Ação Humana: Intenção, Deliberação e Condicionantes
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A Natureza da Ação Humana
A ação humana pode ser caracterizada por três valores: moral, religioso e estético. A partir disso, podemos partir de um princípio que ação não é algo que nos fazemos, não é algo que apenas acontece; é algo que nós fazemos acontecer. Ação são acontecimentos provocados pelo agente e que envolvem algum movimento corporal, ou seja, é algo intencional, voluntário e que, se o agente quiser, pode evitar. Pode-se concluir que ações são acontecimentos que os agentes praticam voluntariamente (algo que fazemos e de que nos damos conta).
Graças a isso, podemos perguntar o que são intenções. Podemos relacioná-las com uma motivação para agir: se pensarmos no ato de beber água, percebemos que a motivação é a sede e o desejo de lhe pôr fim. Daí as intenções estarem relacionadas com desejos, o que nos permite concluir que, se o agente tem intenção de fazer A, ele deseja fazer A (o desejo de fazer A é uma condição necessária para alguém ter a intenção de fazer A). Mas conhecer os desejos de um agente não permite explicar completamente a ação: por exemplo, se o desejo é satisfazer a sede, podemos ter o mesmo resultado ao beber um sumo de fruta; só falta saber qual foi a razão que o levou a beber água e não um sumo de fruta. Essa interrogação leva-nos às crenças: pois se o agente crê que a água maximiza o fim à vista (matar a sede), será a sua melhor opção (acredita que é a melhor opção).
Aristóteles: O Fazer e o Agir
Aristóteles distinguia o fazer do agir. Dizia que fazer envolvia a produção de materiais e objetos, com isso deu o exemplo do oleiro e disse também que fazer era uma ação técnica e prática (fazer POESIS). Relativamente ao agir: antes de agir tinha que haver reflexão e pensamento. Isso leva-nos ao intelecto, fazendo com que façamos uma ação intelectual. Tudo isso significava pensar antes de agir, ter prudência e ponderação, o que nos leva até à ação para os valores (fazer PRAXIS).
Elementos da Ação
- AGENTE: Sujeito que realiza a ação, quem a pratica, quem a experiencia.
- INTENÇÃO: O que o agente quer fazer. É o "para quê" da ação, o projeto da ação.
- MOTIVO: Traduz a explicação do ato, o porquê da ação, o que explica a ação, a causa ou razão do agir.
- MEIOS: São os procedimentos, os instrumentos ou atos a que recorremos para realizar o que projetamos.
O Processo de Decisão
- DELIBERAÇÃO: É uma escolha consciente; é um momento de hesitação no qual se examina o problema, se compara, se pondera, se pesam os prós e os contras, as vantagens e os inconvenientes de uma opção ou de outra. A deliberação impõe-se ou porque existe possibilidade de várias soluções ou porque existem obstáculos à realização da ação.
- DECISÃO: Consiste na escolha que um indivíduo faz de uma determinada resposta, entre outras possíveis. A decisão conduz à realização do ato ou à sua recusa.
- EXECUÇÃO: Consiste na aplicação da decisão que o indivíduo faz. Leva à prática a ação, concretiza-a, realiza-a. Decisão e execução são operações complementares na medida em que quem executa a ação fá-lo porque decidiu agir, e quem decidiu agir põe em prática.
- RESULTADO: O que o agente realizou ou conseguiu executar.
- CONSEQUÊNCIAS: O modo como o resultado da nossa ação afeta os outros e a nós próprios.
Condicionantes da Ação
CONDICIONANTES FÍSICO-BIOLÓGICAS: O comportamento animal é comandado pelos instintos e, por isso, os animais reagem aos estímulos ambientais seguindo um padrão de respostas que é transmitido geneticamente. Os seres humanos também são portadores de uma herança biológica, de um patrimônio genético que condicionará negativamente ou positivamente a sua existência. Como todos os seres vivos, o homem está condicionado a um determinismo biológico em que intervêm fatores como as chamadas motivações primárias, como referiu Maslow: necessidades vitais que se relacionam com o que de involuntário o homem realiza. São os fatores de ordem instintiva que fazem dele um ser limitado e condicionado na sua ação, por exemplo, necessidades naturais como a sobrevivência ou a autoconservação.
CONDICIONANTES SOCIAIS E HISTÓRICO-CULTURAIS: Quando nascemos, somos integrados numa estrutura social e inicia-se o processo de socialização (designa o modo como o indivíduo se adapta a um grupo social em que se integra, o que implica seguir as normas desse determinado grupo). Pela educação, são-nos transmitidos valores e a necessidade de respeito pelas normas. Porém, o meio em que nascemos, a educação que recebemos e as crenças que adquirimos não nos determinam. Se até certo momento da nossa vida biológica, espiritual e psicológica somos condicionados pelo nosso meio cultural, é nesse meio que agimos em função dos valores que nós aprendemos e que podemos questionar, por exemplo, em relações sociais, na vida política, entre outros.