Análise do Auto da Barca do Inferno (1517)
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Auto da Barca do Inferno (1517)
→ Faz parte da "trilogia das barcas": Auto do Purgatório e Auto da Glória.
- Moralismo religioso de cunho medieval.
- Visão totalmente maniqueísta do homem e do mundo.
- Caráter alegórico.
→ História: Simples; os personagens que chegam são conduzidos pelos barqueiros (Diabo e Anjo) para as respectivas barcas, que conduzem, respectivamente, ao Inferno e ao Céu.
→ Falas: Marcadas por muita ironia, principalmente pelo Diabo (Arrais Infernal), que é o personagem que mais se destaca no auto.
→ Peça de religiosidade alegórica.
Os Arrais (Barqueiros)
- Diabo: Tem um ajudante, é liberal, recebe todos com humor e simpatia (ainda que falsa), argumenta muito, ouve e pondera o que as pessoas têm a dizer antes de condená-las; é um ótimo anfitrião.
- Anjo: Argumenta pouco, é calado, frio, discreto, autoritário.
Julgamentos
- Fidalgo: Traz pajem e cadeira; representa a presunção e tirania; abuso de poder; reconhece o erro e aceita a condenação. Soberba.
- Onzeneiro (Agiota): Traz bolsa vazia (não conseguiu levar nada); representa a usura (ganância). Usura, cobiça e ambição.
- Joane (Parvo, Bobo): Traz, vestida, a roupa típica; representa a inocência; fica perto do Anjo como observador; passa a ajudar o Anjo nos julgamentos. Ingenuidade.
- Sapateiro: Traz as formas (com as quais roubava os clientes); representa o apego do homem aos bens materiais, mas ia à Igreja; diz-se confessado e comungado. Cobiça e fé inautêntica.
- Frade Dominicano: Traz a namorada (Florença), o escudo, espada e capacete (símbolos da vida de prazeres); não seria ruim se não fosse padre, representa a hipocrisia pela vocação desencontrada; evoca ser padre e ninguém o ter avisado que não podia ter namorada; demonstra o rigor moral do autor. Luxúria (ele e ela) e inautenticidade no sacerdócio (ele).
- Alcoviteira (Brísida Vaz): Traz 600 virgos (virgindades defloradas); o Diabo a deseja pela sua repugnância, chama-a de Senhora (como nas Cantigas); é acusada de feitiçaria e busca o lucro vazio de sentido; evoca ter ajudado a Igreja. Ambição e corrupção.
- Judeu: Traz um bode, deseja embarcar na barca do Inferno, mas o Diabo não permite; representa o preconceito; vai rebocado. Corrupção, ambição e por ser judeu.
- Corregedor (Juiz): Traz autos; fala em latim; representa a corrupção.
- Procurador (Advogado): Traz livros; participa dos "esquemas" do Corregedor. Vão juntos à barca da Glória e são condenados juntos. Soberba, ambição e corrupção ao exercer a justiça.
- Enforcado: Traz, ainda no pescoço, a corda; ladrão tolo, rouba sem vantagens; iludido pelo tesoureiro da casa da moeda. Roubo.
- Quatro Cavaleiros: Cantam hinos; não trazem armas; são mártires cristãos; ignoram o Diabo e são acolhidos pelo Anjo. Fé autêntica.
Condenam-se
Fidalgo, Onzeneiro, Sapateiro, Frade, Alcoviteira, Judeu, Corregedor, Procurador.
Salvam-se
Bovo, Cavaleiros.
Personagens Tipo
- Tipo: Conjunto dentro do todo; representação coletiva social ou psicológica.
- Todo: Instituição.
- Um: Indivíduo.