Avaliação da Aprendizagem: Desafios e Reflexões
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Curiosamente, estes atores convergem quando a questão se refere à complexidade do fenômeno da avaliação. A avaliação da aprendizagem, como uma categoria constitutiva do trabalho pedagógico, com alta força indutora nas formas de agir dos atores escolares, merece atenção especial, visando entender e desvelar seu modus operandi, dentro e fora da sala de aula, dentro e fora da escola.
Não pairam dúvidas acerca da importância da avaliação para promover avanços no desenvolvimento dos estudantes e nos processos de qualificação da escola, cabendo-lhe iluminar os caminhos decisórios.
Mesmo desenvolvendo uma relação pragmática com a avaliação, muito mais centrada na nota do que no quanto esta possa ser expressão da apropriação do conhecimento, ainda quando a avaliação seja vivenciada como produto descolado do processo de ensino-aprendizagem, os estudantes se acostumaram a juízos de valor externos, dos quais ficam dependentes, não contestando a lógica interna que os expropria da participação em um processo no qual deveriam, no mínimo, desenvolver ações de corresponsabilidade.
Se nossa mais usual relação com a avaliação é a que se refere à aprendizagem dos alunos e ocorre no interior da sala de aula, observamos outro aspecto que traduz um pouco da cultura avaliativa apreendida ao longo dos anos de escolarização, nos quais a repetição da lógica anteriormente comentada parece ter sido constantemente reforçada.
A avaliação vem ganhando centralidade na cena política, e os espaços de sua interferência têm sido ampliados de modo marcante, ultrapassando o âmbito da aprendizagem dos alunos. Segundo Roldão (2005):
O controlo sobre os professores pode ater-se mais à verificação do cumprimento rigoroso de normativos, por cujo contributo para a eficácia do que se ensina e do que se aprende nunca ninguém pergunta, ou na falaciosa publicitação de bons e maus resultados em abstrato – os rankings cegos –, desencarnados das circunstâncias, dos contextos e do rigor do exercício do ensino pelos professores que, essas sim, devem ser objeto de avaliação e controlo rigoroso. Nunca, ou muito raramente, se centrou na verificação/fundamentação da qualidade da ação de ensino em si mesma, da adequação do agir dos docentes face aos seus alunos, nem no conhecimento profissional por eles manifestado ou invocado como base dos resultados da sua ação.
Entendemos que a aprendizagem da avaliação precisa ser elevada à condição estratégica nos processos de formação docente, sejam eles iniciais ou permanentes, e isso inclui o exercício da autoavaliação e a avaliação pelos pares. A seguir, discutiremos como a aprendizagem da avaliação institucional, ao tomar a escola como referência de análise da qualidade de ensino oferecido, constitui-se mediação importante para abordagens macro e micro dos processos de ensino e, por último, discutiremos a responsabilidade dos cursos de formação na ampliação da visão de avaliação dos professores, realçando os saberes que estes podem fazer circular nos processos de trabalho dos quais participam, contribuindo para a qualificação das escolas e para a ampliação das aprendizagens das crianças.