Análise do Filme "Ponto de Mutação" e o Paradigma Sustentável

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O filme "Ponto de Mutação", de Fritjof Capra, suscita questionamentos sobre o mundo moderno, tratando de forma extraordinária assuntos como política, ecologia, tecnologia e o futuro da humanidade. A obra apresenta a visão de três personagens que confrontam suas opiniões a respeito desses temas, representando cada um um ponto de vista próprio. Isso enriquece a abordagem do filme e possibilita ao espectador uma meditação sobre as mudanças que vêm ocorrendo ao redor do mundo.

O filme esquematiza um cenário da história da humanidade, especialmente com relação ao desenvolvimento do pensamento científico, a partir do século XVII na Europa até os dias atuais. Ele aponta pontos de vista importantes e envolve a discussão dos aspectos positivos e negativos dos avanços científicos, ao manifestar, por exemplo, a crise de valores e princípios que envolvem as ciências.

A Crítica à Racionalidade Parcial

No filme, uma das maiores preocupações abordadas pelos personagens é a questão ambiental. É sabido que o mundo atual apresenta uma concentração nos grandes centros em resultado do desenvolvimento industrial e urbano acelerados, impulsionados principalmente pelo avanço do sistema capitalista.

A visão teórica da ciência foi relacionada à racionalidade parcial, idealizada com base nas ideias advindas do positivismo, iluminismo e do evolucionismo. Essa visão se desenvolveu erroneamente ao prestigiar somente setores da economia e da administração, em detrimento das instâncias social e cultural. Assim, as ciências foram concebidas de acordo com o princípio da produtividade, cálculo econômico e progresso industrial, relegando questões sociais e, mais precisamente, o meio ambiente.

Embora a ciência ainda hoje esteja arraigada a essa concepção da racionalidade parcial, muitos acontecimentos históricos ligados à produção científica, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki, têm feito com que os cientistas reflitam a respeito de uma mudança no pensamento científico. Essa mudança deve favorecer o avanço tecnológico e o bem-estar da humanidade, pautada nos conceitos da multidimensionalidade, complexidade, holismo e totalidade, buscando a racionalidade complexa, construída a partir de um novo paradigma.

Coincidência com o Desenvolvimento Sustentável

Tal ideia é coincidente com o conceito de desenvolvimento sustentável, tão almejado nos dias atuais, pois ele leva em consideração os aspectos:

  • Ecológico;
  • Econômico;
  • Sociopolítico.

Ou seja, a multidimensionalidade, a complexidade, o holismo e a totalidade. O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. Uma vida melhor com a satisfação das necessidades básicas para justificar uma sadia qualidade de vida é meta imperativa para aqueles que defendem a política sustentável de desenvolvimento.

Estrutura para a Sustentabilidade

Além disso, todas as sociedades precisam de um alicerce de informação e conhecimento, de uma estrutura de leis e instituições e de políticas econômicas e sociais sólidas para poder progredir de forma racional. Qualquer programa de sustentabilidade deve abranger todos os interesses, procurando identificar e evitar os problemas antes que eles surjam. Deve ser adaptável, redirecionando continuamente o seu curso, em resposta à experiência e às novas necessidades, assegurando assim o desenvolvimento econômico com a proteção da qualidade ambiental.

O Papel da Constituição e da Participação Popular

A Constituição da República visa o desenvolvimento sustentável. A leitura sistematizada das normas constitucionais nos permite extrair que o sistema confere aos cidadãos o direito ao desenvolvimento e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, buscando soluções para sua compatibilização. Prevê-se a intervenção do Estado no domínio econômico e a participação da população na tutela ambiental.

Para a implementação do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, mister se faz a elaboração de instrumentos no seio da legislação brasileira. O licenciamento ambiental é um desses instrumentos postos à disposição da Administração Pública na tutela do meio ambiente. Baseado no poder de polícia, o Poder Público exige dos administrados o cumprimento de uma série de requisitos, os quais culminarão ou não na expedição de licenças ambientais para a localização, instalação e operação de atividades consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras.

Contudo, para se atingir o meio ambiente ecologicamente equilibrado, o Poder Público, além de criar leis ambientais que preservem e protejam o meio ambiente e de estabelecer mecanismos de atuação preventiva e repressiva por parte dos órgãos ambientais competentes, deve enfocar também a participação popular no despertar de uma consciência ecológica para que o meio ambiente possa ser preservado para as presentes e futuras gerações. Possibilita-se a participação popular na apresentação de projetos de leis nos âmbitos federal, estadual e municipal, na fiscalização e na execução de obras, assim como na política ambiental em discussão pública e na provocação do Poder Judiciário em busca da defesa do meio ambiente.

Atualmente, a sociedade, ao perceber que as questões sociais foram relegadas ao segundo plano, pressiona o Estado e pede imediata intervenção nos vários setores institucionais, reivindicando a participação social na tomada de decisões na busca do interesse público. Esse é o tom de denúncia e de advertência do filme, pois tal forma de pensar e agir atual atinge o homem em sua própria existência. No entanto, em meio a tantas problemáticas e profundas discussões, pontos elucidativos são expostos no filme, buscando a racionalidade em favor do bem-estar de todos e incitando também uma nova forma de pensar, representada pela concepção do novo paradigma que proporciona a contemplação da visão holística.

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