Assimetria de Informação: Risco Moral e Seleção Adversa
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O exemplo clássico de risco moral com ação oculta pode ser encontrado na relação entre seguradora (principal) e segurado (agente). Um agente faz o seguro de seu carro numa seguradora denominada principal. De acordo com esse seguro, se o carro for furtado, o valor integral do veículo será ressarcido ao agente. No entanto, o agente pode atuar de modo a alterar a probabilidade de roubo do automóvel, tomando precauções que são custosas a ele, como pagar um estacionamento em vez de deixar o carro na rua.
Uma vez que o veículo está segurado, o proprietário do veículo tem, literalmente, assegurado o valor de seu veículo. Se houver furto, ele recuperará o valor por meio da seguradora; se não houver, ele manterá a posse de seu automóvel. Recebendo o retorno da transação, independentemente da ocorrência de furto, o agente presumivelmente será menos cuidadoso com o seu veículo, o que aumentará o risco de roubo e, consequentemente, reduzirá o retorno esperado do principal na transação.
Outra contribuição igualmente importante do estudo da assimetria de informações foi o conceito de seleção adversa. O tipo de problema agora enfocado não mais se refere ao comportamento pós-contratual, mas sim à adesão ou não a determinada transação. Um mercado que possui diferentes qualidades de bens, onde essa é uma informação privada de alta qualidade, tende a ser ineficiente à medida que as transações desejadas em um mercado particular em um mundo de informação perfeita não se realizam.
Resumidamente, o mecanismo de seleção adversa elimina do mercado os produtos de boa qualidade porque o vendedor não consegue convencer o comprador sobre a qualidade real do produto. Da parte do vendedor, a transação só é interessante se o valor a ser recebido for maior ou igual ao valor do bem, dado em função da qualidade do bem e da informação privada do vendedor. O comprador, por sua vez, não podendo avaliar a qualidade do bem, não pode simplesmente comparar valor e qualidade. Como alternativa, o comprador compara o valor a ser pago com a qualidade esperada.
Se um bem for de alta qualidade, o vendedor, ciente disso, exigirá um alto valor para a transação. O consumidor, no entanto, ignorante quanto à qualidade do bem, aceita pagar um valor correspondente à qualidade esperada, que, por definição, é inferior ao valor de um bem de alta qualidade. Consequentemente, somente os bens de qualidade inferior seriam comercializados. A solução para um problema de seleção adversa é conhecida como sinalização. O vendedor agiria de modo que provesse o comprador de informações confiáveis a respeito do bem — como certificados de qualidade ou garantia —, atenuando a assimetria de informações e, como consequência, o problema de seleção adversa.
O exemplo clássico e emblemático para esse fenômeno é o mercado de carros usados, no qual a qualidade é variável e dificilmente observável de forma apropriada. Para os adeptos dessa abordagem, a organização das firmas e dos mercados é muitas vezes desenhada para dar conta de problemas como risco moral e seleção adversa. Como exemplo, a remuneração do funcionário (agente), de acordo com a produtividade, é uma solução para o fato de seu patrão (principal) não ser capaz de observar seu empenho no trabalho (um caso de risco moral com ação oculta). Assim, um modo de induzir o trabalhador a um empenho maior é remunerá-lo de acordo com sua produtividade.
A teoria da agência presta-se também para a formulação de estratégias diversas das firmas. Por exemplo, frequentemente o esforço de marketing atende ao propósito de eliminar a assimetria informacional entre a firma e seus consumidores. A criação de uma marca de conhecimento dos consumidores informa sobre a qualidade do produto. Em outras palavras, a marca sinaliza ao consumidor aspectos da qualidade do produto, atenuando o problema de seleção adversa.