Adaptações e Lesão Celular: Necrose, Apoptose e Acúmulos
1. Adaptações Celulares
As células se adaptam a estímulos ou estresses para manter sua função; se falharem, sofrem lesão.
Principais tipos de adaptação
- Hiperplasia: Aumento do número de células. É um processo de divisão celular que pode ser fisiológico (hormonal, como nas mamas e no útero durante a gravidez) ou compensatório (regeneração, como na hepatectomia parcial do fígado). Pode ser também patológica, como em queloides ou na hiperplasia prostática benigna.
- Hipertrofia: Aumento do tamanho das células, levando ao aumento do órgão. Não há divisão celular; ocorre por aumento da síntese de substâncias intracelulares. Pode ser fisiológica (músculos de atletas) ou patológica (aumento do coração por hipertensão).
- Hipotrofia: Processo oposto à hipertrofia; pode ser considerado um estado intermediário ou até sinônimo de atrofia.
- Atrofia: Diminuição do tamanho das células por perda de substância, comprometendo a função do tecido. Pode ser fisiológica (útero pós-parto) ou patológica (por desuso, desnutrição, falta de hormônio ou compressão).
- Metaplasia: Substituição reversível de um tipo de célula adulta por outro. Um exemplo comum é a substituição do epitélio colunar do trato respiratório por epitélio escamoso mais resistente em fumantes, que, no entanto, perde a função original de produzir muco.
- Displasia: Crescimento desordenado das células, com variação de forma e tamanho e perda de organização. É um processo pré-cancerígeno que pode evoluir para neoplasia (tumor).
2. Lesão Celular
A lesão ocorre quando a célula não consegue se adaptar a um estresse excessivo ou estímulo nocivo.
Causas
Causas: As causas podem ser endógenas (anormalidades genéticas, fatores imunes e emocionais) ou exógenas (privação de oxigênio, agentes físicos, químicos, infecciosos e desequilíbrios nutricionais).
Mecanismos
Mecanismos: O dano celular afeta principalmente quatro sistemas: a membrana, a respiração aeróbica, a síntese de proteínas e os ácidos nucleicos. A privação de oxigênio leva à queda de ATP, causando falha das bombas de íons e inchaço celular. Outro mecanismo importante são os radicais livres, que causam danos oxidativos às membranas, proteínas e DNA.
Lesão reversível vs. irreversível
Lesão reversível: Permite que a célula se recupere; suas características incluem tumefação celular (inchaço) e degeneração gordurosa (acúmulo de vacúolos lipídicos).
Lesão irreversível: É o ponto de não retorno, onde a célula morre.
3. Necrose e Apoptose
São as duas principais formas de morte celular.
Necrose
Necrose: Morte celular acidental e patológica, que sempre causa inflamação.
- Características: A célula incha, a membrana se rompe e libera o conteúdo celular. Pode ocorrer autólise (enzimas da própria célula) ou heterólise (enzimas de leucócitos).
- Tipos de necrose:
- De coagulação: Ocorre em lesões isquêmicas (infarto), onde a arquitetura celular é preservada, mas o núcleo se perde.
- Liquefativa: Típica de infecções; o tecido transforma-se em uma massa viscosa (pus).
- Caseosa: Vista na tuberculose; o tecido tem aparência de queijo esfarelado.
- Gordurosa (enzimática): Característica da pancreatite, onde as lipases pancreáticas formam sais de cálcio (saponificação).
- Gangrenosa: Ocorre em extremidades e pode ser seca (perda de água) ou úmida (com ação bacteriana).
Apoptose
Apoptose: Morte celular programada e controlada, que não causa inflamação.
- Características: A célula se retrai; o citoplasma torna-se denso e a cromatina condensa. Fragmenta-se em corpúsculos apoptóticos que são fagocitados por outras células, evitando a liberação de enzimas.
4. Acúmulos Intracelulares
O documento também menciona o acúmulo de substâncias na célula como parte das adaptações.
- Lipídeos: O acúmulo de lipídeos é chamado de esteatose, comum no fígado. Também pode ocorrer acúmulo de colesterol, formando placas de ateroma e células espumosas.
- Proteínas: O acúmulo de proteínas no citoplasma pode estar associado a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Huntington e Parkinson.
- Pigmentos: Podem ser exógenos (como o carvão, causando antracose) ou endógenos (como a bilirrubina na icterícia ou a melanina).
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