Bioenergética e Metabolismo: Glicólise, Catabolismo e Fermentação
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Bioenergética e Metabolismo
As características dos organismos vivos — sua organização complexa e sua capacidade de crescimento e reprodução — são resultantes de processos bioquímicos coordenados.
- O metabolismo é a soma de todas as transformações químicas que ocorrem nos organismos vivos.
- São milhares de reações bioquímicas catalisadas por enzimas.
As funções do metabolismo celular são:
- Obtenção e utilização de energia
- Síntese de moléculas estruturais e funcionais
- Crescimento e desenvolvimento celular
- Remoção de produtos de excreção
Divisão do metabolismo
Conforme os princípios termodinâmicos, o metabolismo é dividido em duas partes:
- Anabolismo: são os processos biossintéticos a partir de moléculas precursores simples e pequenas. As vias anabólicas são processos endergônicos e redutivos que necessitam de fornecimento de energia.
- Catabolismo: são os processos de degradação das moléculas orgânicas nutrientes e dos constituintes celulares, que são convertidos em produtos mais simples com liberação de energia. As vias catabólicas são processos exergônicos e oxidativos.
Etapas do catabolismo
- 1º estágio: as moléculas nutrientes complexas (proteínas, carboidratos e lipídios — não esteroides) são quebradas em unidades menores: aminoácidos, monossacarídeos e ácidos graxos + glicerol, respectivamente.
- 2º estágio: os produtos do 1º estágio são transformados em unidades simples como a acetil-CoA, que exerce papel central no metabolismo.
- 3º estágio: a acetil-CoA é oxidada no ciclo do ácido cítrico a CO2 enquanto as coenzimas NAD+ e FAD são reduzidas por pares de elétrons para formar 3 NADH e 1 FADH2 (por acetil-CoA). As coenzimas reduzidas transferem seus elétrons para o O2 através da cadeia mitocondrial transportadora de elétrons, produzindo H2O e ATP em um processo denominado fosforilação oxidativa.
A energia livre liberada nas reações catabólicas (exergônicas) é utilizada para realizar processos anabólicos (endergônicos). O catabolismo e o anabolismo estão frequentemente acoplados por meio do ATP e do NADPH. O ATP é o doador de energia livre para os processos endergônicos. O NADPH é o principal doador de elétrons nas biossínteses redutivas.
Metabolismo de Carboidratos
- Monossacarídeos: glicose, frutose, galactose
- Dissacarídeos: sacarose, lactose
- Polissacarídeos: amido, glicogênio
Os carboidratos são poli-hidroxi-aldeídos ou poli-hidroxi-cetonas, ou substâncias que liberam esses compostos por hidrólise. São fontes universais de nutrientes e energia para as células e constituem o combustível preferencial para a contração muscular esquelética.
Rotas Metabólicas da Glicose
Via glicolítica (Embden–Meyerhof–Parnas / Glicólise)
A glicólise é a via central do catabolismo da glicose, consistindo em uma sequência de 10 reações enzimáticas que ocorrem no citosol de todas as células humanas.
Fases:
- Fase preparatória: geração de 2 gliceraldeído-3-fosfato a partir de 1 molécula de glicose.
- Fase de pagamento: geração líquida de 2 ATP, 2 NADH e 2 piruvato (por glicose).
Reações/enzimas (ordem):
- Hexoquinase
- Fosfohexose isomerase
- Fosfofrutoquinase-1
- Aldolase
- Triose-fosfato isomerase
- Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase
- Fosfoglicerato quinase
- Fosfoglicerato mutase
- Enolase
- Piruvato quinase
Equação global (glicólise):
Glicose + 2 NAD+ + 2 ADP + 2 Pi → 2 piruvato + 2 NADH + 2 H+ + 2 ATP + 2 H2O
Funções da via glicolítica
- Transformar glicose em piruvato
- Sintetizar ATP com ou sem oxigênio
- Preparar a glicose para ser degradada totalmente em CO2 e H2O
- Permitir a degradação parcial da glicose em condições anaeróbicas
- Fornecer intermediários para outros processos biossintéticos
Distribuição e exemplos teciduais
- Via glicolítica: presente em todas as células
- Cérebro: glicose → CO2 + H2O — glicólise anaeróbica
- Eritrócitos: glicose — fonte de energia
- Córnea, cristalino e retina: dependência da glicólise
Controle da via glicolítica
- Ativação ou inibição alostérica
- Ligações covalentes (modificações pós-traducionais)
- Controle da síntese enzimática
Destino do piruvato
O piruvato formado na glicólise e de outras fontes é utilizado em diferentes vias metabólicas dependendo de vários fatores e das necessidades momentâneas de certos metabolitos-chave. Os principais destinos são:
- Síntese de lactato (glicólise em condições anaeróbicas)
- Formação de acetil-CoA (entrada no ciclo do ácido cítrico)
- Formação de oxaloacetato (gliconeogênese)
- Síntese de alanina (transaminação — síntese de aminoácidos)
Destino do produto final da glicólise
Em condições anaeróbicas: fermentação e etanol (leveduras); fermentação lática nos músculos em atividades intensas e em alguns microrganismos; em animais, plantas e muitos microrganismos em condições aeróbias o destino é a oxidação completa.
Destino do piruvato em condições anaeróbicas — Fermentação
- O piruvato é o aceptor terminal de elétrons na fermentação do ácido lático.
- Quando os tecidos animais não podem ser supridos com oxigênio suficiente para suportar a oxidação aeróbica do piruvato e do NADH produzido na glicólise, o NAD+ é regenerado a partir do NADH pela redução do piruvato a lactato.
- O NADH utilizado na redução é gerado durante a glicólise na oxidação do gliceraldeído-3-fosfato a 1,3-bifosfato.
Essa reação é a principal opção empregada pelas células sob condições hipóxicas, como em músculos esqueléticos submetidos à atividade intensa, para reoxidar o NADH a NAD+ no citosol e, assim, continuar produzindo ATP pela glicólise. O lactato formado no músculo ativo difunde para o sangue e é transportado até o fígado, onde é convertido em glicose pela gliconeogênese.
Alguns tecidos, como os eritrócitos, mesmo sob condições aeróbicas, produzem lactato como produto final da glicólise.
O lactato formado pelo músculo esquelético em atividade (ou pelos eritrócitos) pode ser reciclado — ele é transportado pelo sangue até o fígado, onde é convertido em glicose por meio do processo da gliconeogênese, durante a recuperação da atividade muscular exaustiva.