Camada de Aplicação: Cliente, Servidor e Protocolos

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1. Sete etapas do processo para converter as comunicações de dados humanos

  1. Entrada do usuário: O usuário insere dados através de uma interface de hardware.
  2. Conversão para formato digital: Software e hardware convertem os dados para formato digital.
  3. Início da transferência: Serviços e aplicações iniciam a transferência de dados.
  4. Encapsulamento (origem): As camadas do modelo OSI encapsulam os dados ao descer pela pilha.
  5. Transmissão: Os dados encapsulados são transmitidos através do meio físico até o destino.
  6. Decapsulamento (destino): As camadas OSI do destino decapsulam os dados ao subir pela pilha.
  7. Processamento final: Os dados ficam prontos para processamento no equipamento final.

2. Duas formas de software de aplicação e finalidade de cada uma

O software de aplicação tem duas formas principais: aplicações e serviços.

  • Aplicações: São projetadas para interagir com o usuário. Uma aplicação é geralmente iniciada pelo usuário e fornece a interface entre a pessoa e o hardware. O processo da aplicação inicia a transferência de dados quando o usuário pressiona um botão "Enviar" ou realiza uma ação semelhante.
  • Serviços: São programas em segundo plano que executam funções especiais na rede de dados. Serviços podem ser invocados por um dispositivo conectado à rede ou por uma aplicação. Por exemplo, um serviço de rede pode fornecer funções de transmissão ou conversão de dados. Em geral, o usuário final não vê nem acessa diretamente os serviços; estes fazem a conexão entre uma aplicação e a rede.

3. Significado dos termos cliente e servidor no contexto de redes de dados

Na comunicação de dados, o servidor é normalmente a fonte de dados e o cliente é o receptor. Os processos de cliente e servidor na camada de aplicação são os que fornecem a base para a conectividade em rede. Em alguns casos, "servidores" e "clientes" são dispositivos que desempenham essas funções de forma dedicada.

Os servidores atuam como repositório e fonte de informação — por exemplo, arquivos de texto, bases de dados, imagens, vídeos ou áudio armazenados. A função de servidor pode gerenciar comunicações em tempo real; por exemplo, um servidor de registro universitário que permite que muitos usuários acessem e atualizem o mesmo banco de dados simultaneamente. O processo do servidor pode ser chamado de daemon, normalmente executado em segundo plano, não sob o controle direto do usuário final. Esses processos tornam os dados disponíveis na rede e "ouvem" pedidos de clientes.

O cliente é o processo no outro extremo da comunicação que permite ao usuário solicitar dados de um servidor. O software cliente é frequentemente um programa iniciado pelo usuário. O cliente inicia a comunicação ao enviar solicitações ao servidor; o servidor responde iniciando o envio de dados em uma ou mais transmissões. Além da transferência de dados, essa troca pode incluir autenticação do usuário e identificação dos arquivos a serem transferidos. A transferência de dados do cliente para o servidor é chamada de upload e do servidor para o cliente é chamada de download.

Exemplos comuns de serviços cliente/servidor: DNS (Domain Name System), FTP (File Transfer Protocol), HTTP (Hypertext Transfer Protocol), Telnet (serviço de terminal remoto).

4. Comparação: arquitetura cliente/servidor vs redes ponto a ponto

Cliente/servidor: Refere-se a comunicação centralizada onde há um endpoint que atua como servidor (origem centralizada) e vários endpoints como clientes (receptores). O servidor costuma ser um repositório central que responde a pedidos de múltiplos clientes.

Ponto a ponto (peer-to-peer): Nos sistemas ponto a ponto, as funções de cliente e servidor podem coexistir na mesma conversa; qualquer extremidade pode iniciar a comunicação e compartilhar recursos. Ambos os dispositivos são considerados iguais no processo de comunicação e são chamados de "pontos". Uma vez estabelecida a comunicação direta entre os pontos, os dados trafegam sem processamento pela camada de aplicação de outro dispositivo intermediário.

5. Funções gerais que especificam o protocolo na camada de aplicação

  1. Processos que ocorrem em cada extremidade da comunicação: descrevem o que deve acontecer com os dados e como a unidade de dados de protocolo deve ser estruturada.
  2. Tipos de mensagens: podem incluir pedidos de aplicação, confirmações, mensagens de dados, mensagens de status e mensagens de erro.
  3. Sintaxe da mensagem: define a ordem esperada de informação (campos) em uma mensagem.
  4. Semântica dos campos: o significado dos campos dentro de tipos específicos de mensagem deve ser coerente para que as entidades atuem corretamente com base nas informações.
  5. Diálogos (sequência de mensagens): determinam qual resposta ocorre para cada mensagem, quando invocar determinados serviços e como os dados são trocados.

6. Objetivos específicos dos protocolos da camada de aplicação: DNS, HTTP, SMB, SMTP, POP

Domain Name System (DNS)

O DNS fornece um serviço automatizado que resolve nomes de recursos e domínios para endereços numéricos de dispositivos na rede. Esse serviço está disponível para qualquer equipamento conectado à Internet e é usado por aplicações de camada de aplicação, como navegadores e clientes de e‑mail. O DNS é subjacente e transparente para o usuário final.

Hypertext Transfer Protocol (HTTP)

O HTTP é utilizado para sistemas de informação hipermídia distribuídos e colaborativos. É o protocolo do World Wide Web (WWW) para transferência de dados de servidores web para clientes (navegadores).

Server Message Block (SMB)

O SMB descreve a estrutura para compartilhamento de recursos de rede — diretórios, arquivos, impressoras e portas seriais — entre computadores, permitindo controle de acesso e troca de mensagens entre aplicações.

Simple Mail Transfer Protocol (SMTP)

O SMTP é usado para envio de e‑mail: transfere mensagens do cliente de saída para o servidor de correio e entre servidores de correio, permitindo a troca de e‑mails pela Internet.

POP / POP3 (Post Office Protocol versão 3)

O POP (principalmente POP3) entrega o correio eletrônico do servidor de correio para o cliente, permitindo que o cliente faça o download das mensagens.

7. Comparação das mensagens trocadas por protocolos da camada de aplicação

Cada protocolo define formatos e tipos de mensagens específicos para permitir a conclusão da transferência de dados entre dispositivos.

DNS

O DNS utiliza consultas e respostas em um formato de mensagem padrão. Esse único formato é usado para todos os tipos de consultas, respostas de servidor, mensagens de erro e transferência de informação entre registros de recursos.

HTTP

O HTTP é um protocolo de requisição/resposta: o cliente (geralmente um navegador) envia uma mensagem de requisição ao servidor; o servidor responde com a mensagem apropriada contendo o recurso ou um código de estado.

SMB

O SMB usa um fluxo de mensagens comum para iniciar, autenticar e encerrar sessões. Esse controle de sessão gerencia o acesso a arquivos e impressoras, permitindo que uma aplicação envie ou receba mensagens de/para outro dispositivo específico.

SMTP

O SMTP define comandos e respostas relacionados a login, transação de mensagens, encaminhamento, verificação de caixas postais, gerenciamento de listas de discussão e abertura/fechamento de sessões de correio.

POP

O POP é um protocolo cliente/servidor em que o servidor aguarda conexões e o cliente inicia a conexão para que o servidor possa transferir o e‑mail. Em todos os casos acima, as mensagens seguem o modelo solicitação/resposta entre cliente e servidor.

Enquanto aplicações como navegadores (HTTP), gerenciadores de arquivos (SMB) e clientes de e‑mail (SMTP/POP) são visíveis aos usuários, o funcionamento do DNS é normalmente subjacente e transparente para o usuário final.

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