China: De Deng Xiaoping ao Globalismo de Xi Jinping
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“O Ocidente e os Outros”: A China do Pós-Maoísmo
Mao morreu em 9 de setembro de 1976, aos 83 anos, marcando o fim de uma era e a abertura para uma China Contemporânea. A nação chorou a sua morte, pois ele era visto como o pai da nação que enfrentou guerras. Diante da incerteza sobre o futuro, iniciou-se uma luta interna para definir o sucessor de Mao. É importante notar que não havia eleições, nem antes nem hoje; o líder é escolhido pelo parlamento.
No final de 1978, Deng Xiaoping surgiu como líder e Chefe do Comité Central do Partido Comunista Chinês. Líder da China entre 1978 e 1992, ele foi o arquiteto da “Reforma e Abertura”. O seu objetivo era partir da herança de Mao, mas sem depender dela, focando-se em atualizar a China. Nascido em 1904, Deng era mais novo que Mao e aderiu ao partido em 1924. Foi companheiro de Mao na luta política e esteve ao seu lado durante a guerra civil. Deng foi um dos poucos que conseguiu opor-se a Mao e admitir erros, como o fracasso do “Grande Salto em Frente”.
Durante a Revolução Cultural, Deng foi retirado dos seus cargos e enviado para um campo de reeducação, sendo tratado como persona non grata. Deng é frequentemente comparado a Gorbachev, mas com muito maior êxito. Como se afirma: “Mao tinha pretendido dar um salto diretamente para o comunismo. Deng voltou atrás, para aquilo que designou como a primeira fase do socialismo. (...) Mao procurou obrigar a realidade a enquadrar-se na sua visão; Deng preferiu ver o que funcionava e deixar que a visão se adaptasse.”
As Quatro Modernizações e a Constituição de 1982
Em 1982, foi estabelecida a nova constituição sob a égide de Xiaoping. As “Quatro Modernizações”, iniciadas em 1978, focaram-se nos seguintes pilares:
- Agricultura: Fim das fazendas coletivas (collective farms), permitindo que os agricultores gerissem as suas próprias terras. A produção de alimentos aumentou em 50%.
- Indústria: Aceitação de empresas privadas e abertura para a instalação de empresas estrangeiras na China.
- Defesa: Modernização do setor militar e reforço do arsenal, especialmente o nuclear, sob a premissa de que uma potência mundial necessita de um pilar militar forte.
- Tecnologia: Investimento massivo em educação para combater o analfabetismo e introdução de tecnologias estrangeiras, utilizando “cérebros ocidentais” para formar uma nova geração.
“Deng aderiu somente à liberalização económica, repudiando a liberalização política de estilo ocidental e, numa década, essa tensão atingiu o ponto de rutura.”
A Revolta de Tiananmen e a Era Jiang Zemin
Em julho de 1989, a Revolta de Tiananmen viu o reformismo democrático dos jovens ser esmagado pelo partido. Estudantes e jornalistas revoltaram-se contra Xiaoping em busca de maior liberdade, mas a maioria foi morta, presa ou enviada para campos de detenção. Tanques foram enviados para limpar a praça. Um testemunho da época relata: “Não sabíamos nada de política, quanto mais de derrube do governo. A única coisa que pensávamos era que as palavras e os atos dos estudantes na praça de Tiananmen representavam os sentimentos e aspirações do povo.”
Em 1992, Deng passou o poder para Jiang Zemin, após ter aligeirado a condição repressiva do Estado. Jiang Zemin definiu dois dogmas fundamentais: o caráter sagrado do Partido Comunista Chinês (a integridade do PCC não pode ser debatida) e a visão da democracia como o principal inimigo, personificado pelo Ocidente e pelos EUA.
Expansão, Internacionalização e Interdependência
Jiang Zemin promoveu o orgulho patriota e a internacionalização da China, culminando numa década expansionista de desenvolvimento interno e cooperação externa. Este período incluiu as cerimónias de entrega das RAEs (Regiões Administrativas Especiais): Hong Kong (30 de junho de 1997) e Macau (20 de dezembro de 1999). Atualmente, a questão da anexação de Taiwan permanece em aberto.
Em 2003, Hu Jintao assumiu a liderança até 2012. Os Jogos Olímpicos de 2008 afirmaram internacionalmente o poder da “China do milénio”. Sob o princípio de “Um país, dois sistemas”, surgiu a Carta 08, assinada por ativistas que defendem que a liberdade, a igualdade e os direitos humanos são valores universais. O documento foi publicado no aniversário da Declaração da ONU de 1948.
A relação entre a China de Hu Jintao e os EUA de Obama revelou dois impérios em rivalidade, mas também em profunda interdependência. Vive-se uma guerra macrofinanceira: enquanto os EUA detêm a maior dívida do mundo, a China é a maior compradora dos títulos dessa dívida. Esta interdependência funciona como um seguro internacional, embora a tensão sobre Taiwan represente um risco constante de conflito internacional com os EUA.