Argamassa e Concreto na Construção Civil
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Agregados
Agregados de construção civil são materiais com forma e volume aleatórios, detentores de dimensões e propriedades adequadas para a elaboração de concreto e argamassa na construção civil. Têm um custo relativamente reduzido, sendo este um dos motivos para a sua utilização. Os agregados com emprego constante na construção civil são a areia e a brita.
A denominação "agregado" tem substituído o termo "inerte", utilizado anteriormente por acreditar-se que esses materiais não tomavam parte nas reações de presa e endurecimento do cimento. Atualmente, sabe-se que eles podem influenciar nessas transformações, haja vista que têm propriedades influentes nesse caso, dentre as quais absorção, densidade e dureza, embora essa reatividade seja praticamente nula.
Concreto
O concreto é o material mais utilizado na construção civil, composto por uma mistura de cimento, areia, pedra e água, além de outros materiais eventuais, os aditivos e as adições.
Historicamente, os romanos foram os primeiros a usar uma versão deste material conhecida por pozzolana. No entanto, o material só veio a ser desenvolvido e pesquisado no século XIX.
Quando armado com ferragens passivas, recebe o nome de concreto armado, e quando for armado com ferragens ativas recebe o nome de concreto protendido ou betão pré-esforçado.
Além disso existem vários tipos de concretos especiais, como o concreto autoadensável, concreto leve, concreto pós-reativo, concreto translúcido, concreto colorido, concreto com fibras, que são utilizados de acordo com necessidades específicas de cada projeto.
Resistência
Sua resistência e durabilidade dependem da proporção entre os materiais que o constituem. A mistura entre os materiais constituintes é chamada de dosagem ou traço.
A água utilizada contribui para a reação química que transforma o cimento Portland em uma pasta aglomerante. Se a quantidade de água for muito pequena, a reação não ocorrerá por completo e também a facilidade de se adaptar às formas ficará prejudicada, porém se a quantidade for superior a ideal, a resistência diminuirá em função dos poros que ocorrerão quando este excesso evaporar. A porosidade, por sua vez, tem influência na impermeabilidade e, consequentemente, na durabilidade das estruturas confeccionadas em concreto. A proporção entre a água e o cimento utilizados na mistura é chamada de fator água/cimento. As proporções entre areia e brita na mistura têm influência na facilidade de se adaptar às formas e na resistência.
Argamassa
Chama-se argamassa à mistura feita com pelo menos um aglomerante, agregados miúdos e água. O aglomerante pode ser a cal, o cimento ou o gesso. O agregado mais comum é a areia, embora possa ser utilizado o pó de pedra. No caso de argamassas poliméricas, os aglomerantes são normalmente resinas sintéticas e o agregado o pó de pedra.
As argamassas são empregadas com as seguintes finalidades:
- Assentar tijolos e blocos, azulejos, ladrilhos, cerâmica e tacos de madeira;
- Impermeabilizar superfícies;
- Regularizar (tapar buracos, eliminar ondulações, nivelar e aprumar) paredes, pisos e tetos;
- Dar acabamento às superfícies (liso, áspero, rugoso, texturizado, etc.).
Tipos de Argamassa
As argamassas são classificadas, segundo a sua finalidade, em argamassas para assentamento de alvenarias, para revestimento e para assentamento de revestimentos.
Argamassas para Assentamento
As argamassas para assentamento são usadas para unir blocos ou tijolos das alvenarias.
Dependendo do tipo de bloco ou tijolo, podem ser utilizadas diversas técnicas de assentamento com argamassa. Normalmente ela é colocada com colher de pedreiro, mas podem ser utilizadas também bisnagas.
As três primeiras fiadas de uma parede de blocos ou tijolos devem ser revestidas inicialmente com uma camada de argamassa de impermeabilização, que protege a parede contra a penetração da umidade.
Argamassas para Revestimento
Usualmente são aplicadas três camadas de argamassa em uma parede a ser revestida:
- Chapisco: primeira camada fina e rugosa de argamassa aplicada sobre os blocos das paredes e nos tetos. Sem o chapisco, que é a base do revestimento, as outras camadas podem descolar e até cair.
- Emboço: sobre o chapisco é aplicada uma camada de massa grossa ou emboço, para regularizar a superfície.
- Reboco: é a massa fina que dá o acabamento final. Em alguns casos não é usado o reboco, por motivo de economia. Geralmente tem em seu traço areias mais finas, pois servem para dar o acabamento ao revestimento.
Em alguns casos, como em muros, o chapisco pode ser o único revestimento.
Por sobre as argamassas de revestimentos podem ser aplicados outros acabamentos como textura, massa corrida, pintura, areias quartzo, estuque veneziano etc.
O acabamento destes revestimentos pode ser sarrafeado ou desempenado.
Argamassa para Assentamento de Revestimentos
Revestimentos como azulejos, ladrilhos e cerâmicas são aplicados sobre o emboço. Para esta aplicação, também são utilizadas argamassas.
No piso, utiliza-se uma camada de contrapiso e pode-se dar o acabamento por sobre esta camada. Este acabamento é conhecido como cimentado. O contrapiso é uma camada de argamassa de regularização e de nivelamento.
Argamassas Industrializadas
Atualmente está sendo cada vez mais comum o uso de argamassas industrializadas, ou seja, a mistura dos componentes secos é realizada em uma planta industrial. Assim, na obra, apenas deve ser acrescentada água à mistura prévia. As argamassas industrializadas para aplicação de revestimentos cerâmicos são conhecidas como argamassas colantes. Elas apresentam os tipos AC-I, AC-II, AC-III e AC-IIIE, segundo a norma NBR 14081.
A AC-I é recomendada para o revestimento interno com exceção de saunas, churrasqueiras e estufas. A AC-II é recomendada para pisos e paredes externos com tensões normais de cisalhamento. A AC-III é recomendada para pisos e paredes externos com elevadas tensões de cisalhamento e piso sobre piso. A AC-IIIE é recomendada para ambientes externos, muito ventilados e com insolação intensa.
Argamassas Poliméricas
Outro tipo de argamassa que vem se tornando cada vez mais comum é a argamassa polimérica. O seu principal uso se dá no assentamento de tijolos ou blocos na construção de alvenarias (paredes); Por necessitar de uma quantidade relativamente pequena de material para unir os blocos ou tijolos, uma parede construída com argamassa polimérica apresenta juntas mais finas do que uma parede construída com argamassa convencional. Embora menos tradicional do que a argamassa cimentícia, a argamassa polimérica apresenta certas vantagens e já é utilizada em grande escala em todo o território do Brasil. Ao contrário das argamassas convencionais, que são comercializadas em pó, a argamassa polimérica é comercializada em estado pastoso e pronto para a utilização, sem nem mesmo necessitar a adição de água. Por se tratar de um produto elastomérico, a argamassa polimérica também apresenta elevada flexibilidade, o que pode proporcionar vantagens estruturais ao sistema construtivo.
Propriedades das Argamassas
Para a obtenção de uma argamassa de boa qualidade, deve-se levar em conta:
- A qualidade do cimento e da cal, principalmente verificando se é de um fabricante certificado;
- A qualidade da areia, que deve apresentar grãos duros e limpeza, livre de torrões de barro, galhos, folhas e raízes antes de ser usada (areia lavada).
- A água, que também deve ser limpa, livre de barro, óleo, galhos, folhas e raízes.
Outro ponto a ser observado é a forma como se faz a mistura, que pode ser feita de forma manual, em betoneiras ou em centrais de mistura. Para a obtenção de uma boa mistura, devem-se utilizar preferencialmente meios mecânicos (betoneira ou centrais).
Uma característica importante da argamassa ainda fresca é a trabalhabilidade, que é uma composição da plasticidade com o tipo uso da argamassa e com a sua capacidade de aderência inicial. Em alguns usos, como no revestimento, é adicionado um quarto componente à mistura, que pode ser cal, saibro, barro, caulim ou outros, dependendo da disponibilidade e uso na região. De todos esses materiais, chamados de plastificantes, o mais recomendado é a cal hidratada.
Quando endurecida, a argamassa deve apresentar resistência e resiliência, de forma a suportar adequadamente os esforços sem se romper.
Introdução ao Concreto de Alto Desempenho (CAD)
O concreto armado está entre os materiais de construção mais largamente utilizados. Ao longo dos anos, acompanhamentos de estruturas em concreto vêm sendo feitos e mostraram a necessidade de fazer reforços, recuperações e, em situações mais críticas, demolição e reconstrução. Nota-se, então, a necessidade crescente da utilização de um concreto mais resistente estruturalmente e às agressões sofridas no ambiente.
Após várias pesquisas chegou-se a um material de alta resistência mecânica, maiores durabilidade, trabalhabilidade e resistência aos agentes agressivos o que proporcionaria uma menor despesa com manutenção e reparos. Surge então o chamado Concreto de Alto Desempenho – CAD.
Os estudos sobre o Concreto de Alto Desempenho produziram resultados eficientes possibilitando sua aplicação há pouco mais de vinte anos. Com o desenvolvimento dos aditivos químicos, capazes de modificar algumas de suas propriedades, aperfeiçoando-o como material de construção, incentivou-se a pesquisa sobre materiais pozolânicos, pois a ação combinada desses dois produtos resultou num aperfeiçoamento do concreto.
A utilização de determinados rejeitos industriais, com propriedades pozolânicas, reduzem o custo e a quantidade de energia consumida na produção do concreto contribuindo para a preservação ambiental.
A durabilidade é outra característica importantíssima que passou a ser exigida desse material. Mas a utilização real do CAD teve que superar o conservadorismo de engenheiros e arquitetos, a reduzida disponibilidade comercial em centrais pré-misturadas, a pequena trabalhabilidade das composições iniciais, as limitações impostas pelos códigos de obras ou do cálculo estrutural além da falta de conhecimento sobre o seu comportamento a longo prazo.
Hoje em algumas regiões brasileiras o CAD é empregado em pilares de edificações, em pontes e obras de arte especiais, peças pré-fabricadas, pisos e pavimentos ou em recuperações estruturais entre outras.
Uma das maiores vantagens desse material é sua reduzida capacidade de carga por unidade de custos maior do que a obtida em concretos convencionais, compensando os custos envolvidos na sua produção.
Em estruturas pré-fabricadas as fôrmas, moldes e mesas de moldagens, podem ser reutilizados mais rapidamente. Já em peças protendidas podem receber a protensão mais cedo, trazendo benefícios para a velocidade e economia da obra.
Definições de CAD
Concreto de Alta Resistência e Concreto de Alto Desempenho
Alguns estudiosos consideram o termo concreto de Alto Desempenho muito vago. O que é desempenho de um concreto? Como pode ser medido? Já a definição Concreto de Alta Resistência é bastante específica a não ser quanto ao limite a partir do qual o concreto usual torna-se de alta resistência.
Para Pierre-Claude Aiticin, autor do livro High-Performance Concrete (1998), um concreto de alto desempenho é essencialmente um concreto tendo uma relação água/aglomerante baixa, cerca de 0,40, esse é o valor sugerido como fronteira entre concretos usuais e concreto de alto desempenho. Quando relação água/aglomerante se afasta desse valor as características como resistência à compressão e retração desses concretos se tornam bem diferentes.
Uma das definições mais simples, divulgada em 1999 pela então presidente do American Concrete Institute, Jo Coke: “CAD é o concreto otimizado para uma determinada utilização”.
No Brasil, na ausência de normatização a respeito, o IBRACON, define o CAD em função da resistência à compressão, que pode ser a classe superior à C50, ou seja, concretos com resistência característica à compressão (fck), superior a 50MPa.
Materiais Empregados na Produção do CAD
Os concretos são compostos heterogêneos que possuem duas fases; a matriz aglomerante e os agregados (cargas). É a qualidade intrínseca das fases pasta e agregados, bem como sua interação a responsável pelo comportamento dos concretos.
A seleção criteriosa dos materiais é de fundamental importância na preparação do Concreto de Alto Desempenho, pois é muito difícil conquistar à uma hora de trabalhabilidade necessária para lançá-lo com segurança e uniformidade no canteiro, ou alcançar o último MPa de resistência a compressão.
Água
A água potável é internacionalmente convencionada como adequada para a produção do concreto e o seu aspecto quantitativo é fator fundamental para a produção do CAD.
A dosagem da água depende de diversos fatores, como, a natureza e a dosagem do cimento, características quanto à forma, tamanho densidade e absorção dos agregados além de temperatura e a trabalhabilidade do concreto.
Cimento Portland
Para atingir um concreto com resistência a compressão de 50 a 75 MPa pode se usar a maioria dos cimentos disponíveis atualmente, porém o desempenho do cimento em termos de reologia ou seja das propriedades físicas que influenciam o transporte de quantidade de movimento do fluido, e de resistência torna-se um fator crítico a medida que a resistência a compressão almejada aumenta.
Alguns tipos de cimentos não podem ser usados para fazer um concreto de alto desempenho com resistência entre 75 e 100 MPa. Poucos tipos de cimentos podem ser usados quando se deseja atingir resistências superiores a 100 MPa.
Os fatores mais importantes relacionados a esse material são: a natureza, a uniformidade e a dosagem.
Alguns têm bom desempenho quanto á resistência final, mas é muito difícil manter a trabalhabilidade desses concretos por tempo suficiente para lançá-los na obra de forma econômica, com alto grau de uniformidade e confiabilidade. Para outros a perda de abatimento nas duas primeiras horas é mínima, ou pode ser facilmente resolvida com o uso de superplastificantes na obra.
A pequena quantidade de referências bibliográficas relativas à qualidade do cimento empregado na fabricação do CAD indica que este material tem sido fabricado com os cimentos comuns, cujas especificações são abrangidas pela normatização corrente.
Superplastificantes
Os superplastificantes são aditivos que têm fundamental importância para fazer a dispersão das partículas de cimento na mistura, no controle de um traço com relação água/aglomerante muito baixa e para reduzir a quantidade de água na mistura.
Sílica Ativa
A Sílica Ativa é um subproduto da fabricação do silício metálico, das ligas de ferro-silício e de outras ligas de silício.
Os efeitos benéficos da sílica ativa na microestrutura nas propriedades mecânicas do concreto são devidos à rápida reação pozolânica, mas também ao efeito físico das partículas da sílica ativa, o qual é conhecido como “efeito fíler”(Sellevold,1987; Rosembergg and Gaids, 1989; Khayat, 1996 apud Aitcin,1998).
As finas partículas de sílica preenchem os vazios entre as partículas maiores de cimento e também reduzem a exsudação. O efeito fíler é responsável pelo aumento da fluidez dos concretos com relação água aglomerante muito baixa
Escória de Alto-forno
Como próprio nome diz a escória de alto-forno é o subproduto da manufatura do ferro-gusa num alto-forno. Se resfriada rapidamente quando sai do alto-forno, ela se solidifica numa forma vítrea e pode então desenvolver propriedades cimentícias quando devidamente moída.
Cinza Volante
São partículas pequenas coletadas pelo sistema antipó das usinas de energia que queimam carvão. Algumas são autocimentícias, a maioria possui propriedades pozolânicas enquanto que outras não.
Observações sobre Materiais Cimentícios
O uso de materiais cimentícios suplementares deve ser priorizado sempre que haja disponibilidade e preços competitivos, pois uma vez que substituem parte do cimento Portland na composição do concreto de alto desempenho, reduzem o seu custo, melhoram algumas características tecnológicas, além de resolver problemas ambientais.
O uso de dois materiais combinados como cinza volante e sílica ativa ou escória e sílica ativa, é benéfico, pois a reatividade da sílica ativa pode compensar a reatividade mais lenta da escória ou cinza volante.
Há algumas limitações possíveis no uso de escórias de alto-forno e de cinza volante no concreto de alto desempenho. Elas não são tão reativas como o Cimento Portland. Sendo assim, a resistência à compressão do concreto de alto desempenho ao qual foram incorporados estes materiais, após 24 horas, é sempre mais baixa do que quando somente o cimento Portland é usado, ou apenas em combinação com a sílica ativa. (Aiticin,1998).Portanto isso deve ser considerado caso haja a necessidade de alta resistência inicial
Agregados
É necessário um controle mais rigoroso da qualidade do agregado com relação à granulometria e ao tamanho máximo, pois à medida que a resistência do concreto aumenta os agregados podem sofrer ruptura sob alta tensão.
O uso de uma areia grossa leva a pequeno decréscimo na quantidade da água de mistura necessária para uma dada trabalhabilidade, o que é importante para a resistência e vantajoso economicamente.
A seleção do agregado graúdo torna-se mais importante à medida que a resistência á compressão do concreto aumenta, as rochas duras como o calcário e a dolomita e as ígneas como granito, gabro e diabase tem sido usadas com sucesso.
A forma também interfere na reologia do concreto, partículas lamelares são fracas e podem ser quebradas com os dedos, produzindo misturas ásperas que exigem água adicional ou superplastificantes para atingir a trabalhabilidade desejada.
O tamanho máximo do agregado tem efeitos consideráveis em relação à perda de resistência. As partículas menores do agregado graúdos são geralmente mais resistentes do que as partículas grandes. Isso porque o processo de redução do tamanho freqüentemente elimina os defeitos internos do agregado, tais como poros grandes, microfissuras e inclusões de minerais moles (Aitcin, 1998). Na ausência de qualquer ensaio de otimização é mais seguro usar o agregado graúdo de tamanho máximo de 10 a 12 mm, porém não significa que um agregado de 20 ou 25 mm não possa ser usado ou afete a trabalhabilidade e a resistência do concreto
Aplicações do CAD em Estruturas
Por ser um material que demanda alto controle tecnológico e, por isso mesmo, é mais caro, é indicado apenas em estruturas especiais e em grandes empreendimentos. Outra característica associada ao CAD é a de proporcionar estruturas mais leves, pois sua maior resistência, consequente da menor relação água/cimento, permite a construção de elementos mais esbeltos para suportar a mesma carga.
Quando comparado a um concreto convencional, o custo inicial do m³ do concreto de alto desempenho é mais elevado, cerca de 30 a 40%. O que não significa, porém, que a solução como um todo seja mais cara, pois quando é feita uma especificação adequada durante as fases de projeto, aumentar a resistência do concreto pode trazer ganhos técnicos e econômicos.
Há uma diminuição na utilização de armaduras, item que tem peso considerável nos orçamentos. Segundo o projetista de estruturas Francisco Graziano, em uma situação de um pilar de 40 x 40 cm, uma mudança de fck de 25 para 35 pode gerar uma redução de armaduras de até 45% sem qualquer alteração de seção.
A protensão consiste na introdução de grandes esforços na estrutura que visam compensar os esforços externos, ou seja, o concreto recebe tensões muito mais altas. Por esse motivo o aumento da resistência à compressão característica se mostra adequado em estruturas protendidas, o que justifica a importância do concreto ter bom desempenho.
Mesmo diante do custo inicial maior, concretos de resistência superiores a 40 MPa estão sendo aproveitados principalmente nos primeiros pavimentos e no subsolo de edificações altas. Objetivando evitar o aumento das seções garantindo uma melhor distribuição das cargas dos pilares nos andares mais exigidos, como garagem e áreas comuns, que demandam amplos vãos livres. "Contribui para o uso desse tipo de solução o fato de o mercado ter exigido cada vez mais que os projetos potencializem os espaços internos", explica Paulo Suzano, diretor da Matec Engenharia.
Na construção do Continental Square Faria Lima, torre de 16 andares de uso comercial na cidade de São Paulo, a aplicação de concreto de 50 MPa gerou um ganho de espaço nas garagens de cerca de 5%. Conforme dados da Inpar, responsável pela obra, a escolha por concreto de alta resistência à compressão permitiu a eliminação do contrapiso e ainda reduziu em 13% o consumo de armadura. De acordo com a construtora, esses benefícios, somados ao aumento da produtividade, possibilitaram a redução de cerca de 1,5% no custo global do empreendimento.
Outro benefício é a maior durabilidade. O ganho de vida útil pode chegar a 20% aproximadamente, o que faz com que esse material se mostre pertinente em estruturas expostas a ambientes agressivos, como edificações submetidas à atmosfera salina, academias com piscina e indústrias químicas, por exemplo.
Um fator indutor do uso do CAD é a altura média dos edifícios, sobretudo os comerciais, que tende a crescer. O preço desse material deixará de ser um empecilho à medida que sua utilização se torne mais difundida.
Em geral, os motivos que tornam inviável o aumento da resistência do concreto são muito mais de ordem financeira do que técnica. "Em obras de porte muito pequeno e em ambientes pouco agressivos, o uso dessa solução pode não ser necessário", afirma Mário Franco. "O mesmo vale para quando não for possível garantir a qualidade do concreto, por limitações regionais ou de produção", acrescenta Francisco Graziano.
A necessidade de maior controle tecnológico é outro fator que se torna, muitas vezes, um obstáculo para o uso do CAD.
Na construção do Evolution Towers, em Curitiba - PR, um complexo multifuncional de três edifícios – de uso comercial, um hotel e um residencial com lofts – concluído em 2004, buscava-se leveza estrutural, vãos livres e o melhor aproveitamento das áreas úteis, empregando-se concreto de 60 MPa aditivado com superplastificantes e estabilizantes nas zonas de maior concentração de cargas possibilitou-se concentrá-las em um número menor de pilares e reduzir o aço da estrutura entre 20 e 30%. "Outra consequência positiva foi o aumento da área dos pavimentos, da garagem e das áreas comuns no térreo", explica o coordenador de obras do Grupo Thá, Nilton Antonietto, segundo o qual, a redução da área da seção dos pilares ficou em torno de 40%.
Nas obras do TBO (Terminal de Barcaças Oceânicas) da siderúrgica CST-Arcelor Brasil em Vitória (ES), a construtora Camargo Corrêa precisava de estacas pré-fabricadas de Ø 90 cm e comprimento que, em princípio, era de 20 m. Problemas oriundos da sondagem da área demandaram que três dessas estacas fossem ampliadas para 23 m, o que deveria ser feito em apenas dois dias, quando começaria a cravagem. Para tanto, foi necessário elaborar um novo traço a partir de dois cimentos especiais aos quais foram acrescidos aditivos superplastificantes de 3ª geração e aditivos inibidores de retração. Assim, os novos elementos foram confeccionados com concreto protendido auto-adensável, que atingiu 95 MPa de resistência à compressão em 24 horas após cura a vapor realizada durante 12 horas. Ao todo foram usados 980 m³ de concreto para a fabricação de 98 estacas.
Principais Propriedades do CAD
Pasta de Cimento
A pasta de cimento é a mistura de cimento e água, cuja função é promover trabalhabilidade da mistura e hidratação das partículas de cimento que consiste principalmente de dois componentes; o silicato de cálcio hidratado (C-S-H), que é a parte útil, e a fase hidróxido de cálcio (C-H) que constitui a parte neutra ou prejudicial.
A resistência da pasta de cimento é influenciada por vários fatores, como natureza e a dosagem do cimento, a idade do material, o grau de hidratação do cimento a porosidade da pasta e a relação água cimento.
Em comparação com os concretos de relação água/cimento (A/C) elevada, os concretos de alto desempenho, com relação A/C baixa, possui uma estrutura onde as partículas de cimento estão mais próximas permitindo uma hidratação mais rápida nas menores idades.
Apenas o aumento da dosagem de cimento associada à redução da dosagem de água, não basta para a obtenção do CAD, pois o próprio aumento do consumo de cimento acima de certo nível impõe o aumento da dosagem de água para um concreto com igual trabalhabilidade. Por isso começaram a serem utilizados os aditivos redutores de água e as adições minerais.
Propriedades no Estado Fresco
São mais coesos e viscosos, com massa específica real superior a dos concretos convencionais, da ordem de 2,5 Kg/dm³.
Devido a relação A/C ser baixa, geralmente não apresenta exsudação ou esta é quase nula, o que pode provocar o surgimento de fissuras devido a retração plástica em ambientes de altas temperaturas, pouca umidade ou muita aeração, necessitando de uma atenção mais rigorosa em relação à cura.
Propriedades no Estado Endurecido
Embora possa atingir resistência à compressão característica de 120 MPa, em utilizações praticas só atingiu em média 80 MPa, e sua resistência à tração não ocorre de forma proporcional à resistência á compressão, podendo atingir 10 MPa.O mesmo ocorre com o módulo de elasticidade,necessitando algumas reformulações de cálculo, e pode chegar a 50 GPa.
A aderência é favorecida pelo fortalecimento e redução de uma região entre a armadura e a pasta de cimento.
A fluência específica é reduzida chegando a 1/5 das mediadas nos concretos convencionais.
O coeficiente de Poisson em geral não se altera (0,2).
O CAD possui uma resistência ao desgaste até dez vezes superior à dos concretos normais, favorecendo sua aplicação em pisos, pavimentos e estruturas hidráulicas sujeitas à abrasão.
Durabilidade
A permeabilidade do CAD é bastante reduzida, dificultando a penetração de agentes agressivos. Em alguns testes de incêndios as estruturas apresentaram destacamentos antes daquelas em que se usou concreto convencional. Isto estaria relacionado à baixa permeabilidade que dificulta a saída dos vapores d’água, provocando aumento de pressão no interior do material, capazes de provocar pequenas explosões localizadas. Fibras plásticas adicionadas á massa reduzem esse problema.
A porosidade pode chegar a menos de 10% metade da medida em concretos convencionais.
Há uma diminuição em relação ao diâmetro dos poros, em alguns casos houve eliminação total.
Outra característica importante deste concreto é o seu aumento de resistência em relação à carbonatação, e ao ataque por sulfatos.
Conclusões sobre o CAD
O concreto é um dos materiais de construção mais utilizados em todo o mundo possivelmente porque geralmente necessita de instalações, mão de obra e equipamentos com baixo nível de sofisticação para a sua produção e aplicação, além de moldagem com baixo consumo de energia, facilidade de aplicação execução que promovem a agilidade na construção.
Por tantos motivos a sociedade mundial vai continuar consumindo grandes quantidades de concreto, em infra-estrutura ou para edificações, porém é necessária a sua utilização de forma eficiente, além de controlar seu consumo e reduzir o consumo de cimento no concreto e de clínquer no cimento, pois na produção do concreto, 90% da emissão de carbono ocorre nos fornos que queimam o clínquer.
Para tanto se faz necessário o desenvolvimento de estudos tecnológicos para substituição de parte do clínquer por diversos materiais complementares com propriedades pozolânicas, que muitas vezes são tóxicos ou nocivos ao meio ambiente e que podem ser aproveitados na produção do concreto.
Como se relatou, o Concreto de Alto Desempenho é um material que apresenta vantagens em relação aos concretos convencionais, embora apresente comportamentos peculiares que demandam cuidado para assegurar seu desempenho.
É resultado de evolução tecnológica e inovação, tendo grandes chances de ter sua utilização cada vez mais ampliada, apresentando-se como uma proposta de material de construção com características condizentes com as necessidades do Desenvolvimento Sustentável atual.
Por todas estas razões o uso do concreto de alto desempenho é cada vez mais crescente, bem como o campo de aplicação torna-se cada vez mais amplo.