Alternativas às Estimativas Monetárias em Saúde
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Alternativas a Estimativas Monetárias
Análises Custo-Eficácia: Custo unitário por cada vida salva. Aplica-se a políticas de saúde e segurança. É uma medida eficaz, como nos casos de estradas com muito tráfego perto de zonas residenciais ou escolares, etc. Em contrapartida, poderiam ser medidas desajustadas, como a estudada na bibliografia.
No exemplo dado, exigir uma cadeira para crianças que viajem de avião poderia nunca resultar numa exigência eficaz, na medida em que, infelizmente, quando um avião se despenha, fá-lo a uma velocidade extrema e seguido de uma explosão ou inalação de fumos. A cadeira, neste caso, infelizmente não iria contribuir para muito. Os acidentes de avião, quando sucedem, são fatais e, ainda assim, são muito raros, tendo uma taxa de risco demasiado baixa. Esta medida das cadeiras tem, sim, um impacto positivo na sua utilização em carros. Por outro lado, existe dificuldade em comparar benefícios em termos de vidas com outros benefícios.
Análises Risco-Risco: Vidas perdidas estimadas versus vidas salvas estimadas
Consiste em calcular custos e benefícios em vidas como, por exemplo, quantas vidas podem ser salvas por se construírem mais hospitais ou contratar mais médicos. Tem de positivo o facto de ser menos polémica do ponto de vista político. No entanto, tem os mesmos problemas de estimativa que as análises custo-benefício convencionais.
QALY (Quality-Adjusted Life Years): "Anos de Vida Ajustados pela Qualidade"
O prolongamento da vida e o número de anos de vida ajustados à qualidade são muito utilizados em políticas de saúde, e podem ser obtidas estimativas de ajustes através de inquéritos (preferências reveladas) ou outras análises.
No modelo QALY, a qualidade de vida é medida através de categorias de saúde, tais como: saúde perfeita, saúde relativamente boa, saúde relativamente fraca, acamado ou estado vegetativo persistente. Fazendo o mesmo para cada categoria de saúde, obtém-se um conjunto completo de pesos para diferentes níveis de saúde. Os anos de vida ajustados pela qualidade de uma pessoa são a soma de todos os anos passados em cada categoria de saúde.
Também é atribuída uma categoria de saúde específica através de indicadores estatísticos, como dias de trabalho perdidos ou visitas médicas, por respostas de inquéritos sobre a sua opinião sobre o seu estado de saúde, ou indiretamente, atribuindo riscos de saúde associados a bactérias ou poluentes medidos.
- Primeiro passo: Para estimar o número de anos de vida (X/Y) ajustados à qualidade, somam-se os anos de vida, com cada ano multiplicado pelo peso associado à condição de saúde correspondente.
- Segundo passo: Determinar quanto menos vale um ano passado em qualquer categoria de saúde reduzida em relação a um ano em perfeita saúde.
Os pesos atribuídos à saúde perfeita e a outras categorias são determinados através de várias técnicas de inquérito. Por exemplo: perguntar a uma pessoa se prefere viver bem e com qualidade de vida os últimos 20 anos ou, em vez disso, viver 30, mas viver bem apenas 10, sendo que vive acamada os restantes 20. Isso poderia dar lugar a um tipo de resposta antes de alguém saber que tem uma doença incurável, e outra resposta dada pela mesma pessoa depois de saber que já tem essa doença e é inevitável conseguir sobreviver. Portanto, a pessoa optaria por tomar um medicamento que só lhe daria 20 anos de vida, mas de grande qualidade, ou não tomar esse medicamento, viver mais, mas acamada.
Cada pessoa tem a sua maneira de olhar para este problema, sendo que é provável que as pessoas, antes de saberem que têm uma doença, olhem para o número de anos em sofrimento versus anos bem vividos, atribuindo o valor zero aos anos em sofrimento; mas depois de saberem que têm uma doença, tendem a ver e a valorizar muito o número de anos perdidos.
Prós:
- Avalia a qualidade de vida: Permite comparar a efetividade com diferentes níveis de qualidade de vida.
- Informa a tomada de decisões: Ajuda na alocação estratégica de recursos em saúde.
- Facilita a comparação entre diferentes doenças: Permite comparar o impacto de patologias distintas, mesmo as que não afetam diretamente a expectativa de vida.
- Considera a perspetiva do paciente: Incorpora a visão do paciente sobre seu próprio bem-estar.
Contras:
- Subjetivo: A qualidade de vida é um conceito difícil de quantificar, levando a diferentes avaliações.
- Falta de consenso: Não existe um único método para calcular os QALYs, o que pode gerar inconsistências.
- Ignora a distribuição da qualidade de vida: Concentra-se na média, ignorando a variação da qualidade ao longo do tempo.
- Negligencia outras dimensões da saúde: Não considera o bem-estar social e econômico.
- Conflitos de interesses e socioeconômicos: Em casos de incapacidade de decisão, prevalece a opinião de terceiros. Além disso, a escassez de recursos (ex: um medicamento para duas pessoas) não contempla medidas complementares que escolham um em detrimento de outro.