que em meninas.
  • D) Ansiedade: Mais comum em adolescentes.
  • E) Nojo/Repulsa: Mais comum ao descrever sexo oral.
  • F) Excitação Sexual: Mais comum em crianças com perturbações emocionais.
  • G) Medo: Comum se o agressor ameaçou a vítima.

1.3. Consequências Emocionais do Abuso Sexual nas Vítimas:

  • Curto Prazo: Cerca de 80% das vítimas sofrem consequências psicológicas negativas. Meninas tendem a apresentar reações depressivo-ansiosas; meninos, dificuldades de socialização, fracasso escolar e comportamento agressivo.
  • Longo Prazo: Menos frequentes e mais difusas (30% das vítimas). Incluem alterações na esfera sexual, disfunção sexual, depressão, transtorno de stress pós-traumático e controle inadequado da raiva.

1.4. Fatores Mediadores do Abuso Sexual Infantil: (A ser desenvolvido em secções posteriores)

Item 2. Toxicodependência e Delinquência

2.1. Terminologia:

  • Substância: (Definição a ser incluída)
  • Abuso: Consumo de uma substância psicoativa que interfere significativamente na saúde ou no funcionamento social ou ocupacional.
  • Vício: Padrão de consumo de drogas caracterizado por uma ligação insuperável ao uso da substância, comportamento compulsivo na sua procura e alta tendência a recaídas após a abstinência.
  • Dependência: Estado mental ou físico estabelecido no organismo pela administração contínua da droga, caracterizado pela compulsão de uso periódico ou contínuo. Pode ser física e/ou psicológica.
  • Tolerância: Necessidade de aumentar a quantidade da substância para obter o efeito desejado ou diminuição acentuada dos efeitos com o uso regular da mesma dose.
  • Craving: Desejo intenso e imediato de obter e consumir a droga.
  • Abstinência: Conjunto de sintomas que surgem ao interromper ou reduzir o consumo de uma substância após um período prolongado de uso em grandes quantidades. O indivíduo procura a substância para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência.
  • Patologia Dual: Coocorrência de um transtorno psiquiátrico e um transtorno por uso de substâncias.

2.2. Delinquência e Drogas:

As causas da delinquência relacionada com drogas incluem:

  • Crimes Diretamente Relacionados com Drogas: Crimes relacionados com a produção, distribuição e ciclo das drogas, cometidos por indivíduos que, geralmente, não apresentam sintomas clínicos de abuso ou dependência.
  • Crimes Sob a Influência de Substâncias: Crimes cometidos sob a influência e os efeitos das substâncias.
  • Crimes para Obter Drogas: Crimes cometidos para obter o dinheiro necessário para manter a dependência, especialmente de opiáceos.

2.3. Imputabilidade e Drogas – Características Específicas:

A determinação da imputabilidade de réus em casos relacionados com drogas envolve considerar:

  • Reação Adversa a Drogas: Situação em que a imputabilidade pode variar entre uma diminuição acentuada e a inimputabilidade total.
  • Transtornos Psíquicos Associados: Transtornos que acompanham alterações somáticas no curso da dependência. Raramente afetam a imputabilidade.
  • Intoxicação Aguda (Recapitulação): O réu apresenta perda de valores éticos e transtornos de conduta, mas as funções psicológicas básicas são preservadas. A imputabilidade é, geralmente, considerada normal.
  • Síndrome de Abstinência:
    • Sintomas discretos: Imputabilidade normal.
    • Sintomas claros: Redução significativa da imputabilidade.
    • Sintomas graves: Possibilidade de inimputabilidade.
  • Barbitúricos e Álcool:
    • Intoxicação aguda: Cancelamento ou redução da imputabilidade.
    • Intoxicação subaguda: Redução significativa da imputabilidade.

O abuso de álcool é frequentemente associado a comportamentos violentos e agressões sexuais, tanto no ambiente familiar como fora dele. A avaliação da imputabilidade em casos de alcoolismo requer uma análise cuidadosa da situação e evolução clínica do arguido.

  • Alucinógenos: Comportamentos anormais (medo, ansiedade, ideação paranoide, alucinações) podem levar a atos como:
    • Atirar-se pela janela.
    • Fugir nu.
    • Cometer homicídio.
    • Agressão sexual.
    • Participação em rituais violentos.
    • Acidentes de trânsito.
    A imputabilidade pode ser cancelada devido à desintegração da psique e ao comprometimento cognitivo.
  • Anfetaminas:
    • Furtos.
    • Flash agudo intravenoso: Redução da imputabilidade.
    • Sintomas psicóticos: Diminuição significativa da imputabilidade ou inimputabilidade.
  • Cocaína: Crimes como fraude, roubo, tráfico de substâncias e atos relacionados com a prostituição. Síndrome aguda grave: Imputabilidade claramente diminuída ou inimputabilidade (se houver alucinações).

2.4. Outros Aspectos a Considerar:

  • Internamentos.
  • Problemas crónicos de saúde.
  • Problemas físicos ligados ao álcool e outras substâncias.
  • Medicamentos prescritos.
  • Situação financeira e profissional.
  • Consumo de álcool e drogas (detalhes).
  • Antecedentes criminais.
  • História familiar.
  • Relações sociais.
  • Psicopatologia (sintomas psiquiátricos, tentativas de suicídio, tratamento).

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