Andrea e Ena: modelos femininos em Carmen Martín Gaite

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Andrea e Ena: análise dos modelos femininos

7. Quais aspectos do comportamento de Andrea a tornam um tipo raro?

Pergunta: Que aspectos do seu comportamento Andrea é o tipo de garota raramente descrito por Carmen Martín Gaite?

Resposta: Andrea é uma garota que se opõe aos modelos femininos característicos da ficção romântica e às expectativas tradicionais que muitas mulheres espanholas enfrentavam ao longo da vida. É livre, independente e quer escolher a sua futura carreira e a sua vida sentimental. Apresenta-se como uma mulher com atitudes feministas.

8. O personagem Román: por que atrai as mulheres?

Pergunta: Um dos personagens mais complexos do romance é Román. Como você explica seu apelo entre as mulheres? Como você avalia isso?

Resposta: O apelo de Román baseia-se numa aura de mistério que o rodeia. É uma espécie de Don Juan boémio e artista incompreendido e aventureiro. Essa mistura torna-o atraente para as mulheres porque afasta-se do modelo convencional de homem da época — não era religioso nem formal —, apresentando uma liberdade e enigma que muitas personagens femininas (e leitoras) acham sedutores.

9. Rebeldia dos jovens: comparar Andrea e Ena

Pergunta: Quase todos os jovens personagens do romance apresentam um certo grau de rebeldia em relação às gerações de adultos. Compare a rebelião de Andrea com a de Ena e com a dos seus pais.

Resposta: Andrea rebela-se contra a sua tia Dores porque quer mais liberdade e não aceita submeter-se ao modelo de garota submissa, que apenas aspira a ser uma boa mãe e esposa. Quanto a Ena, tem mais liberdade do que Andrea, mas sente-se distante dos seus pais por uma questão de idade e porque os seus pais representam o modelo burguês típico da época; Ena, como adolescente, aspira a uma vida que não seja tão monótona como a de seus pais.

10. A conversa entre Andrea e a mãe de Ena

Pergunta: A conversa entre Andrea e a mãe de Ena é crucial. Qual é o modelo feminino adotado pela mãe de Ena? Qual é a reação de Andrea a essas concessões?

Resposta: A mãe de Ena optou por dedicar todo o seu carinho aos filhos. Renunciou à sua profissão em favor do amor romântico, vendo o marido principalmente como o pai dos seus filhos. É uma mulher, como tantas da sua idade, que se conforma com o destino social que lhe foi imposto e tenta, com os meios que tem, alcançar a felicidade — embora se possa pensar que nunca será plenamente feliz. Essa opção radical de maternidade impressiona Andrea, que acaba por assumir essa compreensão como sua, como é mostrado na página 223 (passagem referida: "Meus pensamentos...").

11. A família Ena e o setor social representado

Pergunta: A família Ena é representativa de um setor social? Quais setores sociais são representados?

Resposta: A família Ena representa a burguesia. Andrea também é representativa de um setor social, porém, ao contrário dos pais de Ena, vive uma vida boémia e não se preocupa tanto com os problemas sociais da época. Assim, o romance contrapõe o modelo burguês convencional e um modo de vida mais livre e artístico.

12. Três modelos femininos no romance

Pergunta: No romance, as mulheres correspondem a três modelos diferentes. Descreva-os brevemente e indique as contradições que cada um encarna.

Resposta: Podemos identificar três modelos femininos principais no romance. Abaixo, uma descrição breve e as contradições associadas:

  • Mulher devota tradicional: Angústia e a avó. Contradições: vive a religiosidade e o dever, enfrenta ansiedades relativas a desejos amorosos que contrariam a moral tradicional.
  • Mulher liberada: Gloria. Contradições: é liberal nas atitudes e expectativas, mas pode estar sujeita a abusos e desilusões amorosas — situações que a sua condição de «mulher liberada» não previa totalmente.
  • Mulher burguesa moderna: Ena e sua mãe. Contradições: procuram estabilidade e posição social, mas aspiram ao amor romântico idealizado (Ena ou sua mãe sonham com um amor que escape à monotonia), e ao mesmo tempo hesitam em romper com o conforto e as convenções burguesas.

13. Narrativa em primeira pessoa e episódio narrado a duas vozes

Pergunta: O uso da narrativa em primeira pessoa faz com que o romance seja contado do ponto de vista da protagonista. Mas há um episódio contado a partir de dois pontos de vista. Indique que evento é esse e o que cada ponto de vista aporta.

Resposta: O episódio em questão é o do bairro Xino, narrado a duas vozes. Pertence às vozes de Andrea (pp. 166–169) e de Gloria (pp. 229–231). Cada ponto de vista mostra nuances diferentes do mesmo evento: a perspetiva de Andrea aporta uma experiência íntima e subjetiva, enquanto a de Gloria oferece outro enquadramento emocional e interpretativo — enriquecendo a compreensão do episódio.

14. Presença de palavras em catalão no texto

Pergunta: No texto aparecem algumas palavras em catalão; localize-as e classifique-as entre as que pertencem ao narrador e as que aparecem nos diálogos dos personagens.

Resposta: Algumas palavras usadas pelo narrador: camalics (p. 14, p. 15), mosaic (p. 124), drapaire (p. 227). Algumas usadas por personagens nos diálogos: poblete (p. 169), noi (p. 179), nen (p. 231).

Essa presença de termos regionais confere maior realismo à obra, pois reflete como as pessoas realmente falavam naquela época.

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