Auguste Comte: Os Três Estágios e a Sociologia Positiva

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A Lei dos Três Estágios (Leis Causais)

No livro Curso de Filosofia Positiva, Auguste Comte propõe a seguinte classificação para o desenvolvimento do pensamento humano e social:

  1. Estágio Teológico ou Fictício: Busca a explicação para os fenômenos em fundamentos sobrenaturais. Olhando para a história da Europa, este estágio seria representado pela Grécia Antiga. O indivíduo pode ficar preso nesta etapa, acreditando que tudo o que acontece se deve ao destino ou ao carma.
  2. Estágio Metafísico ou Abstrato: Ainda busca em elementos metafísicos a explicação para as coisas. É característico de pessoas que agem em nome de algo universal, abstrato ou de uma crença.
  3. Estágio Científico ou Positivo: É o estágio mais desenvolvido. Investiga o funcionamento dos fenômenos, não as origens ou essências. Tanto a sociedade quanto o indivíduo guiam seu pensamento pelas leis causais. Preocupa-se com as relações de causalidade, que são necessárias, e como esses eventos vão acontecer.

Comte acreditava que todas as sociedades passariam por esses três estágios.

A Sociologia de Comte

A Sociologia, para Comte, é dividida em duas grandes estruturas:

  • Estática Social: Estuda as condições de ORDEM (forma de organização), que são comuns a todas as sociedades. Inclui a sociabilidade, a família e a divisão do trabalho.
  • Dinâmica Social: Analisa as leis do PROGRESSO (evolução). Consiste na aplicação da Lei dos Três Estágios a uma sociedade, buscando identificar em que etapa aquela sociedade se encontra.

Exemplos de aplicação da Dinâmica Social (na visão de Comte):

  • Estágio Teológico: Países africanos, Irã.
  • Estágio Metafísico: Brasil.
  • Estágio Científico ou Positivo: Não existia um completamente desenvolvido na época, mas a Europa estava próxima de atingir este estágio.

A Proclamação da República no Brasil foi influenciada pelo positivismo de Comte, o que se reflete no lema de nossa bandeira: “Ordem e Progresso”.

Críticas ao Positivismo

O modelo de Comte gerou diversas críticas:

  • Eurocentrismo: O modelo foi construído olhando apenas para a Europa. Será que todos os países seguirão sempre esses três estágios?
  • Falha na Previsão do Progresso: Se a Lei dos Três Estágios leva sempre ao progresso, como se explica o fato de, logo depois, ocorrer na Europa a Primeira Guerra Mundial? Como a guerra se encaixa nesse contexto de evolução?
  • Progresso Sem Valores: Será que o progresso pode ser uma finalidade por si mesmo? O progresso sem consideração sobre valor, sem parâmetros ou finalidades é suficiente? Basta progredir cientificamente para que todos os problemas sejam resolvidos?

Os críticos apontam que Comte negligencia a importância dos valores e das finalidades para o desenvolvimento dos estágios científicos. É dado o exemplo sobre a clonagem para ilustrar a necessidade de parâmetros éticos no avanço científico.

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