Análise do narrador e do herói em Amor de Perdição

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Intencionalidade do narrador ao mencionar as fontes documentais

Ao mencionar as fontes documentais em que se baseou, confirma-se a veracidade da narrativa, mediante a citação de documento autêntico, oficial, que alude a uma vida real. O narrador vai, assim, conferir veracidade aos factos narrados, desejando que o leitor o perceba como um cronista que relata factos acontecidos e passíveis de confirmação.

Caracterização do herói S (direta e indireta)

Caracterização direta: Simão António Botelho é um jovem de dezoito anos, “estatura ordinária, cara redonda, olhos castanhos, cabelo e barba preta, vestido de jaqueta de baetão azul, colete de fustão pintado e calça de pano pedrês.”

Caracterização indireta: Se procedermos agora à sua caracterização indireta, podemos constatar que Simão é imaturo, sofredor, especialmente por amor, pois a paixão por Teresa que o consumia é um amor proibido, sendo este vítima inocente do amor.

Frase que sintetiza a vida do herói e a estrutura da obra

A frase “Amou, perdeu-se, e morreu amando” demonstra a ação concentrada e rápida, quase linear, precipitando os acontecimentos para o desenlace. Esta frase sintetiza a vida do herói e a estrutura da obra, refletindo a complexidade e a velocidade da ação.

Forma como é feita a apresentação do herói

O herói é percepcionado como uma vítima do amor, sentimento pelo qual lutou e que o conduziu a um desfecho trágico, sendo desculpabilizado pelo narrador.

Narrador

É um narrador heterodiegético; no entanto, não é completamente ausente, uma vez que expõe os seus juízos de valor, dá a sua opinião e, por sua vez, espera a compaixão do leitor face ao relatado. Mostra-se ainda incrédulo relativamente a esta situação tão triste, tendo, por isso, um carácter memorialista:

Folheando os livros de antigos assentamentos no cartório das cadeiras da Relação do Porto, li, nos das entradas dos presos desde 1803 a 1805, a folhas 232.

Assim sendo, este intervém diretamente na ação: “o doloroso sobressalto que me causam aquelas linhas, de propósito procuradas, elidas com amargura e respeito e, ao mesmo tempo, ódio”, estabelecendo-se uma cumplicidade entre leitor e narratário: “o leitor decerto se compungia; e a leitora, se lhe dissessem em menos de uma linha de história aqueles 18 anos, choraria”.

Reação dos leitores ao lerem a história de S

De um modo geral, quer o leitor quer a leitora ficaram surpreendidos com a história de S. O leitor ficaria perplexo e enternecido; a leitora, mesmo que só lhe contassem um bocadinho da história, choraria.

Explicação dos motivos que levaram à produção da obra

Camilo Castelo Branco escreveu Amor de Perdição devido à existência, num livro de antigos assentamentos, no cartório das cadeiras da Relação do Porto, de um auto que dita a prisão de S. Botelho, familiar (tio) do autor.

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