Análise e Interpretação de Poema
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1. Identifique os sentimentos do "eu" expressos nas três primeiras estrofes.
Os sentimentos do "eu" expressos nas três primeiras estrofes são, nomeadamente, os seguintes:
- Desespero pela insónia que o afeta, em plena noite;
- Surpresa e júbilo, quando abre a janela e depara com luz na janela de uma casa, sinalizando a presença de outro ser humano acordado àquela hora;
- Interesse pelo desconhecido também em vigília noturna;
- Fraternidade face a esse outro ser, também acordado àquela hora da noite.
2. Refira as sensações representadas no poema, transcrevendo os elementos do texto em que se fundamenta.
No poema, encontram-se representadas sensações visuais, auditivas e tácteis, nomeadamente, através dos seguintes elementos do texto:
- Sensações visuais: "O quadrado com cruz de uma janela iluminada!" (v. 5), "Tom amarelo cheio da tua janela" (v. 21), "luz" (v. 9), "nossas duas luzes" (v. 13), "janela com luz" (v. 19).
- Sensações auditivas: "no silêncio todo" (v. 1), "tictac visível" (v. 2), "Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!" (v. 18).
- Sensações tácteis: "Sobre o parapeito da janela da traseira da casa, / Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro" (vv. 15-16).
3. Apresente uma interpretação possível para o seguinte verso: "O coração latente das nossas duas luzes".
O verso referido pode ser interpretado nos seguintes termos:
- A perceção das duas luzes e do seu tremeluzir convoca a ideia de um coração que pulsa, unindo aqueles dois seres, na solidão da noite;
- As duas luzes assinalam a presença do humano na noite eterna, informe, infinita e apelam a um sentimento de partilha de humanidade entre os dois únicos seres acordados;
- As duas luzes são sinal da presença de duas consciências despertas na noite informe.
4. Comente o sentido da apóstrofe no último verso, tendo em conta a globalidade do poema.
A apóstrofe "Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!" faz intervir, no final do poema, a nostalgia da infância e a consciência da sua perda, por parte do "eu". Este facto pode ter, entre outras, as interpretações seguintes:
- O texto encerra, tal como se inicia, com a representação de uma atitude interior negativa (ou disfórica) do sujeito poético. Deste modo, a apóstrofe do último verso instaura (ou reinstaura), no final do poema, a angústia do "eu" como o eixo central dos sentidos expressos no texto;
- O verso final traz a lembrança, ou a saudade, da infância como novo sentimento despertado pela sensação visual da luz ao longe, pois essa luz é, tal como na infância do sujeito poético, produzida por um candeeiro a petróleo. A apóstrofe é, assim, a irrupção dessa recordação nostálgica num ambiente marcado por sensações e por considerações sobre o presente.