Análise das Personagens de 'Os Maias'

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Características das Personagens

Alencar

Tomás Alencar é um amigo de juventude de Pedro da Maia. É poeta romântico e a sua presença marca várias gerações ao longo do romance. Fisicamente, é uma figura alta, magra e pálida, de cabeleira farta e “românticos bigodes” e apresenta-se sempre vestido de preto. Toda a sua pose transmite a atitude de poeta inspirado e melancólico.

Dâmaso Salcede é o tipo de lisboeta novo-rico e pedante, sendo uma das personagens mais sugestivas da obra. Fisicamente é bastante caricato: um “moço gordo e bochechudo”, de face invariavelmente corada e coxa roliça. Por outro lado, este é uma figura pretensiosa, que vive das aparências e da ostentação de uma vida supostamente elegante e assim o demonstra quando tenta imitar Carlos da Maia, por quem detém uma grande admiração. É um homem grotesco, não só pela imbecilidade das suas ações e toilettes, mas também pela inconveniência da sua linguagem e das suas maneiras.

Cohen

Cohen é uma personagem-tipo que surge no romance pertencendo à “espécie de banqueiro” e judeu. Este representa uma classe, a alta burguesia capitalista, que controlava financeiramente o Portugal da Regeneração. Cohen acaba por ser admirado e escutado com reverência, não só pela sua condição social e económica, mas também pela beleza da sua mulher.

Afonso da Maia

Pai de Pedro da Maia e avô de Carlos da Maia, apresenta uma estrutura baixa, constituição forte, cabelos e barbas brancas e ar saudável (caraterísticas físicas). Aquando a sua juventude, Afonso era empenhado nos valores e nos projetos da primeira geração liberal e romântica, mas, por outro lado, já adulto, a sua maturidade e velhice refletem independência de espírito, tornada possível pelo estatuto social e económico. No decorrer do romance, Afonso da Maia aparece como patriarca sincero, com uma vida regrada, atraído por tudo o que é são e generoso. Ao mesmo tempo é conservador no que diz respeito à linguagem e deveres de classe.

Maria Eduarda

A descrição física de Maria Eduarda acontece predominantemente através do olhar de Carlos: alta, branca e muito religiosa. Insiste em dar uma educação tradicional portuguesa ao seu filho, Pedro da Maia, com a qual Afonso da Maia não concorda. Maria Eduarda é, por um lado, uma demonstração das teses naturalistas (no que concerne à importância da educação e da ação do meio no desenvolvimento da personalidade e na definição do percurso de vida). E, por outro lado, é uma representação simbólica da desgraça da família Maia.

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