Ação Social e Dominação: Uma Análise Weberiana

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Ação Social e Relações Sociais

Para Weber, toda ação individual é uma ação social, pois é realizada dentro da sociedade e produz efeitos dentro da sociedade. A ação se torna social quando seu significado é reconhecido coletivamente.

A relação social deriva da ação social: não há uma relação social que não tenha sido antes uma ação social.

Tipos de Ação Social

Existem vários tipos de ações sociais, com destaque para a tradicional, afetiva, racional com relação a valores e racional com relação a fins.

  • Ação social tradicional: caracterizada pela constância, fruto de rotinas e costumes. Não exige raciocínio elaborado, sendo realizada de forma quase automática, pois é o que se espera daqueles que compartilham daquela cultura.
  • Ação social afetiva: nasce da passionalidade, sendo, portanto, variável e inconstante.
  • Ação social racional com relação a valores: reproduz valores socialmente estabelecidos. A análise dos fins é crucial, pois se busca agir de acordo com uma ética da convicção, na qual as consequências são secundárias diante da importância de se seguir determinados princípios.
  • Ação social racional com relação a fins: exige uma análise cuidadosa dos objetivos a serem alcançados. Nesse tipo de ação, pondera-se as consequências e age-se de acordo com uma ética de responsabilidade.

Para Weber, a ação racional, tanto com relação a valores quanto a fins, é crucial para a compreensão da sociedade.

Dominação: Tipos e Características

Para Weber, a dominação é um pacto racional que estrutura as relações sociais. Toda relação social é, em alguma medida, uma relação de dominação. Existem três tipos principais de dominação:

Dominação Tradicional

É a forma mais antiga de dominação, baseada nos costumes, tradições e cultura. A autoridade do líder é inquestionável e deriva de sua posição social. Exemplos: a Igreja, a relação pai e filho, rei e súdito.

Dominação Racional

Desprovida de sentimentalismo, baseia-se na crença na legitimidade da lei. A obediência se dá à lei, e não à figura do líder. Exemplos: funcionários públicos que agem de acordo com leis e regulamentos, relações tributárias.

Dominação Carismática

Movida por influências emocionais e afetivas. O líder carismático possui qualidades excepcionais, dons extraordinários, habilidades sobrenaturais e um poder de persuasão singular. Exemplos: líderes religiosos como Cristo, líderes políticos que inspiram devoção em seus seguidores.

Burocracia e Racionalização da Vida

Para Weber, a burocracia é uma forma de dominação racional. Representa a racionalização das relações sociais, proporcionando previsibilidade e segurança jurídica à sociedade. O direito burocrático, por sua vez, garante o funcionamento da sociedade por meio da aplicação imparcial da lei.

Weber acreditava que a racionalização da vida, embora trouxesse avanços significativos, também apresentava desafios, como o declínio da fé e a desumanização das relações sociais.

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