Adolescência: características, necessidades e intervenções
Classificado em Psicologia e Sociologia
Escrito em em
português com um tamanho de 8,05 KB
Adolescência: características, necessidades e estratégias de intervenção
Esta revisão aborda a adolescência em suas diversas dimensões: biológica, psicológica, social e educativa, com foco em necessidades, riscos e estratégias de intervenção. A adolescência não se limita às mudanças biológicas da puberdade; é também um período de transformações sociais e psicológicas significativas. O verdadeiro significado desta fase é a maturação da autonomia pessoal.
Sexualidade, puberdade e primeiros comportamentos sexuais
Essa interação é feita para: aumentar a intimidade, procurar novas experiências, testar a maturidade, atualizar-se com o grupo de colegas e investigar os mistérios do amor. A masturbação é a primeira experiência sexual de muitos adolescentes. Nesta etapa a orientação sexual pode se manifestar: se houver interesse por membros do sexo oposto, a pessoa tende a ser heterossexual; se o interesse for pelo mesmo sexo, a pessoa tende a ser homossexual.
Uma preocupação importante é a idade de início precoce das práticas sexuais, pelo risco de gravidez e pela transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. É essencial a educação sexual informada e preventiva, bem como o acesso a cuidados de saúde e aconselhamento.
Relações interpessoais e o grupo de pares
No grupo de pares o adolescente tem necessidade de encontrar um amigo ou um grupo que o apoie constantemente; esse apoio é frequentemente muito forte. Para muitos, o grupo representa relações de confiança, intimidade, comunicação, afeto e compreensão mútua; tem, portanto, função integradora na sociedade. Dentro desse grupo também ocorrem as maiores introduções ao uso e abuso de drogas e a pressão dos pares.
Família e tensões geracionais
Quanto à família, a diferença entre as gerações e as necessidades de mudança e autonomia do adolescente pode causar tensão. Isso não significa que as relações sejam constantemente danificadas, mas que é comum haver conflitos e negociações entre expectativas familiares e a busca de independência do jovem.
Alterações psicofisiológicas e comportamento
Explique-se que tudo isso se reflete em alterações fisiológicas e psicológicas, como sensação de invencibilidade, apetite pelo risco, egocentrismo e a sensação de estar constantemente observado (medo do ridículo). Há também o início do pensamento formal, a expansão do mundo social, a redefinição da escala de valores e a necessidade de definir a própria identidade.
Outros aspectos observados na adolescência incluem: unir-se ao grupo, adaptar-se às mudanças na escola, encontrar compreensão e afeto, desenvolver o pensamento hipotético-dedutivo e explorar o mundo. Essas alterações psicofísicas caracterizam o processo de transição da infância para a idade adulta.
Fases da adolescência
- Início da adolescência: mudanças biológicas da puberdade; maturação dos órgãos sexuais e capacidade reprodutiva.
- Meio da adolescência: busca de valores culturais, personalização e socialização, integração de sexo e amor, desenvolvimento do pensamento operacional e reflexão sobre o futuro profissional.
- Final da adolescência: escolha da carreira, definição do estilo de vida futuro, reconstrução da vida familiar, aceitação de direitos e deveres e estabelecimento de um sistema próprio de valores.
Alterações físicas e sexuais
As grandes mudanças físicas desta fase incluem alterações sexuais primárias e secundárias. Nas meninas ocorre a menarca, o aumento dos ovários e o início da menstruação. Nos meninos desenvolvem-se o pênis, os testículos, a próstata e há a primeira ejaculação (semenarca).
O crescimento de pelos pubianos, axilares e faciais, o desenvolvimento das mamas nas meninas e a mudança de voz nos meninos geram incertezas relacionadas à autoestima e ao contexto social, impactando a construção da identidade.
Desenvolvimento cognitivo
Segundo Piaget, o adolescente alcança o nível mais alto do desenvolvimento do pensamento, caracterizado pela capacidade de pensamento abstrato. As habilidades cognitivas típicas incluem unidade lógica, formulação de hipóteses, raciocínio dedutivo, compreensão de abstrações, metáforas e símbolos.
Nesta fase o adolescente pode apresentar egocentrismo, atitude crítica em relação a figuras de autoridade, tendência a argumentar, autoconsciência exagerada e foco em si mesmo. Aparece também certa irresolução e, por vezes, aparente hipocrisia no comportamento.
Desenvolvimento social e busca de identidade
No desenvolvimento social, o adolescente estabelece laços primeiramente com pares do mesmo sexo e, depois, com o sexo oposto, a fim de consolidar relações afetivas. É um período de pesquisa e construção da identidade pessoal, em que o ego é central, mas deve integrar elementos corporais, mentais, sociais e morais.
Profissionais devem observar riscos específicos desta fase: infecções sexualmente transmissíveis, acidentes, tentativas de suicídio, transtornos alimentares (obesidade, anorexia nervosa, bulimia) — que requerem intervenções nutricionais, terapêuticas e psicoterapêuticas adequadas.
Comportamento sexual e afetivo
O pensamento e o comportamento sexual são característicos na adolescência: observam-se comportamentos de toque íntimo que podem evoluir desde a simpatia e amizade até o namoro. A educação afetivo-sexual deve orientar sobre consentimento, proteção e respeito mútuo.
Competências e habilidades a desenvolver
É muito importante trabalhar competências nesta faixa etária. Entre as habilidades sociais iniciais destacam-se:
- Ouvir ativamente.
- Iniciar e manter conversas.
- Fazer e responder a perguntas.
- Pedir ajuda, envolver-se, pedir desculpas, convencer e expressar sentimentos.
Competências emocionais relacionadas incluem reconhecer e conhecer os próprios sentimentos e os dos outros, expressá-los, compreendê-los e demonstrar respeito.
Alternativas a comportamentos agressivos
- Pedir permissão.
- Compartilhar e ajudar.
- Negociar e usar o humor como auto-resposta.
- Evitar envolver-se em brigas.
Habilidades para lidar com o stress
Entre as estratégias práticas estão: denunciar comportamentos inadequados, praticar desportivismo, defender um amigo, responder a uma acusação de forma assertiva, planejar, tomar decisões, definir metas e manter a concentração em tarefas.
Para trabalhar essas competências utilizam-se instrução verbal, imitação, feedback e reforço, além de técnicas de modificação comportamental e psicoterapia conforme necessário.
Estratégias de intervenção
As estratégias de intervenção com adolescentes podem ser preventivas, visando problemas específicos, e terapêuticas, atuando em pacientes que apresentam transtornos. É fundamental trabalhar habilidades sociais, emocionais e cognitivas por meio de programas escolares, familiares e comunitários.
Citações e reflexões sobre a adolescência
"Os adolescentes experimentam sentimentos de amor facilmente; dissociar o físico do sentimental, a alma do corpo." — Fineltain, Ludwig.
"O adolescente é um sujeito estranho: inocente como um anjo, orgulhoso como um príncipe, valente como um herói, vaidoso como um pavão, preguiçoso como um boi indomável, irritado como uma senhora." — Stanley Hall.
"Os adolescentes vivem em permanente estado de embriaguez espiritual." — Platão.
Observação final: a adolescência é um período complexo que requer atenção multiprofissional e políticas públicas que promovam saúde, educação e inclusão social. A intervenção precoce, a informação correta e a construção de competências protegem contra riscos e favorecem a transição saudável para a vida adulta.