Análise de O Homem que Fazia Chover: Ética e Direito
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O filme "O Homem que Fazia Chover" retrata a história de um jovem recém-formado em Direito e idealista, chamado Rudy Baylor, que, depois de muitas dificuldades para se formar, sai à procura de seu primeiro emprego. A única oportunidade a priori é trabalhar em uma firma de má reputação em Memphis. Seu chefe, um sujeito corrompido conhecido como "Valentão", lhe dá a oportunidade mediante parceria com um advogado, Deck Shifflet, que não consegue passar no exame da Ordem para adquirir sua habilitação para advogar.
O jovem Rudy Baylor começa a advogar em dois casos: um testamento de uma senhora, Miss Birdie, que aluga um quarto para Rudy, e seu principal caso, no qual vai defender um rapaz chamado Donny Black. Donny sofre de leucemia e processa a seguradora Great Benefit, que se recusou a pagar a cirurgia de transplante de medula óssea que poderia salvá-lo. Nesse conflito, Rudy se envolve com uma jovem casada, Kelly Riker, cujo marido a espanca.
O filme mostra a luta do jovem advogado no início de carreira tentando ascender profissionalmente, mas se deparando com um lado sujo da profissão. Rudy Baylor e seu parceiro começam a suspeitar das ilegalidades do escritório de advocacia em que trabalham e decidem abrir uma sociedade, dando prosseguimento ao caso do seu cliente contra a companhia de seguros, o qual trava uma árdua batalha para reunir provas e provar as possíveis fraudes e a falta de idoneidade da poderosa seguradora. Nesse ínterim, infelizmente, o rapaz vem a falecer, deixando o jovem advogado lastimoso e com mais sede de justiça.
Após a incessante batalha nos tribunais, Rudy consegue persuadir a bancada do júri, obtendo ganho de causa e tornando-se famoso pelo brilhante desempenho no caso, levando a seguradora à falência. Entretanto, Rudy se desilude com a profissão e resolve dar um tempo para pôr em ordem suas ideias e pensar se realmente quer dar prosseguimento à arte de advogar.
O autor demonstra com clareza as duas faces da profissão, sem discriminar categoricamente o bom do mau profissional, e que para começar uma carreira é preciso ser persistente e perspicaz para não seguir um caminho retrógrado, cabendo a cada profissional desempenhar sua função conforme sua índole.
O filme enfoca o quanto esta profissão é importante quando exercida honestamente e o quanto ela pode prejudicar quando é exercida desonestamente, sem, é claro, colocar ninguém como "o perfeito" e mostrando sempre o que rola de verdade na Justiça e como é, na prática, a lei do Direito. Ao desenrolar da trama, vão se abrindo críticas certeiras à hipocrisia e mesquinhez do sistema jurídico, marginalizando a sociedade que muitas vezes desconhece seus direitos. O jovem advogado, Rudy Baylor, apesar de inexperiente na profissão, conseguiu nos transmitir a essência do filme, embasado nos princípios que regem o Direito, como o princípio da legalidade, impessoalidade e utilizando a ética para advogar, o que não era o caso dos advogados de defesa da seguradora. O filme mostra claramente o dia a dia que um advogado enfrenta, com os obstáculos para exercer sua profissão sem se deixar corromper, mostrando que existem "advogados" e "advogados"; que, além do conhecimento teórico, é preciso ter habilidade e vocação e, mais do que isso, ter caráter.
O filme nos transportou à realidade do universo jurídico, fazendo-nos refletir e questionar acerca do exercício da advocacia.