Cicatrização e Reparo Tecidual no Pós-operatório
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Fases do pós-operatório
A fisiopatologia da cicatrização em qualquer tipo de trauma é descrita em três fases, e seu entendimento é necessário a fim de que se possa intervir de forma mais efetiva no pós-operatório.
São elas:
- Fase inflamatória
- Fase proliferativa
- Fase de remodelamento
Reparo tecidual
O trauma mecânico provocado pela intervenção cirúrgica é um mecanismo de lesão celular, e a resposta do organismo a esta agressão é a reação inflamatória.
Fisiopatologia do trauma cirúrgico
Tecido conjuntivo
O tecido conjuntivo é o principal componente dos tecidos moles, conectando todos os outros componentes. Serve ainda como reserva para hormônios que controlam o crescimento e a diferenciação celular.
Os tecidos desse tipo desempenham as funções de sustentação, preenchimento, defesa e nutrição.
Substância fundamental
O tecido conjuntivo preenche todos os espaços intersticiais; suas fibras e células constituem uma substância homogênea que recebe o nome de substância fundamental.
Fibras
Os três tipos de fibras são: colágeno, reticulares e elásticas. As fibras de colágeno e as reticulares são formadas pela proteína colágeno, e as elásticas pela proteína elastina.
As fibras de colágeno são mais longas e abundantes, formando feixes longos, ondulados e finos. São flexíveis e muito resistentes à tração.
A fibra de colágeno é dividida em vários tipos:
- Tipo I: é o maior componente do osso, pele, tendões e das cicatrizes maduras.
- Tipo II: encontrado nas cartilagens.
- Tipo III: presente no tecido embrionário, nos vasos sanguíneos, no útero e no trato gastrointestinal.
- Tipo IV: componente da matriz extracelular, encontrado exclusivamente nas membranas basais.
- Tipo V: encontrado amplamente em vários tecidos, mas nunca como componente principal.
As fibras reticulares são muito finas. São formadas por colágeno tipo III e formam o arcabouço interno das glândulas.
As fibras elásticas, menos numerosas, formam uma rede ampla tecidual. Conferem cor amarelada a alguns ligamentos e tendões nos quais estão presentes. São muito mais resistentes que o colágeno.
Células
As células do tecido conjuntivo são os fibroblastos, linfócitos, histiócitos, macrófagos, mastócitos, plasmócitos e leucócitos.
Os fibroblastos sintetizam colágeno, elastina e glicosaminoglicanas. São as células mais comuns do tecido conjuntivo, capazes de modular sua atividade metabólica.
Processo de reparo tecidual
O processo de reparo tecidual é dividido didaticamente em 3 fases:
Inflamação / Proliferação / Remodelamento
Fase inflamatória
A inflamação presente no processo de reparo tecidual é uma reação defensiva local.
O processo inflamatório está intimamente relacionado com o processo de reparo tecidual.
A inflamação serve para destruir, diluir ou imobilizar o agente agressor.
Permeabilidade vascular e edema
Em condições fisiológicas normais, existe um movimento contínuo de fluidos corporais dentro dos vasos para o compartimento extravascular. O fluido que se acumula no espaço é normalmente absorvido pela circulação linfática.
Em algumas condições, o movimento de fluidos para o espaço extravascular excede a habilidade dos vasos linfáticos (edema).
Eventos iniciais da resposta inflamatória
Diante de um trauma cirúrgico, a resposta inflamatória tem início a partir dos seguintes eventos:
- Vasoconstrição das arteríolas no local da lesão;
- Vasodilatação das arteríolas pré-capilares: responsável pela vermelhidão e pelo aquecimento no local da lesão;
- Aumento da permeabilidade capilar: causando o edema no local.
Conduta nesta fase
Medidas e orientações a serem adotadas na fase inflamatória:
- Avaliar e orientar o paciente e familiares (repouso, mudança de decúbito, higiene, curativos etc.).
- Exercícios respiratórios (considerar efeitos de anestesia, drogas anestésicas).
- TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea).
- Crioterapia (pode retardar o processo cicatricial).