Análise dos Episódios em Os Maias — Eça de Queirós
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O Jantar no Hotel Central
Neste jantar, Ega pretende homenagear Cohen, o marido de Raquel, por quem Ega estava apaixonado e com quem mantinha uma relação. Em roda da mesa surgiram assuntos do foro literário e político que permitem ter uma noção da situação de Portugal.
Literário:
- Alencar defende o ultra‑romantismo, enquanto Ega defende o realismo/naturalismo — mostra uma sociedade dominada por valores tradicionais, que se opõe a uma nova geração, a Geração de 70 representada por Ega.
- Ega defende, de forma exagerada, a inserção da ciência na literatura.
Político: Ega critica a decadência do país e afirma desejar a bancarrota e a invasão espanhola.
A Corrida de Cavalos
É uma sátira ao desejo de imitar o que se faz no estrangeiro, por um esforço de cosmopolitismo, e ao provincianismo do acontecimento. As corridas de cavalos permitem apreciar, de forma irónica e caricatural, uma sociedade que vive de aparências.
- O comportamento da assistência feminina é naturalmente caricaturado.
- A conformidade do vestuário à ocasião não é a melhor e acaba por traduzir a falta de gosto e, sobretudo, o ridículo de uma situação que se pretende requintada sem o ser.
O Jantar na Casa do Conde Golvarinho
O espaço social permite, através das falas, observar a gradação dos valores sociais, o atraso intelectual do país e a mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia.
- O deslumbramento pelo estrangeiro.
- A falta de cultura dos indivíduos que ocupam cargos que os inserem na esfera social do poder.
Os Jornais: 'A Corneta do Diabo' e 'A Tarde'
Critica-se, neste episódio, a decadência do jornalismo português, pois os jornalistas se deixavam corromper, motivados por interesses económicos (é o caso de Palma Cavalão, do jornal 'A Corneta do Diabo') ou evidenciavam uma parcialidade comprometedora originada por motivos políticos.
O Sarau do Teatro da Trindade
Evidencia-se o gosto dos portugueses, dominado por valores caducos, enraizados num sentimentalismo educacional e social ultrapassado. Há uma total ausência de espírito crítico e analítico na alta burguesia e na aristocracia nacionais, assim como a sua evidente falta de cultura.