Análise de Recomendações e Processos de Tomada de Decisão
Classificado em Filosofia e Ética
Escrito em em português com um tamanho de 3,91 KB.
3ª Fase de Análise: Recomendações
Introdução
Analisamos como as previsões podem auxiliar na compreensão de futuros possíveis, considerando ações e inações políticas. No entanto, até o momento, não foram explicitadas as razões para valorizar um estado de coisas em detrimento de outro. Esta fase abordará as recomendações.
O Papel da Recomendação
A recomendação permite que o analista forneça informações sobre a probabilidade de resultados e consequências de futuras ações políticas para indivíduos, grupos ou a sociedade como um todo.
É um processo que envolve a transformação da informação sobre futuros políticos em ações que, teoricamente e na prática, resultarão em resultados válidos. Isso requer a determinação das alternativas mais válidas e a justificativa para essa escolha. É evidente que o processo de recomendação está intrinsecamente ligado a questões morais e éticas.
Escolhas Políticas e Tipos de Recomendações
Escolhas Simples
As opções políticas são escolhas baseadas em prioridades dentro de um contexto de recursos escassos. Essas escolhas podem ser simples, como a escolha entre a ação A e a ação B (incluindo a opção de não agir).
Nesse caso, o processo é relativamente simples:
- Definir o problema que requer ação.
- Comparar as consequências de cada alternativa.
- Recomendar a alternativa que leva ao resultado preferível.
Esse processo, mesmo simples, contém dois elementos fundamentais: premissas factuais e premissas de valor.
Exemplo:
Se A1, então R1.
Se A2, então R2.
Se R1 é maior ou melhor que R2, então A1 é a ação recomendada.
Elementos de Escolha
Com a informação anterior, o analista pode recomendar a ação A1. O relatório traduziria o seguinte raciocínio:
"A primeira alternativa leva ao resultado R1, enquanto a segunda leva ao resultado R2. R1 é melhor ou mais benéfico que R2. Portanto, a ação A1 deve ser tomada."
Esse raciocínio, mesmo em uma escolha simples, envolve premissas factuais e premissas de valor. Todas as escolhas políticas, independentemente da complexidade, envolvem esses dois tipos de premissas.
Na prática, essa situação de escolha simples raramente ocorre em problemas sociais complexos, pois sua validade depende de:
- Existência de um único decisor (quando há múltiplos decisores, podem surgir conflitos entre as premissas).
- Certeza em relação aos resultados (raro, pois as pessoas afetadas podem ter percepções diferentes e os resultados são influenciados por fatores incontroláveis).
- Consequências imediatas (raro, o que pode levar à alteração das premissas ao longo do tempo).
Modelo de Escolhas Complexas
Em princípio, qualquer situação de escolha pode fundamentar uma recomendação. No entanto, a maioria das situações envolve múltiplos stakeholders, incerteza e mudanças ao longo do tempo. Portanto, não existe uma única base "racional" para a recomendação, mas sim múltiplas bases racionais, que incluem:
- Racionalidade técnica: Comparação entre alternativas com base na capacidade de promover soluções efetivas para problemas públicos (exemplo: energia solar versus energia nuclear).
- Racionalidade econômica: Comparação entre alternativas com base na capacidade de promover soluções eficientes para problemas públicos.
- Racionalidade legal: Comparação entre alternativas com base na sua conformidade com o regime jurídico existente (Constituição, leis trabalhistas, etc.).
- Racionalidade social: Comparação entre alternativas com base na sua capacidade de manter ou melhorar instituições sociais valorizadas.