Trabalho, Alienação e Transformação Humana

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Pelo trabalho, o homem transforma a natureza e se distingue do animal, pois sua ação é dirigida por um projeto deliberado e intencional — projetado: penso e faço.

Todo trabalho trabalha para fazer o homem ao mesmo tempo que uma coisa:

Pelo trabalho, o homem se autoproduz: desenvolve habilidades e imaginação, conhece as forças da natureza, desafia‑as, conhece suas forças e limites, relaciona‑se e impõe‑se uma disciplina.

O trabalho é uma ação dialética: o ser humano se transforma, se movimenta; trabalho é teoria–prática — teoria–prática: uma ação não existe sem a outra.

Liberdade não é algo que é dado ao homem: liberdade é o resultado de uma ação transformadora sobre o mundo, segundo seus projetos.

A felicidade dos homens livres é a contemplação das ideias:

À medida que o homem transforma as coisas, ele se liberta.

Trabalho

  • Visão cultural: trabalho com visão negativa no catolicismo; sofrimento e tortura na Idade Média.
  • Visão grega: diferente — o escravo faz as tarefas e o homem é livre; homens de posse intelectual, escravos no trabalho manual.
  • Ócio criativo: em algum momento da vida é preciso parar para fazer o que se gosta.
  • Idade Média: todos os trabalhos se equivalem; trabalho manual (arte mecânica) é considerado inferior.
  • Idade Moderna: maior interesse pela arte mecânica e pelo trabalho; ascensão burguesa.

Nascimento das fábricas e urbanização

Capital acumulado compra máquinas e famílias domésticas dispõem do seu antigo trabalho e são obrigadas a vender a força de trabalho em troca de salário — Revolução Industrial.

Proletariado: os trabalhadores são inseridos em uma nova ordem; divisão do trabalho. O fruto do trabalho não lhes pertence mais; a produção é vendida pelo empresário, que fica com os lucros.

Revolução agrícola: devido à mecanização do setor têxtil, houve desenvolvimento de setores metalúrgicos e, por fim, impacto no campo.

Movimentos socialistas e anarquistas: denunciaram a exploração do trabalho e as condições sub‑humanas.

Sociedade pós‑industrial e alienação

A sociedade pós‑industrial: caracterizada pela ampliação dos serviços (setor terciário), dependentes do desenvolvimento de técnicas de informação e comunicação; setores agrícola, industrial e terciário terceirizados.

Alienação — nível concreto: o trabalhador é explorado e se aliena.

Alienação (Marx): você não tem noção da dimensão da produção; há desinteresse em relação às coisas; a pessoa vive e não sabe o que se passa no mundo.

A soberania do povo é inalienável: pertence somente ao povo e não deve outorgá‑la a ninguém — democracia direta.

Fetichismo da mercadoria: a mercadoria ganha vida; sua valorização torna‑se superior ao homem.

A humanização da mercadoria leva à desumanização humana: o homem se transforma em mercadoria; a força de trabalho tem um preço de mercado.

Alienação na produção

Dicotomia na concepção e no processo: um pequeno grupo de pessoas concebe o que irá ser produzido e de que maneira; outro grupo é obrigado a executar parcelado — cada um tem uma parte no processo.

Taylorismo: produzir mais em menos tempo.

Sociedade da opulência: o homem reduzido a gestos mecânicos pelo parcelamento das tarefas.

Racionalização do trabalho: o setor de planejamento desenvolve controle e formas de execução das tarefas.

Razão instrumental: a técnica atinge altos níveis de produção e competição; a lógica não é a mesma da razão vital.

Razão comunicativa: deve ser analisada como contraposição à razão instrumental.

Setor de serviços e consumo

Alienação no setor de serviços: individualismo; o prazer é negado no trabalho alienado; prevalecem atributos de consumo e bens materiais — espírito capitalista.

O sofrimento da natureza: o homem usa a natureza em seus interesses, mas com abuso sobre ela.

A sociedade administrativa: o homem permite que se retire o prazer em sua atividade produtora, regendo‑se por princípios racionais e levando à perda de si; o homem perdeu sua posição crítica.

Enquanto existirem funções divididas — homem que pensa e homem que executa — será impossível evitar a dominação: a minoria sabe e a maioria não sabe, então obedece.

Alienação no consumo: o homem atende às suas necessidades orgânicas, culturais e estéticas.

Consumo não alienado: o homem, mesmo influenciado, mantém a possibilidade de escolha autônoma — pela preferência e por consumir ou não. Consumo consciente nunca é um fim, mas um meio para outra coisa qualquer.

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