Adaptação Celular, Necrose e Apoptose: Uma Revisão Detalhada
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Mecanismos de Agressão e Adaptação Celular
Mecanismos de Agressão:
- Ação Direta: Alterações moleculares que se traduzem em modificações morfológicas.
- Ação Indireta: Através de mecanismos de adaptação que induzem alterações moleculares que resultam em modificações morfológicas.
Toda agressão gera estímulos que induzem nos tecidos respostas adaptativas que visam torná-los mais resistentes às agressões subsequentes.
Estresse fisiológico pode levar a:
- Adaptação (reversível)
- Lesão reversível (restaurada assim que o estímulo cessa)
- Lesão irreversível: Morte celular (necrose ou apoptose)
Lesão reversível é aquela compatível com a recuperação do estado de normalidade após a cessada a agressão. A reversibilidade ou não da lesão está ligada à: qualidade, intensidade e a duração da agressão. Ex: tumefação: Aumento da permeabilidade da membrana citoplasmática.
Adaptações Celulares do Crescimento e da Diferenciação
Hiperplasia: Aumento no número de células. Só ocorre em células capazes de sintetizar DNA. Não ocorre no músculo estriado cardíaco, pois a célula cardíaca não sofre divisão celular.
- Fisiológica:
- Hiperplasia Hormonal: Após estímulo estrogênico (útero gravídico).
- Hiperplasia Compensatória: Hiperplasia do fígado após hepatectomia parcial.
- Patológica: Hiperplasia do endométrio, da próstata, do colo uterino, queloide, verrugas cutâneas.
Hipertrofia: Aumento do número de organelas e do tamanho da célula.
- Fisiológica: Útero e mamas na gravidez (estimulação hormonal específica).
- Patológica: Aumento do volume do músculo cardíaco (HAS); Músculo esquelético de fisiculturistas, hipertrofia do ventrículo direito (aumento da demanda funcional).
Atrofia: Redução do tamanho da célula por redução da substância celular. Queda na função, mas não morte celular. Causas: Desuso; perda de inervação, queda no suprimento sanguíneo (aterosclerose), queda na nutrição, envelhecimento, perda da função endócrina (menopausa).
- Fisiológica: Útero pós-parto, atrofia senil.
- Patológica: Atrofia muscular isquêmica (queda na nutrição e suprimento sanguíneo); Alzheimer, atrofia testicular.
Metaplasia: Alteração reversível onde um tipo celular adulto é substituído por outro que pode tolerar melhor as alterações ambientais. Predispõe a neoplasia (esôfago de Barrett). Há alteração das células tronco gerando nova via de diferenciação.
- Metaplasia Escamosa: Célula cilíndrica para célula escamosa.
- Pulmão: Epitélio cilíndrico pseudoestratificado ciliado + cigarro (irritação crônica) = Epitélio escamoso.
- Colo Uterino: Epitélio cilíndrico simples + agressões = Epitélio escamoso.
- Esôfago de Barrett: Epitélio pavimentoso estratificado + retorno do conteúdo gástrico = células caliciformes com produção de muco - Adenocarcinoma de esôfago (Metaplasia glandular) (Escamoso - mucosa cárdia - metaplasia intestinal - displasia - câncer).
Morte Celular: Necrose
Morte celular ocorrida em organismo vivo e seguida por degradação enzimática dos componentes celulares por enzimas da própria célula liberadas por lisossomos (autólise). Há incapacidade de manter a integridade da membrana e seus conteúdos.
Pode ocorrer por:
- Redução de energia por obstrução vascular ou inibição dos processos respiratórios da célula (isquemia, anoxia).
- Produção de radicais livres.
- Ação direta sobre enzimas, inibindo processos vitais.
- Agressão direta à membrana citoplasmática.
Há expansão das células.
Sinais Morfológicos Nucleares
Ocorrem devido à queda no pH na célula morta.
- Picnose: Redução do núcleo e maior basofilia.
- Cariólise: Dissolução da cromatina e maior eosinofilia.
- Cariorrexe: Desintegração dos núcleos em grumos.
Sinais Morfológicos Citoplasmáticos
- Maior eosinofilia.
- Citoplasma granuloso com vacúolos.
- Focos de calcificação.
- Aspecto vítreo.
Massa de fosfolipídeos.
Necrose: Expansão celular; Fragmentação nuclear; Membrana plasmática danificada generalizada; INFLAMAÇÃO
Necrose de Coagulação ou Isquêmica
Desnaturação das proteínas citoplasmáticas e preservação da estrutura da célula coagulada. Causa mais frequente: isquemia (Infarto do miocárdio, rim, fígado). Característica de morte por hipóxia ou anoxia, exceto no cérebro.
Macro: Zonas de cor amareladas, brancacentas, acinzentadas e tumefeitas.
Micro:
- Citoplasma acidófilo e granuloso.
- Núcleos picnóticos.
- Contorno inicial nítido inicialmente.
Necrose de Liquefação
É frequentemente observada em infecções bacterianas localizadas (abscesso) e no cérebro. Ocorre quando a autólise e heterólise prevalecem sobre a desnaturação das proteínas. Zona necrosada adquire consistência mole, semifluida ou mesmo liquefeita devido à digestão completa das células mortas causada pela liberação de grande quantidade de enzimas lisossômicas. Há perda dos detalhes da célula e do tecido. É comum após anoxia do tecido nervoso, suprarenal e mucosa gástrica.
Macro: Massa viscosa na área comprometida transformada em cavidade.
Necrose Caseosa
Há uma degradação celular substituída por tecido granular.
Macro: Área necrosada com aspecto de queijo friável (esbranquiçada, amolecida e granulosa).
Micro: Transformação das células necróticas em uma massa homogênea, acidófila, contendo núcleos picnóticos e fragmentados; Perda dos contornos e detalhes estruturais das células. Tuberculose
Necrose Gangrenosa (seca, úmida e gasosa)
Necrose resultante da ação de agentes externos sobre o tecido necrosado.
- Seca: Desidratação do tecido necrosado devido ao contato com o ar que tornam-se secos e duros como pergaminhos (Mumificação). Extremidades dos dedos.
- Úmida: Resultante da invasão do tecido necrosado por micro-organismos anaeróbios produtores de enzimas que tendem a liquefazer os tecidos mortos e produzir gases que se acumulam em bolhas (Pele, tubo digestivo e pulmões).
- Gasosa: Secundária à contaminação do tecido necrosado por germes do gênero Clostridium que produzem enzimas proteolíticas e grande quantidade de gás.
Esteatonecrose
Ocorre em áreas de destruição de gordura por dano no parênquima ou por ruptura do ducto pancreático, podendo ocorrer em outros locais após traumatismos sobre o tecido adiposo, especialmente a MAMA ou por ação das enzimas liberadas pelos neutrófilos em zonas de inflamação aguda; Comum na Pancreatite aguda necro-hemorrágica que ocorre por extravasamento de enzimas dos ácinos pancreáticos. A ação de lipases pancreáticas libera ácidos graxos dos triglicerídeos e estes reagem com íons Ca++ dos líquidos intersticiais formando sabões insolúveis de cálcio, que têm aspecto semelhante a cera de vela. Os próprios ácidos graxos livres e as enzimas pancreáticas são lesivos às células vizinhas intactas, favorecendo a disseminação da necrose.
Evolução das Áreas de Necrose
- Regeneração ou absorção: As células mortas são absorvidas e fatores de crescimento induzem o crescimento dos tecidos vizinhos. Ex: Fígado, com pequenas necroses.
- Cicatrização: Proliferação fibroblástica e endotelial. Ex: Coração.
- Encistamento ou sequestro: Material necrótico volumoso não absorvido: causa reação inflamatória e proliferação fibrótica em forma de cápsula - absorção lenta da necrose.
- Eliminação ou drenagem: A zona de necrose atinge um ducto ou via excretora que elimina o material para o meio externo, formando uma cavidade: cavernas da tuberculose.
- Reperfusão: Retorno da circulação normal em tecido que sofreu isquemia. Ex: Circulação colateral.
Lesão celular reversível: Morfologicamente:
- Bolhas na superfície celular.
- Figuras de mielina.
- Tumefação de organelas e de toda a célula.
Apoptose
Célula sofre contração e condensação de suas estruturas, fragmenta-se e é fagocitada por células vizinhas ou macrófagos, não ocorrendo autólise, havendo uma integridade física da membrana durante todo o processo. Necessita de ativação genética. É ATP dependente, agressões que a induzem não podem cessar completamente a produção de energia. Há encolhimento da célula.
Apoptose Fisiológica
- Controle da proliferação e diferenciação celular.
- Remodelação de órgãos durante a embriogênese.
- Involução dos órgãos hormônio-dependentes (mama após lactação).
Apoptose Patológica
Pode ser desencadeada por estímulos exógenos que agem nos receptores de membrana ou por estímulos endógenos gerados após diferentes agressões. Sempre resulta da ativação das proteases.
- Vírus (Hepatite viral).
- Hipóxia.
- Substâncias Químicas.
- Agressão imunitária.
- Radiação.
Morfologia da Apoptose
- Encolhimento celular.
- Condensação da cromatina com desvio para a periferia.
- Gotículas superficiais.
- Fragmentação em corpos apoptóticos.
- Ingestão por macrófagos.
Apoptose: Encolhimento da célula; Fragmentação específica do DNA; Membrana plasmática intacta; SEM INFLAMAÇÃO