Áreas Livres Públicas de Lazer: Tipos e Importância
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Espaços livres públicos
Os espaços livres públicos, de acordo com Macedo (1995), são todos os espaços não edificados, ou seja: ruas, pátios, largos, praças, parques, entre outros.
“Os espaços livres relacionados com as áreas verdes urbanas desempenham um importante papel na cidade. A manutenção dos espaços existentes e a criação de novos espaços possibilitam a conservação de valores da comunidade.” (Macedo, C., 2003)
Considerações sobre áreas de lazer
Criar espaços de lazer significa contribuir para as relações sociais, melhorar as condições climáticas locais e valorizar a paisagem.
Classificação das áreas de lazer
- Lazer ativo: quando as atividades requerem movimento e esforço físico, como andar, correr, caminhar, praticar esportes, brincar, etc.
- Lazer passivo: quando as atividades não demandam movimento, tornando o indivíduo espectador da ação, como conversar, descansar, apreciar a paisagem, refletir, lanchar, esperar, etc.
Funções do lazer (Dumazedier, 1976)
- Descanso: atividades que permitem ao indivíduo restabelecer-se do cansaço físico ou mental advindo das obrigações laborais.
- Recreação: divertimento e entretenimento; atividades que buscam extinguir o tédio e a monotonia da rotina diária.
- Desenvolvimento pessoal: atividades que possibilitam interação social e aprendizagem, desde que voluntárias, visando o desenvolvimento da personalidade.
Classificação das atividades de lazer (Dumazedier, 1976)
As atividades de lazer podem ser agrupadas em cinco áreas de interesse:
- Interesses artísticos: atividades de conteúdo estético, ligadas ao belo, sentimento e emoção. Geralmente passivas, como assistir a peças teatrais ou ir ao cinema.
- Interesses intelectuais: atividades de conteúdo cognitivo que visam o desenvolvimento pessoal, pela busca de informação, conhecimento e/ou aprendizagem, como leitura e escrita.
- Interesses manuais: atividades desenvolvidas com as mãos, onde uma matéria-prima é transformada, como jardinagem, pintura, escultura, etc.
- Interesses físicos: atividades relacionadas a práticas esportivas e à exploração de novos lugares. Entre as mais comuns estão os passeios e as caminhadas.
- Interesses sociais ou associativos: atividades relacionadas à interação entre pessoas e grupos, como reuniões de grupos, encontros religiosos, festas, etc.
Áreas livres públicas de lazer
O termo áreas livres públicas de lazer é usado para especificar todas as áreas urbanas delimitadas por edificações, com acesso irrestrito, que possibilitem a realização de quaisquer atividades de lazer.
Importância das áreas de lazer
- Crescimento da população urbana
- Uso do solo (especulação imobiliária)
- Poucas áreas para lazer
- Busca crescente por áreas de lazer para diminuição do estresse
Valores frente à cidade e aos cidadãos
- Valor visual ou paisagístico: representam referenciais nas cidades, contribuindo para a identidade dos locais.
- Valor recreativo: ao considerar as peculiaridades sociais, econômicas e culturais dos usuários, permitem melhor apropriação.
- Valor ambiental: contribuem para a qualidade ambiental urbana; por exemplo, a arborização atenua os efeitos das ilhas de calor, colabora na proteção do solo contra a erosão e protege os cursos de água.
Classificação das áreas livres públicas de lazer
Para analisar áreas livres públicas de lazer, é necessário conhecer suas denominações ou classificações. Embora todas se destinam às atividades de lazer da população, suas diferenciações são definidas a partir das funções das atividades de lazer, de sua implantação (em bairros, conjuntos residenciais, áreas litorâneas, etc.) ou conforme a história das regiões e países — isto é, a época e o local em que foram construídas, como os jardins ingleses e os parques nos Estados Unidos.
De forma geral, entre os espaços urbanos há cinco denominações de áreas livres públicas de lazer mais representativas:
- Praças
- Jardins
- Parques
- Ruas
- Calçadões
Praças
Desde o fim da Idade Média, a praça é um dos elementos principais da configuração urbana, tendo as edificações mais importantes da cidade implantadas ao seu redor.
Cunha (2002) afirma que a praça é um local de encontro onde podem ser realizadas atividades comunitárias e de lazer; portanto, se um espaço, seja qual for seu tamanho, atrai usuários para tais atividades, pode ser considerado praça.
Para Robba e Macedo (2003, p. 17): “Praças são espaços livres públicos urbanos destinados ao lazer e ao convívio da população, acessíveis aos cidadãos e livres de veículos.”
Funções urbanísticas das praças
- Ecológica: espaços onde, graças à presença da vegetação, do solo não impermeabilizado e de fauna mais diversificada, promovem melhorias no clima da cidade e na qualidade do ar, da água e do solo.
- Estética: locais que, pela qualidade estética do projeto, permitem diversidade da paisagem construída e o embelezamento da cidade.
- Educativa: praças que se oferecem como ambiente para desenvolvimento de atividades extra‑classe e programas de educação.
- Psicológica: espaços em que as pessoas, em contato com elementos naturais, relaxam, funcionando como ambientes antiestresse.
Jardins
Para Cunha (2002), os jardins podem ser públicos ou privados e, desde a antiguidade, faziam parte da composição das residências de nobres e dos palácios. A autora identifica o jardim como um terreno (frequentemente cercado) com função ornamental, passiva e/ou utilitária, onde há diversas vegetações, com predominância de flores e hortaliças.
Conforme Robba e Macedo (2003, p.16), os jardins se diferenciam das praças por não possuírem programa social, como atividades de lazer e recreação; [...]
“São espaços livres fundamentais para a melhoria da qualidade ambiental”, pois permitem melhor circulação do ar, insolação e drenagem, além de servir como referenciais cênicos da cidade. Entretanto, os jardins botânicos, com função ecológica e ambiental, permitem o desenvolvimento de atividades em seu interior, principalmente lazer passivo.
Parques
Surgiram após a Revolução Industrial, com a urbanização das cidades, tendo o intuito de trazer para a vida urbana os prazeres da vida campestre.
Macedo e Sakata (2003, p.13) definem parque como “um espaço livre público estruturado por vegetação e dedicado ao lazer da massa urbana”, sendo um elemento típico da grande cidade moderna.
O conceito de parque comporta muitas definições: parque temático, parque de diversões, parque ecológico, parque nacional, parque recreativo, etc.
Ruas
Muito embora se entenda como rua o espaço destinado ao tráfego de veículos, esta engloba também a circulação de pedestres e ciclistas. Hertzberger (1999) amplia o conceito, definindo a rua como um lugar propício ao contato social entre moradores, comparando-a a uma sala de estar comunitária. Para Cunha (2002), a rua tem função de passagem e de encontro, correspondendo à maior parte dos espaços livres em uma cidade.
A rua é o espaço urbano de uso público que organiza e relaciona elementos arquitetônicos na trama urbana. Constitui o marco da arquitetura, proporcionando ar e luz ao espaço urbano e aos edifícios, produzindo microclimas que influenciam insolação, ventos, temperatura, umidade e o consumo de energia dos edifícios (Mascaró, 1996, p.89).
Calçadão
Trata-se de uma rua onde não há tráfego veicular, possuindo características de praça, pois estimula a interação social. Normalmente localiza-se na área central das cidades e costuma ter função comercial.
Cunha (2002) apresenta duas funções recentes dos calçadões: como “camelódromos”, abrigando vendedores ambulantes que antes se localizavam em ruas próximas a estabelecimentos comerciais tradicionais; e como pista de caminhada, especialmente à beira-mar.
Parque de bolso
Copenhague pretende tornar-se a cidade com o melhor ambiente urbano do mundo. Entre os projetos está a multiplicação dos chamados parques de bolso, com até 5 mil m², menores do que um campo de futebol. Por definição, três de suas laterais devem fazer fronteira com algum elemento da cidade, como a parede de um prédio. A ideia é que estejam muito próximos de onde as pessoas trabalham e moram.
Um parque de bolso é um pequeno parque acessível ao público em geral. É constituído por alguns lotes ou pequenos pedaços de terra, normalmente criados em lotes vagos de construção irregular. Suas funções incluem espaços para relaxar, encontrar amigos, fazer pausas para o almoço, ler um livro e áreas de lazer para crianças. Muitas vezes são organizados em torno de um monumento, uma marca histórica ou um projeto de arte.
Lourenço (2012) relata que o primeiro parque de bolso surgiu em 1967, em Nova York (EUA), próximo à Quinta Avenida, atendendo pelo nome de Paley Park. Foi elaborado em um terreno de 13 × 30 metros, onde anteriormente funcionava um night‑club.
Lourenço (2012) menciona que, desde a origem dos parques de bolso, foi prevista a existência de queda d'água como um dos elementos principais, buscando alcançar tranquilidade e afastar ruídos urbanos. Esse tipo de parque visa pouca manutenção, prevendo o emprego de materiais duráveis.