Aššurbanipal e o Banquete: Propaganda e Poder Neoassírio

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Os resultados apresentados nesta comunicação referem-se a conclusões preliminares de um projeto de pesquisa em curso, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq-Brasil) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), cujas atividades são desenvolvidas no Laboratório de Pesquisa do Mundo Antigo (LAPEMA), do Curso de História da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).

Festins Rituais na Mesopotâmia: Função Social e Política

A partir do início do III milênio a.C. na Suméria e do II milênio a.C. em outras regiões da Mesopotâmia e da Síria, inúmeros documentos comprovam a existência de festins ritualísticos. Comer e beber juntos servia para:

  • Fortalecer a amizade entre os iguais;
  • Reforçar as relações entre o senhor e os vassalos, seus tributários e, até, os servidores de seus servidores.

O soberano convidava para sua mesa um certo número de pessoas, em geral, para celebrar um grande acontecimento, como:

  • A inauguração de um palácio ou de um templo;
  • A exaltação de uma vitória militar;
  • A recepção de uma delegação estrangeira.

O rei deveria recompensar os que trabalhavam para ele, oferecer excelente hospitalidade aos estrangeiros e manter boas relações com os deuses, isto é, oferecer banquetes em sua homenagem.

Documentação Iconográfica e a Esfera do Poder

A documentação iconográfica e epigráfica da antiga Mesopotâmia sobre os banquetes privilegia a esfera do **poder real e religioso**. A partir dela, sabemos da realização de banquetes com a finalidade de celebrar uma importante vitória militar, a inauguração de um novo templo ou palácio ou a de tomar importantes decisões sobre o futuro.

O Banquete de Aššurbanipal: Vitória e Legitimidade Neoassíria

A prática cultural de criação de relevos monumentais está associada ao momento político de construção de **grandes impérios**. A maioria das cenas representadas evoca a guerra e as campanhas militares empreendidas pelos assírios contra seus inimigos. Parte do conjunto de relevos mais expressivos da arte neoassíria tem como tema central a comemoração da vitória da guerra contra o Elam.

Como narrativa principal, destaca-se o banquete nos jardins reais, onde somente o rei **Aššurbanipal** e a rainha são retratados, com a exposição da cabeça do adversário, o rei Teumman, como prêmio de guerra para a Assíria.

Imagens como Ferramenta de Propaganda

As imagens são representações de ideais, sonhos, medos e crenças de uma época e significam a apresentação de algo em substituição daquilo que se encontra ausente, tornando-se uma ferramenta de expressão e comunicação, pois transmite uma mensagem.

Tais representações serviam como **propaganda política**, social, econômica e religiosa, com uma forte carga ideológica, que tinha como objetivo **legitimar o poder** dos governantes perante seus súditos. Mas também poderiam ser objeto de admiração da realeza em uma tentativa de perpetuação de sua imagem e, assim, de seu poder.

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