Antropologia do Espaço: Fundamentos e Perspectivas
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A Antropologia do Espaço estuda o modo como as realidades sociais se refletem no espaço, realizando um inventário de como o espaço físico emerge no patrimônio das ciências sociais.
Não há ciência social sem ruptura, inovação e fundamentação, nem sem a capacidade de traduzir conceitos em indicadores.
Condições Epistemológicas e Sociais
- Relação social;
- Ruptura;
- Construção;
- Verificação;
- Relativização;
- Relacionação.
Focos das Disciplinas Sociais
Cada disciplina social baseia seus estudos em aspectos distintos:
- Consensuais – Conflituais;
- Indivíduos – Massas;
- Macro – Micro;
- Organicistas – Estruturais.
- Economia: Primeira ciência social a autonomizar-se.
- Sociologia: Procura de razões sociais para os fenômenos sociais.
- Geografia: Mais recente ciência social.
Evolução Histórica do Pensamento Social
- Idade Média: Pensamento marcadamente religioso.
- A partir do século XIV: Pensamento mais direcionado em torno do Homem; o Homem adquire cada vez mais uma maior noção de si mesmo.
- Revolução Francesa (século XVIII): Grande revolução do pensamento – “nenhum poder é superior ao poder que um homem pode ter sobre outro”; fim da ideia do pensamento divino.
- Revolução Industrial (século XIX): Caráter profundamente transformador a nível social e econômico (migração em massa para as cidades – palco das construções fabris); processo muito intenso e massivo que gera muitos conflitos sociais. Extremamente transformadora e disruptiva dos quadros sociais.
É fundamental perceber sempre o modo como a cidade se produz e reproduz. O Naturalismo explica os processos sociais por força da natureza das coisas.
Karl Marx: Perspectiva Materialista e Urbana
Marx foi o primeiro pensador a nível da relação dimensional dos fenômenos sociais, começando por se interessar pelo fenômeno religioso.
Sua perspectiva materialista da realidade propõe que o plano de discussão deixe de ser abstrato e passe a ser o mais próximo possível da realidade. As transformações sociais têm sempre uma razão de ser.
Destaca a importância do econômico na especificidade do social e na determinação da sociedade; a economia determina as outras dimensões – se conhecermos a história econômica, conhecemos a história das relações sociais e das lutas de classes e, por isso, conhecemos toda a história da humanidade.
A tese materialista defende que quem controla os meios de produção de uma determinada organização social tem o poder e controla a humanidade. Aquilo que o indivíduo é em termos de relações sociais é determinado pelas suas relações de produção. Em função do lugar ocupado nos modos de produção e da classe social, resulta um conjunto de valores e expectativas. Marx acentua a importância do capitalismo na apropriação do sobretrabalho e no consequente desenvolvimento da sociedade.
O modo de produção (superestrutura) é influenciado pelo processo de produção (infraestrutura econômica ou relações de produção).
Do ponto de vista urbano, a divisão do trabalho permite ler o modo como funcionam e se organizam as cidades. À medida que se aperfeiçoam as divisões do trabalho, aperfeiçoam-se também as relações com o espaço, levando à autonomização das cidades. Isso se opõe ao modo de produção antigo, em que os campos determinavam a sobrevivência das cidades.
Na Idade Média, sob o modo de produção feudal, o senhor era o dono da propriedade e do significado dessa propriedade (economia de trocas simbólicas). O desenvolvimento da manufatura levou a novas divisões de trabalho e, consequentemente, ao enfraquecimento do sistema feudal e à afirmação, nas cidades, de um grupo distinto: a burguesia (de burgo = dentro de muralhas). O poder centralizou-se nas cidades, ocorrendo a passagem do poder do campo para a cidade. A burguesia tornou-se a classe determinante, promovendo o mercado e defendendo a cidade militar e institucionalmente. “O ar da cidade liberta” – a cidade oferecia ao indivíduo a possibilidade de se libertar do senhor feudal e de prosperar pelo comércio, resultando no êxodo rural. Esse capitalismo burguês é superado pelo movimento de pauperização do proletariado, gerando duas classes distintas: burguesia rica e proletariado pobre. Marx entende as relações sociais a partir de um quadro realista profundamente conflitual.
Émile Durkheim: Socialização e Solidariedade
Fundador da sociologia, Durkheim afirma que a realidade social é mais do que o conjunto das ações individuais; é a relação entre elas. Opõe-se ao marxismo (embora influenciado por ele) e aos epicuristas. Afirma que o fator religioso é um fenômeno social chave para a compreensão da humanidade, estudando a religião dos aborígenes para perceber como as sociedades organizam o espaço.
Durkheim defende um ponto de vista consensual e holístico, buscando a explicação do social pelo social. Sua teoria sobre a socialização foca em dois pontos:
- O fato de o indivíduo nascer da socialização (integração);
- A regulação feita por indivíduos que compõem grupos.
A sociedade pode ser compreendida através dos modos de solidariedade:
- Solidariedade Mecânica: A divisão do trabalho e a consciência coletiva são pouco diferenciadas.
- Sociedade Orgânica: Há uma acentuação da divisão do trabalho e formas de consciência variadas, permitindo a individualização.
Tipos de Suicídio segundo Durkheim:
- Suicídio Egoísta: Decorre de razões próprias e relaciona-se com um déficit de socialização.
- Suicídio Altruísta: Praticado para salvar outrem (ex: guerra).
- Suicídio Anômico: Decorre de situações socialmente desestruturantes ou mudanças radicais de vida.
- Suicídio Fatalista.