Avaliação e Manejo Inicial do Trauma (ABCDE)

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Cavitação e mecanismos de trauma

  • Cavitação: permanente — trauma penetrante; temporária — trauma contuso
  • Colisão frontal: fratura da coluna cervical, tórax instável, pneumotórax, transecção da aorta, ruptura de fígado e de baço, lesões osteoarticulares do quadril
  • Colisão traseira: lesão da coluna cervical
  • Colisão lateral: tórax instável, pneumotórax, ruptura de fígado e de baço, distensão cervical contralateral, lesões osteoarticulares pélvicas
  • Ejeção: múltiplas fraturas
  • Atropelamento: trauma crânioencefálico, lesões tóraco-abdominais, fraturas de membros inferiores

Tipos de lesões por explosão

  • Primárias: podem causar laceração de tímpano, amputações de membros e embolia gasosa
  • Secundárias: ferimentos por estilhaços e fragmentos
  • Terciária: projeção do paciente para longe e lesões contundentes
  • Quaternária: onda de calor ou de gases que provoca queimaduras
  • Quinária: lesões por fragmentos de restos humanos

Síndrome de Don Juan: queda de pé junto; há fraturas de fíbula, tíbia distal, coluna lombar, calcâneo e pélvis.

Fratura de Colles: há compressão bilateral e fratura de punhos.

B - Ventilação (Inspeção, Palpação, Percussão, Ausculta)

Inspeção: observar a região cervical, traqueia, jugulares; olhar o tórax para avaliar se os movimentos respiratórios estão rápidos ou lentos e se há aspecto de tórax instável.

Palpação: palpar clavícula, arcos costais para verificação de crepitação ou enfisema subcutâneo.

Percussão: verificar som hipertimpânico (pneumotórax) ou som maciço (hemotórax).

Ausculta: auscultar o ápice do tórax e base lateral na procura de pneumotórax simples ou hipertensivo.

C - Circulação

Hemorragia externa: controlar com curativo compressivo ou torniquete.

Pulso: verificar o femoral ou carotídeo bilateralmente.

Perfusão tecidual: verificar enchimento capilar — até 2 segundos é aceitável; observar pele para cianose, frio, sudorese pegajosa.

Avaliação secundária e exame físico

Avaliação secundária: sinais vitais (pulso, PA), glicemia, respiração, temperatura; exame físico céfalo-caudal.

  • Cabeça: palpar couro cabeludo, checar pupilas, palpar ossos da face
  • Pescoço: palpar traqueia em busca de desvio, enfisema subcutâneo de laringe, traqueal ou pulmonar
  • Tórax: verificar trauma, contusões, movimento paradoxal, retração intercostal
  • Abdome: equimoses, abrasões; palpar para detectar dor e rigidez
  • Pelve: pode provocar hemorragias graves; verificar crepitações e dor

SAMPLA: sinais e sintomas, alergias, medicamentos, passado médico, líquidos e alimentos ingeridos, ambiente.

Exames iniciais: hemoglobina, tipagem sanguínea, BHCG se mulher em idade fértil, ultrassom FAST, tomografia. Avaliar todos os orifícios com dedos para verificar fraturas e sangramentos.

Manobras e vias aéreas

Manobras respiratórias: chin lift e jaw thrust.

Suporte ventilatório mecânico e não mecânico: mecanismos básicos — máscara de Venturi, circuito Hudson, cânula de Guedel; avanços — traqueostomia e cricotireoidostomia.

Classes de hemorragia

  • Classe 1: perda até 15% do volume sanguíneo (≈ 750 ml)
  • Classe 2: perda 15 a 30% (≈ 750 a 1500 ml) — taquicardia, ansiedade
  • Classe 3: perda 30 a 40% — taquicardia >120, taquipneia 30–40, ansiedade e confusão acentuada; débito urinário reduzido (5 a 15%)

Choque neurogênico e intervenções iniciais

Choque neurogênico: diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica, pressão de pulso normal, pele quente e seca, bradicardia; paciente orientado e lúcido em início.

Intervenções: seguir ABCDE, puncionar acesso venoso calibroso, coletar exames laboratoriais, infundir cristaloides aquecidos, passar sonda de demora e controlar débito urinário.

Lesão cerebral

Lesão cerebral primária: epidural, subdural/extradural e intracerebral.

Lesão cerebral secundária — causas sistêmicas: hipóxia, anemia, hipotensão, hipo ou hiperglicemia.

Lesão cerebral secundária — causas intracranianas: convulsão, edema cerebral, hematomas, hipertensão intracraniana.

(Repetição para reforço)

Lesão cerebral primária: epidural, subdural/extradural e intracerebral.

Lesão cerebral secundária — causas sistêmicas: hipóxia, anemia, hipotensão, hipo ou hiperglicemia.

Lesão cerebral secundária — causas intracranianas: convulsão, edema cerebral, hematomas, hipertensão intracraniana.

Pressão de pulso, PAM e PIC

Pressão de pulso (PP): PP = PAS − PAD.

PAM: PAM = PAD + 1/3 PP. Valor de referência aproximado: 80 a 95.

PIC até 15 (unidade: mmHg usualmente).

Hipertensão intracraniana

Sinais: bradicardia, PA alta, respiração Cheyne-Stokes, sinais de decorticação e descerebração.

Tratamento: manutenção da pressão arterial, sedação (midazolam), curaização quando indicada (suxametonio/succinilcolina em intubação difícil com cuidado), manitol, hiperventilação leve e controlada.

Diferenças anatômicas em crianças

Traqueia menor, frequência ventilatória maior; o choque é mais difícil de diagnosticar precocemente devido à maior capacidade de compensação da perda sanguínea.

Escala de Coma de Glasgow (resumo)

Abertura ocular: espontânea 4; à ordem verbal 3; ao estímulo doloroso 2; ausente 1.

Resposta verbal: orientada 5; respostas confusas 4; respostas inapropriadas 3; sons ininteligíveis 2; ausente 1.

Resposta motora: obedece comandos 6; localiza estímulos dolorosos 5; responde com flexão normal a estímulos dolorosos 4; resposta com flexão anormal (decorticação) 3; extensão anormal (descerebração) 2; sem resposta motora 1.

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