Antropologia da Alimentação: Cultura, Saúde e Identidade

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Antropologia: ciência da humanidade

Antropologia = Ciência da humanidade: anthropos (homem); -logia (estudo). A antropologia pode ser concebida como:

  • Ciência social: visão do homem como elemento integrante de grupos organizados.
  • Humana: visão do homem como um todo.
  • Natural: estudo do homem no conhecimento psicossomático e sua evolução.

Antropologia geral

Antropologia geral: Biológicas ou física (evolução) VS culturais (involução). Simbolismo da alimentação: comidas sagradas, tabus religiosos relacionados à alimentação, comidas e cultura popular, mitos e costumes.

Alimentação e processos sociais

Alimentação e processos de interação social: hábitos alimentares e classes sociais; dieta e modus vivendi; transformações da alimentação na modernidade; alimentação e etnicidade.

Alimentação e saúde

Alimentação e saúde física: dieta e exercícios, engenharia nutricional, transgênicos e seu impacto na alimentação. Estudo do homem: conhecer cientificamente o ser humano em sua totalidade.

O que é cultura?

A cultura pode ser entendida como um sistema simbólico, ou seja, um conjunto de mecanismos de controle: planos, receitas, regras e instruções que governam o comportamento humano. Esses símbolos e significados são partilhados entre os membros do sistema cultural e assumem caráter público/coletivo e, portanto, não individual ou privado. Assim, nossos hábitos alimentares fazem parte de um sistema cultural repleto de símbolos e significados coletivamente partilhados e que podem ser analisados como um sistema de comunicação no sentido de que comunicam sobre a sociedade que pretendemos analisar.

Etnografia e etnologia

Etnografia: estudo ou ciência do povo; descrição das sociedades humanas; investigação dos problemas teóricos que brotam das análises dos costumes humanos.

Etnologia: estudo dos dados coletados pelos etnógrafos; análise, interpretação e comparação entre as variadas culturas existentes, considerando suas semelhanças e diferenças — ou seja: homem (indivíduo) VS meio ambiente (cultura).

Aspectos culturais da alimentação

Aspectos culturais da alimentação: é a cultura que transforma o alimento em comida. O alimento é algo universal e geral, mas a comida é algo que define um domínio e põe as coisas em foco. O papel da cultura na alimentação remete à formação do gosto: a cultura afeta a maneira como concebemos e classificamos as qualidades dos gostos e como se formam as preferências pelos sabores.

Embora o gosto remeta, a princípio, apenas ao fisiológico, vê‑se que ele está ligado a sutilezas da cultura e das estruturas sociais.

A antropologia e a comida

A antropologia e a comida: o universo da comida permite pensar o mundo social e cultural, a técnica, o preparo e o mundo sensível. Pensemos: qualquer refeição mais bem preparada (caprichada) remete à união entre o olhar, o cheiro e o gosto. Em outras palavras, a comida, com suas possibilidades simbólicas, permite realizar uma importante mediação entre a cabeça e a barriga.

História: antropologia e comida

História — a antropologia e a comida: desde seu início a antropologia mostrou grande interesse pela comida e pelo ato de comer. Como ciência que estuda o outro, a antropologia, dentre outras coisas, se pergunta: o que, onde, como e com que frequência comemos e como nos sentimos em relação à comida. Trata‑se da questão do estranhamento.

Exemplo etnográfico

Exemplo etnográfico: desde o início do século XX a antropologia se ocupa da comida e dos papéis que ela desempenha na organização da vida social.

Alimento e comida

Alimento e comida: alimento como algo natural, universal; comida como algo social que ajuda a definir uma identidade e, por isso, um grupo, uma classe, uma pessoa.

Comida como ato social

Comida como um ato social: feijoada (consumo em todo o Brasil); acarajé (baianos); rapadura (pernambucanos); churrasco (gaúcho). A comida não é apenas uma substância alimentar, mas também um modo, um estilo e um jeito de alimentar‑se.

Cru e cozido: categorias simbólicas

Cru e cozido — alimento e comida: dois processos naturais que remetem não somente aos estados dos alimentos, mas são modalidades de pensamento pelas quais se pode falar da cultura e da sociedade. Num plano mais filosófico e universal, o cru se ligaria a um estado de natureza, ao passo que o cozido se relaciona ao universo socialmente elaborado, que toda sociedade humana define como sendo o de sua cultura e ideologia. Em outras palavras, o cozido é algo social por definição — pensar a questão do cozido como prato brasileiro por excelência.

Comida como identidade

Comida como identidade: como as comidas são associadas a povos e grupos. Lidamos frequentemente com questões relativas à identidade. Certas comidas são consideradas marcadores étnicos: macarrão, croissant, bagels, pizza, etc. Por outro lado, com o processo de globalização e sua influência nos hábitos ou padrões alimentares, algumas dessas mesmas comidas tornam‑se etnicamente neutras. As práticas alimentares são construídas socialmente e por identidade cultural de uma sociedade.

Transformações vs. permanência dos hábitos

Transformações vs. permanência dos hábitos: refere‑se às influências da globalização (McDonald’s, fast food), à industrialização (miojo, Hellmann’s), ao estilo de vida, às normas e regras.

Alimentação na atualidade (paradoxo alimentar)

Alimentação na atualidade (paradoxo alimentar): significa risco alimentar — excesso ou carência no consumo de alimentos — e falta de acesso a alimentos que previnam doenças. Escassez e desperdício. Segurança alimentar e direito ao alimento: é fazer chegar o alimento que nutre as pessoas. Alimentos transgênicos: industrialização e transformação dos alimentos.

Educação em saúde

Educação em saúde: é uma prática que se dá ao nível das relações sociais normalmente estabelecidas entre os profissionais de saúde e, com instituição e sobretudo com o usuário, no desenvolvimento cotidiano e de suas atividades. São processos de diálogo, reflexão, questionamento e ação partilhada que propõem como objetivo principal tornar as pessoas capazes de pensar criticamente e, em outras palavras, resolver seus problemas.

Educação nutricional

Educação nutricional: estratégia de ação no campo da educação em saúde que orienta o processo pelo qual os indivíduos passarão para adotar comportamentos desejáveis em nutrição e estilo de vida. O resultado desse processo é a mudança de comportamento e a melhoria do conhecimento sobre a nutrição. A educação alimentar visa a melhoria da saúde por meio de:

  • promoção de hábitos alimentares adequados;
  • eliminação de práticas dietéticas inadequadas;
  • introdução de melhores práticas de higiene;
  • conscientização da população sobre sua necessidade e direito à alimentação saudável.

Trecho duplicado — versão 1 (corrigida)

Embora o gosto remeta, a princípio, apenas ao fisiológico, vê‑se que ele está ligado a sutilezas da cultura e das estruturas sociais. A antropologia e a comida: o universo da comida permite pensar o mundo social e cultural, a técnica, o preparo e o mundo sensível. Pensemos: qualquer refeição mais bem preparada (caprichada) remete à união entre o olhar, o cheiro e o gosto. Em outras palavras, a comida, com suas possibilidades simbólicas, permite realizar uma importante mediação entre a cabeça e a barriga.

História — a antropologia e a comida: desde seu início a antropologia mostrou grande interesse pela comida e pelo ato de comer. Como ciência que estuda o outro, a antropologia, dentre outras coisas, se pergunta: o que, onde, como e com que frequência comemos e como nos sentimos em relação à comida. Trata‑se da questão do estranhamento. Exemplo etnográfico: desde o início do século XX a antropologia se ocupa da comida e dos papéis que ela desempenha na organização da vida social.

Alimento e comida: alimento como algo natural, universal; comida como algo social que ajuda a definir identidade — grupo, classe, pessoa. Exemplo — comida como um ato social: feijoada (todo o Brasil consome feijoada); acarajé (baianos); rapadura (pernambucanos); churrasco (gaúcho). A comida não é apenas uma substância alimentar, mas também um modo, um estilo e um jeito de alimentar‑se.

Cru e cozido — alimento e comida: dois processos naturais que remetem não somente aos estados dos alimentos, mas são modalidades de pensamento pelas quais se pode falar da cultura e da sociedade. Num plano mais filosófico e universal, o cru se ligaria a um estado de natureza, ao passo que o cozido se relaciona ao universo socialmente elaborado, que toda sociedade humana define como sendo o de sua cultura e ideologia. Em outras palavras, o cozido é algo social por definição — pensar a questão do cozido como prato brasileiro por excelência.

Comida como identidade: como as comidas são associadas a povos, grupos, etc. Lidamos frequentemente com questões relativas à identidade. Certas comidas são consideradas marcadores étnicos: macarrão, croissant, bagels, pizza, etc. Por outro lado, com o processo de globalização e sua influência nos hábitos ou padrões alimentares, algumas dessas mesmas comidas tornam‑se etnicamente neutras. As práticas alimentares são construídas socialmente e por identidade cultural de uma sociedade.

Trecho duplicado — versão 2 (corrigida)

As práticas alimentares são construídas socialmente e, segundo sociólogos e antropólogos, refletem a identidade cultural de uma sociedade. Transformações vs. permanência dos hábitos: refere‑se às influências da globalização (McDonald’s, fast food), à industrialização (miojo, Hellmann’s), ao estilo de vida, às normas e regras.

Alimentação na atualidade (paradoxo alimentar): significa risco alimentar, excesso ou carência no consumo de alimentos e falta de alimentos que previnam doenças. Escassez e desperdício. Segurança alimentar e direito ao alimento: é fazer chegar o alimento que nutre as pessoas. Alimentos transgênicos: industrialização de alimentos.

Educação em saúde: é uma prática que se dá ao nível das relações sociais normalmente estabelecidas entre profissionais de saúde. Com instituições e, sobretudo, com o usuário no desenvolvimento cotidiano e em suas atividades, que são: processo de diálogo, reflexão, questionamento e ação partilhada. O objetivo principal é tornar as pessoas capazes de pensar e ter consciência crítica — em outras palavras, resolver seus problemas.

Educação nutricional: estratégia de ação no campo da educação em saúde que orienta o processo pelo qual os indivíduos irão se comportar com foco na nutrição e no estilo de vida. O resultado desse processo é a mudança de comportamento e a melhora do conhecimento sobre nutrição. A educação alimentar visa a melhoria da saúde pela: promoção de hábitos alimentares adequados, eliminação de práticas dietéticas inadequadas, introdução de melhores práticas de higiene e conscientização da população sobre sua necessidade e direito à alimentação saudável.

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