Análise Literária: Peregrinação, Bocage e Figuras de Estilo

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Peregrinação

  • O narrador é homodiegético, uma vez que participa na ação integrado num grupo do qual não é a figura mais relevante. As personagens principais são outras, mas o sujeito da enunciação participa nos eventos que relata.
  • O episódio contribui para conferir à Peregrinação uma dimensão crítica. Pela boca de uma das personagens envolvidas nos acontecimentos (como acontece igualmente nos episódios da rainha de Aauru, do rei dos Batas ou do menino chinês), o narrador desvenda a atuação nem sempre correta dos portugueses no Oriente, desprezando os valores cristãos e agindo, por vezes, falsamente, sob a aparência da bondade e da fé, com recurso à violência, em prol do seu bem-estar e do seu enriquecimento.

Bocage: Poesia Lírica e Transição

A poesia lírica de Bocage apresenta duas vertentes principais:

  1. Vertente Luminosa/Etérea: O poeta entrega-se inebriado à evocação da beleza das suas amadas (Marília, Jónia, Armia, Anarda, Anália), expressando lapidarmente a sua vivência amorosa torrencial.
  2. Vertente Sombria/Sofrimento: Prevalece o sofrimento, o "horror", as "trevas", o que o faz, com frequência, ansiar pela sepultura, como afirma nomeadamente: "refúgio me promete a amiga Morte".

A relação que tem com as mulheres é também melindrosa e precária. O ciúme "infernal" rouba-lhe o sono e acentua-lhe a depressão.

Bocage: Período de Transição (Neoclassicismo e Pré-Romantismo)

Bocage viveu num período de transição, conturbado e em convulsão. A sua obra espelha essa instabilidade:

  • Influências Clássicas: Reflete as influências da cultura clássica, cultivando os seus géneros, fazendo apelo à mitologia e utilizando vocabulário genuíno.
  • Pré-Romantismo: Liberta-se das teias da razão, extravasa com intensidade tudo o que lhe vai na alma, expressa torrencialmente os seus sentimentos e faz a apologia da solidão.

Características Neoclássicas

  • Uso da mitologia com valor alegórico e personificação de conceitos.
  • Vocabulário erudito.
  • Concissão e clareza na linguagem.
  • Formas literárias clássicas: soneto, ode, elegia, etc.
  • Fado (destino).
  • A morte igual à tristeza.
  • Sublimação do amor.
  • Domínio da Razão.

Características Pré-Românticas

  • Procura uma linguagem nova e tom declamatório para melhor traduzir a força dos sentimentos: pontuação expressiva, uso de interjeições, vocativos, linguagem oralizante, forma dialogada. A linguagem flui de acordo com a agitação do estado de espírito do poeta.
  • Marcas autobiográficas.
  • Vocabulário convencional do ambiente e sentimentalismo romântico.
  • O desengano e o fatalismo.
  • Manifestação de estados de alma doentios.
  • Morte como libertação, apaziguamento, perdição ou castigo.
  • O amor como fonte de prazer delirante, paixão, inquietação, ânsia e ciúme.
  • Expressão hiperbólica dos sentimentos.
  • A aguda consciência do Eu.
  • Gosto da solidão, tendência antissocial, individualismo, apologia do génio individual.
  • A temática da liberdade (ideológica).

Figuras de Estilo

  • Anáfora: Repetição de uma ou mais palavras no início de verso ou de período.
  • Anástrofe: Inversão da ordem direta das palavras.
  • Pleonasmo: Repetição de uma ideia já expressa.
  • Antítese: Apresentação de um contraste entre duas ideias ou coisas.
  • Apóstrofe ou Invocação: Interpelação a alguém ou a alguma coisa.
  • Eufemismo: Dizer de uma forma suave uma ideia ou realidade desagradável.
  • Hipérbole: Ênfase resultante do exagero.
  • Sinédoque: Variante de metonímia, pela qual se exprime o todo pela parte ou vice-versa.
  • Perífrase: Figura que consiste em dizer por muitas palavras o que poderia ser dito em poucas.

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