## O Barroco: Arquitetura, Escultura e Pintura na Europa
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ITEM 12. O Barroco: Arquitetura e Planejamento na Itália
Bernini e Borromini. Arquitetura cortesã na França. Espanha: arquitetura religiosa e civil. Escultura na Itália: beleza e materiais no trabalho de Bernini. Imagens religiosas espanholas: principais escolas e artistas. Pintura na Itália: o Naturalismo (Caravaggio) e o Classicismo (Carracci) ao Barroco Decorativo (Cortona e Luca Giordano). Pintura em Flandres (Rubens e seu círculo) e Holanda (Rembrandt e mestres). Pintura Espanhola: Ribera, Zurbarán, Velázquez e Murillo.
O Barroco é uma tentativa de sobreviver ao estilo educado desde o final do século XVI. Representa uma complicação da decoração que ocorreu nos estilos anteriores (clássico, românico e gótico), mas nunca de forma tão forte como no fim do Renascimento, ao ponto de se tornar um estilo artístico próprio. O Barroco surge desde o início do século XVII até o final do mesmo século.
Existem diferentes teorias sobre a origem do nome: no português, pérola barroca significa uma pérola defeituosa e irregular. No castelhano, barrueca refere-se a uma pérola irregular e, figurativamente, a algo deformado ou desprezível. No francês, baroque significa extravagante. No grego, baros significa pesado. Há também a ligação com o nome de um pintor que cultivou este estilo na Itália, chamado Barocci. É em 1788, na Enciclopédia de D'Alembert e Diderot, que Quatremère de Quincy liga a palavra barroco a uma arte visual: a arquitetura. Nos séculos XIX e XX (sob o sentimento nacionalista), o Barroco passou a ser reconhecido não como uma degeneração do clássico, mas como um estilo próprio de seu tempo.
Contexto Político, Econômico e Filosófico
Na política, como resultado das Guerras de Religião, um novo equilíbrio emerge na Europa com poderes políticos divididos entre países católicos (sul) e protestantes (norte). As nacionalidades aparecem como símbolos de seus povos e culturas. Economicamente, surge o capitalismo comercial e famílias poderosas, com países que enriquecem enquanto outros caem em ruína. Nas teorias filosóficas, destacam-se a origem divina da monarquia e as ideias de Descartes, Newton e Leibniz. Ocorrem as descobertas de Copérnico, Galileu e Pascal. Na música, destacam-se Vivaldi, Bach e Handel. Na literatura, Molière e a Idade de Ouro na Espanha.
É a arte da Contra-Reforma (Concílio de Trento, 1545-1563). A arte barroca nasce deste conselho, no qual a Igreja Católica rebateu os dogmas atacados pelos protestantes: o triunfo da fé, a religião, o papado, o culto à Virgem, aos mártires e santos, cultivando temas patéticos e místicos. Os jesuítas a adotarão como sua forma de expressão.
A arte barroca possui duas áreas principais:
- Cortesã e Católica: de aparência às vezes clássica, às vezes naturalista, mais sensual e decorativa.
- Burguesa e/ou Protestante: busca o imediato e o cotidiano na afirmação dos aspectos sensíveis da realidade e de seu status, sendo mais intimista e menos decorativa.
O estilo geral começou em Roma no tempo de Michelangelo, aparecendo como um estilo bombástico e extravagante. Entre as causas que provam a riqueza dessas aparências, vemos a ascensão do capitalismo e das famílias ricas de Roma. A complicação aparece, por vezes, misturando arquitetura ornamental, pintura e escultura, contribuindo para o olhar suntuoso do conjunto.
O Barroco Espanhol
O Barroco espanhol abrange os séculos XVII e a primeira metade do XVIII, coincidindo com um período crítico na economia sob os Áustrias, com uma participação desproporcional da nobreza no governo e o desejo de ostentação. Criou originalidade em algumas escolas. É um tempo de explosão criativa tanto na arte real quanto na religiosa. No aspecto religioso, constroem-se grandes templos com rica decoração. O realismo da escultura e da pintura e o pathos buscam mover o espírito do fiel ao transcendente.
Arquitetura Barroca
Após a Contra-Reforma, no final do século XVI, a igreja mostra austeridade e sobriedade (os puristas), mas sem esquecer a grandeza. Esta arquitetura matemática e nua durou pouco, pois no século XVII levou a complicações e dinamismo. As estruturas espaciais tornam-se ricas em movimento, usando elementos clássicos com uma liberdade que um artista da Renascença não poderia imaginar.
Características da Arquitetura:
- Plantas e paredes curvas, templos de luxo e ornamentação excessiva.
- Entablamentos curvos, frontões quebrados e colunas retorcidas (salomônicas).
- Uso de pilastras, arcadas e folhagens decorativas (teatralidade).
- Cúpulas pintadas com cenas celestes e efeitos de luz espetaculares.
- Exuberância decorativa que esconde elementos construtivos.
- Eixos diagonais e jardins que criam perspectivas de conjunto bombástico.
Arquitetura na Itália
O estilo nasceu na Itália no início do século XVII e passou por diferentes estágios:
- Início do Barroco: Uso de elementos clássicos com firmeza (Carlo Maderno).
- Barroco Clássico: Elementos clássicos com movimento e dinamismo (Bernini e Pietro da Cortona).
- Barroco Pleno: União de elementos maneiristas e clássicos (Borromini, Guarino Guarini e Filippo Juvarra).
- Rococó: Leva os elementos barrocos ao máximo preenchimento.
Principais Arquitetos em Roma:
Giacomo Barozzi da Vignola (1507-1573): Criador do modelo das igrejas barrocas com a Igreja de Il Gesù em Roma. A fachada é de Giacomo della Porta.
Carlo Maderno (1556-1629): O primeiro arquiteto propriamente barroco. Concluiu a Basílica de São Pedro com a extensão da planta em cruz latina e sua fachada. Realizou a fachada de Santa Susanna e o interior de Santa Maria della Vittoria.
Gian Lorenzo Bernini (1599-1680): O maior representante do barroco italiano. Realizou a colunata da Praça de São Pedro e o baldaquino em bronze com colunas salomônicas. Projetou o Palazzo Montecitorio, que influenciou a arquitetura francesa.
Francesco Borromini (1599-1667): Espírito perturbado e genial, quebrou as regras clássicas e inventou novos elementos. Especialista em jogos de curvas e volumes côncavos e convexos. Obras: San Carlo alle Quattro Fontane, Santa Inês e Sant'Ivo alla Sapienza.
Pietro da Cortona (1596-1669): Intérprete do classicismo com sentido escultural. Especialista em perspectiva, como na fachada de Santa Maria della Pace.
Outras Regiões da Itália:
- Veneza: Baldassare Longhena (Santa Maria della Salute), combinando elementos de Palladio e bizantinos.
- Turim: Guarino Guarini (Palazzo Carignano, Capela do Santo Sudário) e Filippo Juvarra (Basílica de Superga, Palácio Real de Madrid). Juvarra marca a transição para o Neoclássico.
Arquitetura na França
A arquitetura francesa é religiosa e civil, buscando funcionalidade e utilidade. Os estilos são nomeados pelos monarcas:
- Luís XIII: Modelos italianos. Autores: Lemercier (Sorbonne), Mansart (Val-de-Grâce) e Le Vau (Louvre).
- Luís XIV: Luxo e riqueza interior com sobriedade clássica exterior. Palácio de Versalhes (Le Vau, Hardouin-Mansart).
- Luís XV (Rococó): Refinamento e uso de formas delicadas para a burguesia. Autor: Jacques Gabriel.
- Luís XVI: Retorno aos padrões clássicos da Academia (Neoclassicismo). Autores: Servandoni e Soufflot (Panteão de Paris).
Arquitetura na Espanha
Madrid torna-se o grande foco arquitetônico no século XVII.
- Castela: Juan Gómez de Mora (Plaza Mayor de Madrid) e Crescenzi (Panteão dos Reis no Escorial).
- Estilo Churrigueresco: Caracterizado pela complicação estrutural extrema. José Benito Churriguera e Alberto Churriguera (Plaza Mayor de Salamanca).
- Pedro de Ribera: O mais variado e complicado (Ponte de Toledo, Hospital de San Fernando).
- Narciso Tomé: O Transparente da Catedral de Toledo.
- Galiza: Fachada do Obradoiro na Catedral de Santiago (Casas Novoa).
- Andaluzia: Alonso Cano (Fachada da Catedral de Granada) e Vicente Acero (Catedral de Cádis).
Escultura Barroca
No século XVII, as formas esculturais tornam-se gesticulantes e abertas, buscando o movimento natural e a expressividade.
Características da Escultura:
- Desejo de movimento e quebra de forças invisíveis.
- Uso de roupas com dobras volumosas e redemoinhos para criar efeitos pictóricos.
- Contraste de superfícies (polido vs. áspero) e materiais (mármore, bronze, madeira policromada).
- Temas: Êxtases religiosos, martírios, alegorias, estátuas equestres e mitologia.
Escultura na Itália:
Gian Lorenzo Bernini: Suas obras-primas incluem O Rapto de Prosérpina, Apolo e Dafne, David e o monumental Êxtase de Santa Teresa. Bernini utiliza a luz e a mistura de materiais para criar cenários teatrais. Seus túmulos papais (Urbano VIII e Alexandre VII) e fontes (Tritão, Quatro Rios) definiram o estilo urbano de Roma.
Alessandro Algardi: Criador do relevo pictórico, como em O Encontro de Leão I e Átila. Representa uma linha mais contida e clássica.
Pintura Barroca
A pintura barroca utiliza o afresco e o óleo sobre tela. Opõe-se ao Maneirismo, buscando o naturalismo e a emoção para aproximar os fiéis da Igreja.
Tendências na Itália:
- Naturalismo e Tenebrismo (Caravaggio): Uso de modelos reais com imperfeições e contrastes violentos de luz e sombra (chiaroscuro). Obras: A Morte da Virgem, Vocação de São Mateus.
- Classicismo (Escola Bolonhesa - Carracci): Reação ao idealismo excessivo e ao naturalismo cru. Estilo eclético e intelectual. Autores: Annibale Carracci, Guido Reni e Guercino.
- Pintura Decorativa: Especializada em efeitos espetaculares em abóbadas. Autores: Pietro da Cortona, Andrea Pozzo e Luca Giordano (conhecido como "Fa Presto" pela rapidez).
Pintura em Flandres e Holanda:
- Flandres (Católica): Peter Paul Rubens é a figura central, com composições diagonais, vitalidade e sensualidade (As Três Graças). Van Dyck destaca-se no retrato elegante.
- Holanda (Protestante/Burguesa): Pintura de pequeno formato, temas cotidianos e realistas. Rembrandt é o mestre da luz e do drama psicológico (A Ronda Noturna). Frans Hals destaca-se pela técnica livre e Vermeer (Delft) pela delicadeza dos interiores.
Pintura na França e Espanha:
Na França, coexistem o naturalismo (Georges de La Tour) e o classicismo acadêmico (Nicolas Poussin e Claude Lorrain). Na Espanha, o Barroco atinge seu auge com o realismo e a espiritualidade de Ribera, Zurbarán, Murillo e a genialidade absoluta de Diego Velázquez.