Barroco e Iluminismo: crise, racionalismo e empirismo

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Contexto histórico (séculos XVI e XVII — Barroco)

O contexto histórico do século XVI e XVII corresponde ao período do Barroco. Enquanto o Renascimento é um retorno aos clássicos, o Barroco representa um período de crise, especialmente na Espanha, que perde a sua hegemonia. O centro económico e cultural desloca‑se da Itália e da Espanha para a França, Holanda e Inglaterra.

Problemas e crise

O período é marcado por múltiplos problemas interligados:

  • Economia: economia ainda muito baseada na agricultura, más colheitas e fome.
  • Sociedade: após a esplêndida Renascença surge um momento de crise; a estrutura social estratificada entra em crise.
  • Estado: guerras e revoltas, fragilização das antigas ordens políticas.
  • Religião: Reforma e Contra‑Reforma (católicos e protestantes) intensificam conflitos religiosos.
  • Conhecimento: com a Revolução Científica instala‑se grande desconfiança face à autoridade, tradição, fé e senso comum, o que gera ceticismo e a tentativa de resolver a dúvida.

O problema do conhecimento: dois campos

Diante da crise do conhecimento surgem dois campos distintos:

Racionalismo

O racionalismo valoriza a razão como princípio autónomo, em oposição à confiança absoluta nos sentidos. Defende que o intelecto pode fornecer conhecimento verdadeiro e, em muitos casos, afirma a existência de ideias inatas. Exemplos de representantes clássicos incluem Descartes, Espinosa, Malebranche e Leibniz. Neste enquadramento, a matemática é vista muitas vezes como modelo de conhecimento preciso.

Empirismo

O empirismo, de inspiração aristotélica, desconfia da razão especulativa quando não apoiada por provas empíricas. Afirma que o conhecimento começa com os dados sensoriais e tende a rejeitar a noção de ideias inatas.

Tentativas de solução e transformações

Foram propostas várias tentativas de solução para a crise:

  • Mercantilismo (política económica que procura o fortalecimento pelo comércio e balança comercial favorável).
  • apoio doméstico (proteção e incentivo à produção interna);
  • Absolutismo como forma de centralização do poder;
  • Liberalismo contratual (teorias contratuais sobre a conduta do Estado);
  • desenvolvimento de academias e da imprensa, que difundem saberes e debates;
  • avanço do racionalismo e, posteriormente, do Iluminismo.

Racionalismo: características centrais

O racionalismo sustenta que a razão possui autonomia face à tradição, autoridade e fé. A razão é o juiz último tanto no campo teórico como na moral e na prática política. Estritamente falando, surge como tendência filosófica no século XVII e contrapõe‑se ao empirismo, defendendo que o conhecimento válido sobre a realidade provém do próprio intelecto.

A distinção entre verdade teórica e verdade prática pode ser apontada: a verdade teórica busca a compreensão, enquanto a verdade prática tende à conveniência e orienta a ética e a ação.

Iluminismo (século XVIII)

No contexto histórico do século XVIII instala‑se a Era do Iluminismo, em que a razão é colocada como fundamento da confiança e do progresso. Surge a revolução liberal contra o absolutismo e o Antigo Regime (culminando, em parte, com a Revolução de 1789).

Há também o conceito de razão esclarecida: não se trata de conferir autonomia irrestrita à razão, mas de analisar e criticar a razão para estabelecer os seus limites. O lema latino Sapere aude ilustra o convite ao uso público da razão.

Contexto filosófico posterior

No panorama filosófico imediato ao Iluminismo destacam‑se posições como o racionalismo dogmático de Wolff, o pensamento de Leibniz, o ceticismo de Hume e o criticismo kantiano, que se propõe como síntese do racionalismo e como superação do empirismo.

Resumo

Em suma, o período barroco é caracterizado por uma crise multifacetada — económica, social, política e religiosa — que impulsionou transformações no campo do conhecimento (racionalismo vs. empirismo), levou a tentativas institucionais e económicas de resposta (mercantilismo, absolutismo, liberalismo contratual, academias, imprensa) e preparou o terreno para o Iluminismo do século XVIII.

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