Análise Temática: Fernando Pessoa Ortónimo
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Resumo Temático: Fernando Pessoa (Ortónimo)
Contexto Histórico
Nascimento: 1888
Viveu em Portugal durante períodos marcantes:
- O ultimato inglês (1890)
- 1.ª Guerra Mundial (1914)
- Ditadura Militar (1926–1933)
Fernando Pessoa, enquanto ortónimo, explora temas ligados à consciência, ao pensamento e ao confronto entre o que se vive e o que se recorda. A sua poesia revela um sujeito dividido entre o desejo de regressar à simplicidade da infância e a dor provocada pela consciência adulta.
1. Nostalgia da Infância
Pessoa vê a infância como um período feliz, marcado pela inconsciência e ausência de preocupações. Na idade adulta, a consciência torna-se fonte de sofrimento.
Ao recordar a infância, procura reencontrar esse estado de felicidade, mas percebe que ela é irrepetível: só pode ser recriada na memória.
Assim, vive entre dois mundos:
- o passado idealizado, onde foi feliz sem saber;
- e o presente consciente, onde já não consegue sentir da mesma forma.
Esta distância entre passado e presente gera uma saudade permanente e uma sensação de perda.
2. Sonho e Realidade
Pessoa refugia-se no sonho como forma de escapar à dureza da realidade. O sonho é para ele um espaço mais confortável e verdadeiro do que o mundo real. Ao sonhar, experimenta uma felicidade que não encontra no quotidiano.
Há um conflito constante entre:
- a imaginação (onde se aproxima do que deseja);
- e a realidade fatal (que lhe lembra a impossibilidade de alcançar o que sonha).
O sonho funciona, portanto, como evasão, mas nunca como solução definitiva.
3. Fingimento Artístico
Para Pessoa, “o poeta é um fingidor”. Isto significa que, quando escreve, não está a sentir o que descreve naquele momento, mas sim a recordar sentimentos antigos. O processo poético transforma o sentimento vivido em sentimento racionalizado, que depois é reescrito artisticamente.
Há três níveis de “dor”:
- Dor sentida — a dor real, vivida no passado;
- Dor fingida — a dor que o poeta recria através da escrita;
- Dor lida — a dor que o leitor sente, acreditando que é verdadeira.
No poema Autopsicografia, isto fica evidente: o poeta não sente a dor enquanto escreve, mas sim lembra-se dela; já o leitor sente uma dor que é, na verdade, ficcional.
4. Dor de Pensar
O maior tormento do sujeito pessoano é a “dor de pensar”. Ele racionaliza tanto os seus sentimentos que não consegue senti-los de forma autêntica. A consciência transforma-se em fonte de sofrimento: quanto mais pensa, mais sofre.
Deseja recuperar a inconsciência da infância, mas sabe que é impossível voltar a ela.
No poema Gato que brincas na rua, o gato simboliza a forma de existir que Pessoa inveja: um ser que sente sem pensar. O poeta, porém, não pode deixar de ser humano — condenado à consciência e, por isso, à dor.