Análise das Transformações Globais: 4ª RI, Europa e Desafios

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A Quarta Revolução Industrial (4ª RI) e Seus Impactos

Nanotecnologia, biotecnologia e robótica são algumas das ciências novas que estão a revolucionar a nossa sociedade e a maneira como vemos o mundo. Para o cidadão comum, são quase como ciências ocultas, mas, ocultas ou não, são elas que estão a iniciar a 4ª RI. Esta revolução não é igual às outras pelo facto de não ser definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si, mas sim pela transição em direção a novos sistemas construídos sobre a infraestrutura da Revolução Tecnológica (3ª RI).

A pergunta que se coloca é: porque é que o que está a acontecer não é uma extensão da 3ª RI, mas sim a 4ª RI? Ora, é a 4ª RI devido a 3 variáveis: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. A velocidade dos avanços tecnológicos não tem precedentes na História. Com este ritmo exponencial, a 4ª mudança traz consigo o conceito de automatização industrial (ligado à robótica) graças aos sistemas ciberfísicos (sistemas capazes de tomar decisões descentralizadas).

Com toda esta capacidade de automatização industrial, especialistas apontam para que, nos próximos 15 anos, haja um agregar de 15,2 biliões de dólares na economia mundial. Uma das consequências imediatas desta automatização é a extinção de cerca de 5 milhões de vagas de trabalho nos 15 países mais industrializados. Por isto, pode-se prever que haverá uma maior desigualdade social em termos de indivíduos com qualificações altas e baixas, o que pode levar a um novo tipo de classe social proletariada. Também podemos pensar que, como o nível de capacitação tecnológica no mundo é desigual, a desigualdade na distribuição de riqueza será ainda mais acentuada. A tecnologia também provocará, decerto, vários dilemas, não só na segurança geopolítica, como também na segurança cibernética.

Concluindo, podemos aferir que, para a 4ª RI conseguir entregar o que promete, será necessário um verdadeiro grau de abertura, que está em risco com as medidas protecionistas, especialmente com barreiras não tarifárias do comércio mundial que foram aumentadas depois da crise de 2007.

O Desafio da Europa no Contexto Global

Tal como o secretário-geral da OCDE disse, o mundo está a mudar, e o mundo em torno da Europa coloca cada vez mais desafios. É neste momento conturbado na Europa — onde se fala de protecionismo, dumping social, ascensão de extrema-direita e nacionalismo — que a Europa tem de se reinventar, pois, e agora juntando o processo do Brexit, só uma Europa unida, forte, democrática e íntegra é que terá a chance de singrar.

Com isto em mente, podemos considerar o impasse de formação do governo alemão um excelente marco para começarmos a trabalhar nesta perspetiva. Angela Merkel (líder da CDU) e Martin Schulz (líder do SPD) estão a tentar formar governo (e tudo leva a crer que será formado), e este mesmo governo poderá servir como uma lufada de ar fresco para os europeístas. Um governo que já veio defender a colocação do poder económico e político alemão ao serviço da Europa, através de reformas da Zona Euro e o aumento de recursos financeiros para a integração europeia (este sim, o objetivo máximo para uma Europa mais forte).

Em suma, uma Europa isolada e rodeada pelo protecionismo não tem hipótese de manter a união. Só teremos uma Europa vencedora se tivermos presente o Liberalismo Democrático, multilateral, que defenda o comércio livre regulado e, acima de tudo, seja cosmopolita e não multiculturalista em relação à questão dos refugiados, por exemplo.

Características dos Países em Desenvolvimento

Os países em desenvolvimento sofrem de várias características que os tornam menos capazes em comparação com os desenvolvidos. São estas:

  • Explosão Demográfica: As elevadas taxas de natalidade e as baixas de mortalidade (conseguidas através das ONG’s) levam a que a população aumente a um ritmo maior do que o da produção nacional.
  • Escassez de Capital: Sendo esta uma das principais barreiras que não se consegue ultrapassar sem investimento, leva a um défice de infraestruturas básicas (saneamento, hospitais, escolas…), o que resulta numa baixa capacidade produtiva e, consequentemente, na não criação de emprego.
  • Impreparação da Mão de Obra: Como não há escolas, os indivíduos não conseguem aprender técnicas modernas nem sequer a alfabetizar-se, o que se traduz consequentemente em baixa produtividade do trabalho.
  • Estrutura Económica Deformada: Resultante dos processos de colonização, orienta a economia para a monoprodução, a monoexportação e o monomercado. Estes países apresentam uma economia rural tradicional, acompanhada por uma sociedade moderna com agricultura mecanizada, exportadora e suportada por grandes empresas estrangeiras (Dualismo Económico).
  • Dependência Estrutural: Coloca o país à mercê do exterior. Esta dependência manifesta-se nos aspetos comerciais, tecnológicos, políticos, sociais, culturais e financeiros.

A Globalização Financeira

A globalização financeira pode ser definida como um processo de interligação dos mercados de capitais aos níveis nacionais e internacionais, conduzindo ao aparecimento de um mercado unificado do dinheiro à escala planetária. Historicamente, o processo de liberalização patrocinado pelo FMI nos anos 90, aliado ao desenvolvimento exponencial das NTIC (novas tecnologias de informação e comunicação) e à desregulamentação económica (que provocou a eliminação progressiva de todos os obstáculos à concorrência), levaram ao culminar da globalização financeira. Esta globalização está bem presente no nosso quotidiano, seja através dos cartões de crédito (que podem ser utilizados em todo o mundo) ou pelo facto de um indivíduo poder, a qualquer momento, comprar uma ação de determinada empresa em qualquer bolsa do mundo.

Extrema Direita e a Crise da Modernidade

Se pensarmos nas três importantes tradições políticas no Ocidente — o liberalismo, o conservadorismo e o socialismo — todas elas possuem versões que se encaixam dentro da lógica democrática moderna. As variações extremistas dessas tradições tendem a afastar-se das regras democráticas que conhecemos.

No caso da extrema direita, na forma como é usada no vocabulário político atual, podemos entendê-la como uma versão extremada do conservadorismo, que pode ser mais bem classificada como reacionária. Os grupos que aderem a essa perspetiva demonstram um desconforto extremo com a modernidade. Dessa forma, buscam mobilizar o aparato estatal como forma de reação, visando retornar a um passado nostálgico, pelo uso da força, se necessário. Apesar de haver variações, um aspeto comum que distingue os movimentos de extrema direita é uma combinação de autoritarismo com o que podemos chamar de nativismo, ou seja, a ideia de que os interesses dos habitantes nativos de um determinado país devem sobrepor-se aos interesses de imigrantes, por exemplo, que são vistos como uma ameaça não apenas económica, mas também cultural. Tanto o autoritarismo como o nativismo são incompatíveis com a democracia moderna, razão pela qual a extrema direita acaba por se afastar dessa órbita política.

Existem três razões principais para a ascensão da extrema direita:

  1. Razão Económica: Derivada das transformações na estrutura económica dos países desenvolvidos que têm feito desaparecer os empregos que exigem menor grau de instrução. Isso tem aprofundado a distância não apenas económica, mas espacial e cultural entre o topo e a base da pirâmide social nesses países.
  2. Razão Demográfica (a mais importante): O processo de transição demográfica em países desenvolvidos, derivado da baixa taxa de natalidade combinada com altos índices de imigração. Nesse processo, “maiorias” vão gradualmente tornando-se “minorias”, o que gera um sentimento de deslocamento económico-social e de perda de laços identitários, abrindo espaço para forças políticas que articulam uma narrativa nativista, construindo o estrangeiro como inimigo.
  3. Ascensão das Redes Sociais: Novas formas de consumo e de produção de informação permitiram a difusão de ideias que de outra forma seriam bloqueadas pelos canais de comunicação tradicionais.

(Nota: Referências a “passado-falar da rda e fra”, “reconstrução europeia e japonesa no pos guerra (plano marshall)”, “integração regional e mundial (cooperação ceca e cee)cenas pautas” e “tentativa de liberalização das trocas a nivel mundial (gatt e omc)--combater protecionismo” e “3ri---desenvolvimento tecn---ntic” parecem ser notas de tópicos e não fazem parte do corpo textual a ser corrigido.)

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