Avaliação Cardiorrespiratória: Guia Completo
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Avaliação Cardiorrespiratória
O componente cardiorrespiratório está diretamente associado aos níveis de saúde de um indivíduo, isto porque baixos níveis desta aptidão têm sido correlacionados com um risco aumentado de morte prematura por várias causas, especificamente com as doenças cardiovasculares.
Sabemos também que a maior aptidão está associada a maiores níveis de atividades físicas cotidianas, a qual por sua vez está associada a vários benefícios de saúde.
A capacidade cardiorrespiratória pode ser definida como a habilidade de realizar atividades físicas de caráter dinâmico que envolvam grande massa muscular com intensidade de moderada a alta por períodos prolongados. É dependente do estado funcional dos sistemas respiratório, cardiovascular, muscular e suas relações fisiológico-metabólicas.
Uma maneira de avaliar a capacidade cardiorrespiratória é estimar a quantidade de oxigênio que um indivíduo consegue captar e metabolizar durante a atividade física. O consumo de oxigênio se comporta de maneira diferente quanto à idade, sexo e constituição corporal; pode diminuir por falta de atividade física cardiorrespiratória, como também aumentar após um período de treinamento específico.
O critério mais tradicional utilizado para a mensuração e avaliação do componente cardiorrespiratório é a medida direta e indireta do consumo máximo de oxigênio (VO2 máximo). As medições diretas, por serem realizadas em laboratórios especializados, apresentam uma grande desvantagem, relacionada ao alto valor de investimento e materiais para sua aplicação. Por causa dessas considerações, foram elaborados inúmeros testes para predizer o VO2 máximo, onde muitos deles baseiam-se nas frequências cardíacas obtidas durante ou após esforço no teste e entre outras variáveis (método indireto).
Podemos ainda dividir os testes indiretos em dois grupos distintos, de acordo com a intensidade de execução por parte do avaliado, são eles: testes máximos e testes submáximos. Quando aplicamos qualquer tipo de teste, principalmente, ao se tratar de um teste máximo, recomenda-se que sejam observados os diversos critérios médicos para aplicação e interrupção dos testes, de acordo com os sinais e sintomas observados nos avaliados durante a sua fase de esforço físico.
O que é VO2?
Apesar de cada vez mais conhecidos os benefícios do exercício físico, algo entre 70% e 80% da população continua sedentária. O órgão científico que estuda a padronização dos testes ergométricos e ergoespirométricos é o Departamento de Ergometria e Reabilitação Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que vêm demonstrando a importância da atividade física regular na saúde pública e na prevenção de inúmeras doenças, especialmente as do sistema cardiocirculatório. Assim, a prática de exercícios físicos vem se tornando cada vez mais frequente. Várias evidências científicas demonstram que indivíduos bem condicionados (que praticam esporte regularmente) têm menor mortalidade por doenças cardiovasculares.
A melhor forma de avaliar o condicionamento físico é mediante o teste cardiopulmonar de exercício, também conhecido como ergoespirometria. Nesse exame, pelo estudo do ar exalado, analisamos o comportamento dos sistemas respiratório, cardiovascular e muscular durante o exercício. Entre as inúmeras informações, uma das mais importantes é a mensuração do consumo máximo de oxigênio, o famoso VO2 máx.
O corpo humano, como qualquer máquina, necessita de energia para funcionar, energia essa gerada pela utilização de moléculas de oxigênio. Assim, quando nosso músculo entra em atividade (por exemplo, durante uma corrida), existe aumento da utilização de oxigênio, que pode ser avaliado por meio do VO2. Em geral, o VO2 de repouso é em torno de 3,5 ml/kg/min, podendo atingir valores de até 60-70 ml/kg/min no final de um exercício máximo. Em atletas de elite, até 70-80 ml/kg/min ou 5 l/min. (O VO2 pode ser expresso em unidades de litros por minuto (l/min) ou em relação ao peso corporal (ml/kg/min)). Esse consumo muscular de oxigênio depende do funcionamento adequado do sistema respiratório (troca gasosa pulmonar), do sistema cardiovascular (bombeamento de sangue rico em oxigênio para a musculatura em atividade) e do muscular. Qualquer problema nessas "engrenagens" resultará na diminuição da capacidade ao exercício e na diminuição do consumo de oxigênio (VO2).
Vários são os determinantes do VO2: funcionamento dos órgãos envolvidos diretamente na oferta de O2 aos tecidos (coração, vasos sanguíneos e pulmão), o tipo e a intensidade do exercício, o sexo (é maior nos homens), a idade (diminui com a idade), e o peso, a altura e a composição corporal (indivíduos com maior massa muscular têm maior VO2). Apesar de todas essas variáveis, o principal determinante parece ser genético. Isso explica porque alguns atletas têm condicionamento físico diferente, mesmo quando submetidos a treinamentos semelhantes.
E qual é a sua importância? Tem sido demonstrado que o VO2 máx. é o melhor parâmetro para a avaliação da potência aeróbica (quanto mais bem condicionado o indivíduo, maior é seu VO2 máx.).
Estudos demonstram o poder do VO2 máx. como um dos mais fortes preditores do risco de acidentes vasculares cerebrais. A obtenção do VO2 máx. pelo teste cardiopulmonar é indispensável na indicação de pacientes para transplante cardíaco ou cardiopulmonar e para cirurgias de ressecção pulmonar.
Existem outros parâmetros relacionados ao VO2 que demonstram a evolução da potência aeróbica: são os chamados limiares ventilatórios (limiar anaeróbico I e II), que consistem em momentos metabólicos distintos durante o teste cardiopulmonar e a capacidade de remoção do ácido lático.
A razão do VO2 no limiar anaeróbico e o VO2 máx. determina o grau de condicionamento físico de um indivíduo. Assim, essa razão abaixo de 40% indica uma provável patologia, abaixo de 50% sedentários, entre 50% e 60% ativos, entre 60% e 70% treinados, acima de 70% atletas bem condicionados. Os valores de VO2 nos limiares ventilatórios determinam as faixas ideais de treinamento físico para diferentes indivíduos.
Análise de Lactato
- Consiste na coleta seriada de amostra de sangue durante a realização de exercícios com carga progressiva, analisando-se o perfil da curva de concentração de ácido lático.
- Coleta realizada no lóbulo da orelha ou da polpa digital.
- Valores superiores a 4 mMol/l de ácido lático levam a um processo de acumulação, promovendo uma redução da capacidade de trabalho.
Métodos para Avaliação da Capacidade Cardiorrespiratória
- Diretos: Técnicas avançadas de análise em circuito fechado com auxílio de gasômetro, respirômetro, análise sequencial de gases por meio de sacos de Douglas, ou mesmo análise imediata, mediante a equipamentos acoplados a computadores.
- Indiretos: Estimados a partir de equações e nomogramas (submáximos e máximos).
Indicações
- Classificar a aptidão funcional do avaliado (tanto no diagnóstico de fatores de risco, como na prescrição de exercícios físicos).
- Fornecer subsídios para a prescrição inicial da intensidade do exercício, da mesma forma que seu ajuste durante o processo.
- Possibilitar comparações futuras.
- Controlar a demanda energética em cada sessão de exercícios.
O que é VO2 máx?
- É a maior quantidade de oxigênio que o sistema cardiorrespiratório é capaz de entregar aos tecidos do organismo durante um exercício físico máximo.
O que é Resistência Cardiorrespiratória?
- Capacidade de realizar exercícios físicos dinâmicos de intensidade moderada a alta, envolvendo a participação dos grandes grupamentos musculares por um período prolongado.
Frequência Cardíaca de Repouso
- A FC de repouso é obtida logo ao despertar, antes de levantar da cama pela manhã.
- Média de 3 dias.
- Fundamental para controlar o progresso da condição física.
- Quanto menor o valor de batimentos, melhor.
Frequência Cardíaca de Segurança
- FC de segurança é geralmente adotada para iniciantes, como também para programas de reabilitação cardíaca.
- Usa-se 60% ou menos da FC máxima.
- Músculo cardíaco consegue se fortalecer.
Frequência Cardíaca de Reserva
- FC de reserva é a diferença entre a FC máxima e a FC de repouso.
- Representa a faixa de intensidade que podemos executar qualquer atividade física numa boa.
- Exemplo: FC máxima = 190 – FC de repouso = 40
- Resultado = FC de reserva 150bpm
Frequência Cardíaca de Recuperação
- FC de recuperação é a redução logo após a finalização de uma atividade física em 60 segundos.
- Quanto mais rápida essa redução, melhor será o condicionamento físico.
Frequência Cardíaca de Treinamento
- FC de treinamento é a estipulada para atingir ou trabalhar numa determinada atividade física, na qual se obterá o maior benefício.
- Intensidade do exercício que causa adaptação ao organismo.
Zona Alvo de Treinamento
- 50% a 60% - Aeróbio recuperativo
- 60% a 70% - Aeróbio controle de peso
- 70% a 80% - Aeróbio condicionante
- 80% a 90% - Limiar anaeróbio
- 90% a 100% - Esforço máximo
Frequência Cardíaca Máxima
- FC máxima é o número máximo de bpm que o coração pode atingir durante um determinado esforço.
- Com a idade, esse número não pode aumentar, pode apenas decrescer.
- Obtido utilizando um teste cardiológico de esforço específico (teste ergométrico) ou usando fórmulas matemáticas ajustadas pela idade.
Déficit Aeróbio Funcional
- Indicador em % do quanto o avaliado está acima ou abaixo do seu VO2 máximo esperado.
- VO2 máximo previsto – VO2 máximo obtido x 100
VO2 máximo previsto
Duplo Produto
- Importante parâmetro metabólico que auxilia no cálculo estimativo do consumo de oxigênio do miocárdio.
- Permite estabelecer uma correlação linear entre FC e PAS máxima, com o consumo de oxigênio do miocárdio.
- DP = FC máxima x PAS máxima
100
Duplo Produto Previsto
- 364 – (0,58 x idade) mmHg.bpm
Consumo Máximo de Oxigênio do Miocárdio = MiVO2máx
- Traduz a eficiência do metabolismo aeróbico relativo ao miocárdio.
- Avalia mais detalhadamente o comportamento energético do coração, principalmente em indivíduos coronariopatas.
- MiVO2máx = DP x 0,0014 – 6,3 (mlO2/100gVE/min)
MiVO2 Previsto
- DP previsto x 0,0014 – 6,3 (mlO2/100gVE/min)
Relação %FC com %VO2
- Pessoas normais:
%FCmáx = %VO2máx + 42
1,41
- Coronariopatas:
%FCmáx = %VO2máx + 35,2
1,32
- % VO2 = (1,369 x %FC) – 40,99 (Londeree & Anes)
- % VO2 = (1,388 x %FC) – 44,765 (Katch)
- Relação do percentual da frequência cardíaca e percentual do consumo máximo de oxigênio, proposta por Marion et al. (8), para atividades cíclicas:
% FC máxima | % VO2 máximo |
50 | 28 |
60 | 42 |
70 | 56 |
80 | 70 |
90 | 83 |
100 | 100 |
Demanda Energética em Cada Sessão de Exercícios
5 Kcal = 1 l.min VO2
- VO2máx l.min = peso kg x VO2máx ml(kg.min) dividido por 1000