Biotecnologias e Fisiologia da Reprodução Animal
1. Biotecnologias da Reprodução
As principais biotecnologias estudadas são:
- Inseminação Artificial (IA): Deposição do sêmen no trato reprodutivo da fêmea por meio de pipetas, sem necessidade de monta natural.
- Transferência de Embrião (TE): Retirada de um embrião da fêmea doadora e transferência para uma fêmea receptora sincronizada.
Vantagens gerais: Maior produção de descendentes, uso de animais subférteis, manutenção de fêmeas atletas e melhoramento genético acelerado.
2. Sincronização Doadora × Receptora
Processo em que doadora e receptora têm seus ciclos estrais sincronizados.
Objetivo: Garantir que o útero da receptora esteja no mesmo estágio que o da doadora quando o embrião for coletado.
- A receptora deve estar 1 dia atrasada, igual ou até 1 dia adiantada em relação à ovulação da doadora.
- Avaliação por controle folicular, corpo lúteo e hormônios.
3. Exame Andrológico
É a avaliação completa da capacidade reprodutiva do macho. Inclui:
- A. Exame físico geral: Estado corporal, aprumos, libido e integridade dos órgãos genitais.
- B. Avaliação dos testículos: Tamanho, simetria, consistência e sensibilidade.
- C. Avaliação seminal:
- Aspecto macroscópico: Volume, cor e viscosidade.
- Concentração espermática.
- Motilidade total e progressiva.
- Morfologia espermática: Defeitos maiores e menores.
- Testes complementares: Integridade de acrossomo, termorresistência, etc.
Objetivo: Classificar o macho em apto, apto com restrições ou inapto à reprodução.
4. Transferência de Embrião
Conceito: Transferência do embrião da égua doadora para a receptora.
Indicações principais:
- Produzir mais potros por ano.
- Usar éguas velhas ou subférteis.
- Obter produtos de potras jovens.
- Manter éguas de competição.
- Animais com problemas físicos.
- Melhoramento genético rápido.
- Progênie após morte dos pais.
Limitações:
- Custo alto.
- Resposta superovulatória variável.
- Restrições de associações de criadores.
5. Tipos de Pipeta
- Pipeta rígida: Deposita sêmen no corpo do útero.
- Pipeta flexível: Permite avançar até o corno uterino. Usada em:
- Sêmen congelado;
- Baixa qualidade de sêmen;
- Pouca dose disponível;
- Éguas com endometrite pós-cobertura;
- Inseminações muito próximas da ovulação.
6. Placenta
É o órgão responsável pela troca materno-fetal.
Funções principais:
- Nutrição do feto.
- Troca gasosa.
- Função endócrina (progesterona, estrogênio, eCG).
- Barreiras imunológicas.
Tipos (por classificação histológica):
- Epiteliocorial: Éguas e vacas (seis camadas).
- Endoteliocorial: Cães e gatos.
- Hemocorial: Primatas e roedores (contato direto com sangue materno).
7. Inseminação Artificial
Objetivo: Levar o sêmen diretamente ao útero da fêmea.
Vantagens:
- Programação de acasalamentos.
- Uso racional do sêmen.
- Redução de doenças venéreas.
- Melhora genética.
Momento ideal de inseminar: Próximo ao pico de estrogênio e pré-ovulação.
Via de inseminação:
- Corpo do útero (pipeta rígida).
- Corno uterino (pipeta flexível) quando o sêmen é limitado ou congelado.
8. Gestação e Parto
Gestação: Processo que envolve a implantação embrionária, formação da placenta, crescimento fetal e produção de progesterona para manter a prenhez.
Sinais de gestação (geral):
- Ausência de cio.
- Presença de corpo lúteo.
- Ultrassom confirmatório.
Parto (eutocia): Divide-se em 3 fases:
- Dilatação cervical (inquietação, preparação).
- Expulsão fetal (contrações fortes — fase mais rápida).
- Expulsão da placenta.
Distocias: Má posição fetal, inércia uterina ou feto muito grande.
9. Fisiologia do Eixo Hipotalâmico-Hipofisário-Gonadal (HHG)
- Hipotálamo: Produz GnRH, que libera LH e FSH.
- Hipófise:
- LH: Ovulação, corpo lúteo; testosterona nos machos.
- FSH: Crescimento folicular; espermatogênese.
- Gônadas:
- Estrogênio: Cio e comportamento.
- Progesterona: Mantém a gestação.
- Testosterona: Libido e características sexuais.
- Feedback Negativo: Hormônios sexuais inibem GnRH e LH/FSH.
- Feedback Positivo: Estrogênio alto gera pico de LH, resultando em ovulação.
10. Anamnese Reprodutiva
Conjunto de perguntas e histórico para avaliação da fêmea ou macho reprodutor.
Na fêmea:
- Idade e raça.
- Histórico de cios e coberturas.
- Intervalo entre cios.
- Gestações anteriores e partos.
- Abortos, infecções uterinas, retenção de placenta.
- Uso de hormônios.
- Alimentação, manejo e condição corporal.
No macho:
- Idade e saúde geral.
- Libido.
- História de fertilidade.
- Doenças prévias e tratamentos.
- Temperatura corporal recente (importante para a espermatogênese).
Classificação Detalhada da Placenta
Classificação pela distribuição das vilosidades coriônicas (macroscópica):
- Difusa:
- Espécies: Éguas e porcas.
- Características: Vilosidades distribuídas por toda a superfície da placenta, gerando grande área de contato.
- Cotiledonária:
- Espécies: Ruminantes (vacas, ovelhas, cabras).
- Características: Vilosidades agrupadas em cotilédones, que se unem aos carúnculos do útero formando os placentomas.
- Zonária:
- Espécies: Carnívoros (cães e gatos).
- Características: Uma faixa (anel) de vilosidades ao redor do embrião.
- Discoidal:
- Espécies: Primatas, roedores e coelhos.
- Características: Vilosidades concentradas em um disco único.
Classificação pelas camadas que separam sangue materno e fetal (histológica):
- Epiteliocorial (6 camadas):
- Espécies: Éguas, vacas, porcas, ovelhas e cabras.
- Características: Mais espessa, com maior número de camadas. Baixa transferência de anticorpos; filhotes nascem com imunidade passiva dependente do colostro.
- Endoteliocorial (4 camadas):
- Espécies: Carnívoros (cães e gatos).
- Características: O útero perde epitélio e tecido conjuntivo, permitindo um contato mais íntimo. Transferência moderada de anticorpos.
- Hemocorial (3 camadas):
- Espécies: Humanos, roedores e primatas.
- Características: O sangue materno entra em contato direto com o trofoblasto. Maior transferência imunológica e nutricional.
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