Anestésicos Locais e Opióides: Mecanismo, Efeitos e Aplicações

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Anestésicos Locais

Mecanismo de Ação

Os anestésicos locais impedem a condução do impulso nervoso ligando-se aos canais de sódio. Essa ligação ocorre nos seis segmentos do canal, levando ao seu fechamento. Como resultado, a entrada de sódio é bloqueada, prolongando a despolarização celular e inibindo a propagação do sinal nervoso.

Importância da Lipossolubilidade

A lipossolubilidade é crucial para a eficácia dos anestésicos locais. Como os canais de sódio estão localizados no meio intracelular, o fármaco precisa atravessar a membrana plasmática, que é lipídica, para alcançá-los. Anestésicos locais com alta lipossolubilidade são mais potentes e têm maior duração de efeito.

Comportamento em Tecido Inflamado

A eficácia dos anestésicos locais é afetada pelo pH do tecido. Em tecidos inflamados, o pH se torna mais ácido devido à presença de mediadores inflamatórios e células de defesa. Os anestésicos locais, sendo bases fracas, tornam-se mais ionizados em meios ácidos. Essa ionização aumenta a hidrossolubilidade e dificulta a passagem pela membrana plasmática, reduzindo a eficácia do anestésico.

Uso de Vasoconstritores

Em áreas com alta irrigação sanguínea, os anestésicos locais são rapidamente absorvidos pela corrente sanguínea, diminuindo sua duração de ação. Nesses casos, vasoconstritores, como a adrenalina, são administrados em conjunto para reduzir o fluxo sanguíneo local, prolongando o tempo de contato do anestésico com o tecido nervoso.

Efeitos Adversos

  • SNC: tremores, inquietação, depressão, agitação, cefaleia, depressão respiratória.
  • Cardiovascular: bradicardia e vasodilatação.

Preferência por Anestésicos Locais com Ligações Amidas

Anestésicos locais com ligações amidas são preferidos por serem mais lipossolúveis e, portanto, mais eficazes. Além disso, não produzem o metabólito PABA (ácido para-aminobenzóico), responsável por muitos efeitos adversos observados em anestésicos locais com ligações ésteres.

Opióides

Diferenças entre Fibras C e A-delta

  • Fibras C: amielínicas, menor velocidade de condução, mais finas, transmitem dor lenta e crônica.
  • Fibras A-delta: mielínicas, maior velocidade de condução, mais espessas, transmitem dor aguda.

Teoria do Portão da Dor

A teoria do portão da dor descreve a interação entre neurônios nociceptivos e interneurônios inibitórios na substância gelatinosa do corno dorsal da medula espinhal. Quando o "portão" está aberto, a informação da dor é transmitida para o cérebro. O fechamento do "portão", por meio da estimulação de interneurônios inibitórios, bloqueia a transmissão da dor. A inibição desses interneurônios, por sua vez, abre o "portão", permitindo a passagem do estímulo doloroso.

Áreas Importantes para Analgesia Supramedular

As áreas importantes para a analgesia supramedular incluem a área cinzenta periaquedutal, a formação reticular e o núcleo magno da rafe.

Ação dos Opióides Pré e Pós-Sináptica

  • Pré-sináptica: Os opióides agem nos receptores µ, κ e δ, reduzindo o influxo de cálcio e inibindo a liberação de neurotransmissores nociceptivos.
  • Pós-sináptica: Os opióides aumentam a condutância de potássio, hiperpolarizando a membrana pós-sináptica e dificultando a geração de potenciais de ação, inibindo a transmissão do sinal doloroso.

Principais Efeitos do Receptor µ

Os principais efeitos da ativação do receptor µ incluem analgesia espinhal e supraespinhal, sedação, euforia, depressão da tosse, miose, náusea e depressão respiratória.

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