Biologia e cultura: socialização e desenvolvimento humano

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Biologia e cultura: Os seres humanos não se tornam verdadeiramente humanos sem a existência de cultura e dos processos de desenvolvimento social (socialização e individuação).

Apesar da grande riqueza biológica que possuímos — a programação genética e o cérebro — que são importantes para sustentar o potencial de cada indivíduo, não é da vertente biológica que tudo deriva.

As formas relativamente padronizadas e firmes de conduta comportamental, a cultura e as regras de vida comuns são o que tornam possível a vida em sociedade; de outra forma, esta não seria viável e seria um autêntico caos, sem ordem nem estabilidade.

Isto pode ser comprovado pelos estudos científicos sobre as crianças selvagens, ou seja, crianças que cresceram e se desenvolveram fora da sociedade, da cultura e da civilização, sempre afastadas dos modelos humanos e das relações sociais — por vezes sozinhas ou na companhia de animais. Existem três tipos de crianças selvagens:

  • as que cresceram e se desenvolveram sozinhas;
  • as que foram auxiliadas por animais;
  • as que cresceram em clausura, em isolamento total.

Todas essas crianças apresentam características bastante diferentes das que cresceram em sociedade, como acentuada dificuldade de interação, ausência total ou parcial do bipedismo, ausência total ou parcial da fala, comunicação baseada em sons de animais, grande capacidade auditiva e expressão facial reduzida.

Contudo, embora não se saiba em que idade e em que circunstâncias essas crianças foram abandonadas — e se o seu desenvolvimento já era deficitário ou se assim o ficou devido ao abandono — é possível concluir que casos como o das crianças selvagens demonstram a importância das interações precoces entre seres humanos.

Essas interações são, portanto, indispensáveis para o desenvolvimento da identidade pessoal, da autoconsciência, do autorreconhecimento e para a aquisição de saberes básicos (linguagem, afetos, cultura). Ou seja, são essenciais para a construção da história individual de cada um — sem um "tu" não há um "eu". Assim, a componente biológica, embora seja o nosso ponto de partida, sem elementos como a linguagem e as relações interpessoais não garante o desenvolvimento pleno do ser humano. O ser humano é uma síntese única de um processo de auto-organização permanente.

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