Capítulo 11: O Desalojamento e o Aprender “Em”

Classificado em Psicologia e Sociologia

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Desterritorialização – O capítulo retoma a proposta da Oficina como um campo de experiências que rompe com sua origem acadêmica e passa a ser um lugar para conhecer o múltiplo, o outro e o diferente. Esse campo trabalha a desterritorialização dos modos tradicionais de subjetivação, expondo alunos ao deslocamento e ao desconhecido.

Complementaridade – O autor revisita os polos do aprender: o sujeito que conhece (origem) e o que há a conhecer (fim). Aprender envolve deslocamentos entre um e outro, articulando conhecimento explícito e tácito. Esse movimento de complementaridade constitui a experiência profissional e amplia a capacidade do aluno de se mover entre o saber e o não saber.

Desalojamento – O foco central do capítulo é o deslocamento provocado pelo encontro com aquilo que desorganiza e tira do lugar. O desalojamento aparece quando a alteridade invade e desfaz a ilusão de controle — o que abre espaço para o aprender “em”: aprender em suspensão, em trânsito, em fluxo, vivendo a experiência enquanto ela acontece.

Dimensões do Aprender “Em”

  • Aprender em suspensão: O aprender “em” começa quando o aluno consegue permanecer diante do não saber sem apressar uma resposta. Em vez de enquadrar o fenômeno em categorias conhecidas, o estudante sustenta o vazio, a dúvida e a instabilidade. É esse tempo de suspensão que permite que o novo se apresente.
  • Aprender em trânsito: Outra forma de aprender “em” é atravessar a experiência passo a passo, no ritmo em que ela ocorre, permitindo-se ser afetado por ela. Esse trânsito visceral gera transformação porque expõe o aluno à falta de referência e ao risco — condição fundamental para a criatividade e para a formação clínica.
  • Experiência: Aqui, a experiência não é aquilo já vivido e consolidado, mas aquilo que se vive no momento e que transforma. Na Oficina, tudo pode se tornar exemplo, pois a própria desorganização das atividades cria condições constantes para o inesperado. A experiência é encontro, choque e criação de novos sentidos.

Correlação com o Estágio de Oficinas de Criatividade

O capítulo 11 explica o que acontece no estágio quando o aluno é colocado diante do novo: ele vive desalojamentos que o tiram do lugar-comum e o forçam a aprender “em” — em processo, em mudança contínua. As práticas da Oficina (improvisações, atividades sem roteiro, exposição ao inesperado) são dispositivos que provocam justamente esse deslocamento formativo. No estágio, o estudante aprende em movimento, sendo transformado pela experiência, aceitando o não saber e construindo conhecimento enquanto atravessa a vivência.

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