Civilizações Antigas do Oriente: Egito, Mesopotâmia e Pérsia
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Civilizações Antigas do Oriente: O Conceito de Estado
As monarquias de origem divina surgiram quando grupos humanos se instalaram nos atuais territórios do Egito, Irão ou Iraque e formaram estados poderosos, capazes de dominar grandes áreas em torno delas. São os impérios do Egito, Mesopotâmia e Pérsia. Todos partilhavam uma série de características comuns:
- A economia era predominantemente agrícola e baseava-se na força de trabalho representada pelos escravos.
- O sistema político era uma monarquia teocrática. O rei, ou o Faraó no Egito, exercia o seu poder como um deus, era considerado proprietário de todo o território e era auxiliado por colaboradores (nobres, escribas, etc.) para exercer esse poder.
- A sociedade era hierárquica. Os grupos sociais tinham poder económico diferente, sendo o maior grupo formado por escravos e camponeses muito pobres.
- A religião era politeísta e animista. Essas religiões acreditavam na existência da alma e na sua persistência após a morte.
- As criações artísticas são testemunho desta preocupação espiritual e refletem o enorme poder do monarca, incluindo as pirâmides do Egito.
Mesopotâmia: A Terra Entre Rios
O nome Mesopotâmia vem de "entre rios" (Tigre e Eufrates), onde diversos grupos de pessoas se desenvolveram. Na história da Mesopotâmia, podemos distinguir várias fases que ocorreram ao longo do tempo:
Os Sumérios (c. 3000 a.C.)
Instalaram-se em cidades-estado, sendo as mais importantes Ur, Eridu, Lagash e, especialmente, a Suméria, onde se desenvolveu a civilização suméria. A sociedade suméria tinha o rei como um elemento fundamental.
Grandes Contribuições Sumérias
- A escrita (cuneiforme).
- Importantes descobertas na aritmética.
- A arte suméria, considerada uma das "grandes" da ciência, juntamente com a escrita e as técnicas de agricultura de irrigação.
Religião e Arte
A religião, que tinha início na deificação das forças da natureza e na consagração dos elementos desta sociedade baseada na agricultura e pecuária, era politeísta. Os deuses sumérios eram mais de três mil, destacando-se An (deus do céu e pai dos deuses), Enlil (senhor do vento, que determinava o destino humano) e Ea (senhor das águas e benfeitor da humanidade).
Arquitetura Suméria
A fundação era em argila e utilizava-se o tijolo de adobe como material fundamental de construção. Os templos eram formados por uma grande plataforma que subia em três andares escalonados retangulares. Um exemplo seria o do Templo Branco de Uruk (2800-2600 a.C.).
Escultura Suméria
Os mais comuns são os chamados "guias", que são gravados com um orifício central, onde as esculturas são organizadas em faixas horizontais (exemplo: a placa de Ur-Nina-Patesi de Lagash). Outro exemplo são as "estelas", placas retangulares arredondadas na parte superior, que representavam questões históricas, como eventos militares (exemplo: a "Estela dos Abutres").
O Império Acadiano (c. 2340 a.C.)
A situação na Mesopotâmia, por volta de 2340 a.C., era de conflito militar entre as cidades-estado sumérias e um levantamento dos sacerdotes contra o rei de Uruk, Lugalzagesi. Sargão I conquista o rei de Uruk e funda a cidade de Akad. A natureza militar deste povo refletiu-se na sua arte, embora mantendo as características e regras dos sumérios. Na arquitetura, mantiveram-se os tipos criados pelos sumérios. Na escultura, destaca-se a Estela de Naram-Sin.
O Período Neo-Sumério
Após a derrota dos Acádios, a cidade de Ur domina e unifica todo o território, iniciando um período de paz, prosperidade económica e retorno à cultura suméria, destacando-se as cidades de Lagash, Uruk e Ur. No final deste período (séculos XX e XIX a.C.), as lutas entre os vários reis da área e a constante ameaça de povos estrangeiros dividem o território em duas partes: o norte, onde se projeta o Império Assírio, e o sul, onde a cidade da Babilónia ganhará destaque.
Arte do Período Neo-Sumério
Arquitetura: A criação mais importante é o Zigurate. É um templo construído em altura, com base em rampas e escadas, chegando a até sete andares, que se reduzem em superfície à medida que sobem, sendo cobertos por um pequeno templo que servia como observatório astronómico para os sacerdotes.
Escultura: A melhor representação são as mais de trinta esculturas preservadas do rei Gudea de Lagash. São feitas de diorito ou dolerite, pedras de cor azul brilhante ou preta.
O Império Assírio
Os Assírios eram um grupo nómada que se estabeleceu numa região ao norte da Mesopotâmia, a Assíria, dedicando-se ao comércio e estabelecendo enclaves comerciais em partes da atual Turquia. Aproveitando-se da luta interna no norte, conseguiram entrar no território dos sumérios. Tentaram conquistar o Egito e, por um período, foram reis da Babilónia. Reis notáveis incluem Sargão I, Naram-Sin (com o mesmo nome, mas diferente do rei acadiano), Nasirpal, Salmanaser ou Assurbanipal. No século VII a.C., Ciaxares, rei dos Medos, saqueou a capital do império.
Características do Império Assírio
- Monarquia
- O rei era considerado o representante do deus Assur. Era tratado mais como um deus do que como um ser humano. Os súditos deviam curvar-se e beijar o chão perante ele.
- Administração
- Os assírios eram guerreiros e peritos comerciantes.
- Sociedade
- Dividida em dois grandes grupos: os livres ou awilu, e a população escrava ou ardani.
- Economia
- Cultivavam cereais, sementes de gergelim, vinha e produtos de jardinagem. Os campos eram trabalhados por mão de obra assalariada livre ou escrava.
- Religião
- Os deuses, presididos pelo deus Ashur, eram representados em forma humana (antropomórfica). Templos eram erguidos a Ashur e sua esposa, a deusa Ishtar, e a Enlil (deus da terra), Inurta (deus do trovão) ou Sin (deus da lua).
- Arte
- O caráter belicoso e as formas de arte dos Assírios, povo conquistador, permearam as suas obras. A arquitetura teve uma expressão muito importante na cidade de Khorsabad, construída por Sargão, o Grande. As obras mais importantes de escultura assíria que sobreviveram são as decorações dos palácios.
O Império Babilónico
Por volta de 2200 a.C., aproveitando a derrota dos sumérios e a decomposição do reino de Ur, um grupo nómada vindo de áreas desérticas dominou as cidades do sul da Mesopotâmia (Isin, Larsa e Babilónia, entre outras). Nesses locais, os seus reis foram ganhando o estatuto de deuses e assumindo as características dos sumérios. No início do século XIX a.C., uma dinastia babilónica foi instalada e conseguiu que, durante três séculos, a cidade se tornasse o centro político e cultural.
O Reinado de Hamurabi
A figura principal foi o rei Hamurabi. Uma vez no poder, começou a dominar militarmente, ou através de convénios, toda a Mesopotâmia. Assim, intitulou-se "Rei de Sumer e Acad" e "Rei das Quatro Regiões", simbolizando o seu domínio de todo o território, que se estendia do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico.
Características do Império Babilónico
- Política
- Inicialmente, seguiu-se o modelo de cidades-estado governadas por reis locais, até que Hamurabi unificou o país. O império foi dividido em distritos ou províncias, cujos governadores decidiam em nome do rei. O rei era o representante do deus Marduk e era chamado de "Grande Rei".
- Sociedade
- Através da coleção de leis, especialmente o famoso Código de Hamurabi, sabemos que existiam três tipos de pessoas: awilum (livres), mushkenum (subordinados) e wardum (escravos).
- Economia
- O palácio do rei e os templos controlavam todos os setores económicos, sendo os grandes proprietários. Cultivavam cevada, trigo, gergelim e azeite de dendê. O artesanato em metal, joalharia e produtos têxteis era altamente valorizado, assim como o comércio, que impulsionou a criação de fórmulas económicas desenvolvidas, como a fiança ou a ordem de pagamento.
- Lei
- O direito era muito desenvolvido, registado em tabuletas de argila ou estelas de pedra dura.
- Religião
- Embora a religião fosse politeísta (conheciam-se quase 4000 deuses), eram regidos por Marduk, deus da Babilónia. Para ele, foi criado o "Poema da Criação", onde aparece como um deus protetor dos homens.
- Ciência e Tecnologia
- Destaca-se o conhecimento matemático. Operavam com as quatro regras (adição, subtração, multiplicação e divisão), bem como cálculos de potência, radicais e equações de diferentes graus.
- Arte e Arquitetura
- A grande criação da nova regra foi a construção da Babilónia, especialmente as reformas realizadas no século VI a.C. por Nabucodonosor. A escultura que se preserva vem da decoração do Palácio Real e outros edifícios. Destaca-se o "Leão da Babilónia".
Egito Antigo: A Dádiva do Nilo
O Nilo e a Geografia
Tradicionalmente, diz-se que o Egito é uma "dádiva do Nilo", pois a riqueza do país deve-se a este grande rio, com mais de 1.200 km. As cheias periódicas do Nilo inundavam os campos, proporcionando humidade para as plantas. O Nilo era também o veículo de comunicação e comércio. O Egito é rodeado por desertos, de modo que apenas a terra que as cheias do rio alcançavam era cultivada e densamente povoada. O país adquire uma forma alongada, cujo eixo é o Nilo, e tem duas partes distintas: o vale ou sul, conhecido como Alto Egito, e o delta, a área onde o rio desagua no Mediterrâneo, ou Baixo Egito.
Unificação e Estrutura Política
Desde o final do quarto milénio a.C., ocorreu a unificação dos territórios do Alto e Baixo Egito. Isto implicou uma forte estrutura política de poder exercido pelo rei, que, a partir da capital, dirigia a administração.
A Arte Egípcia
A arte egípcia é fundamentalmente religiosa e funerária. Os túmulos dos faraós e os templos são os exemplos mais representativos e destacam as crenças espirituais dos egípcios.
As Fases Históricas do Império Egípcio
A rica história do Egito Antigo, que se desenvolveu por quase três mil anos, foi dividida para estudo em cinco etapas:
- O Império Antigo (2700-2200 a.C.)
- O Primeiro Período Intermediário (2200-2052 a.C.)
- O Reino Médio (2052-1786 a.C.)
- O Segundo Período Intermediário (1786-1575 a.C.)
- O Novo Império (1575-1087 a.C.)
A esta fase, segue-se a chamada era pós-imperial, até ao século IV a.C., quando o Egito foi conquistado por Alexandre, o Grande, e, posteriormente, no século I a.C., por Roma, após a morte de Cleópatra.
1. O Império Antigo (2700-2200 a.C.)
Por volta de 3100 a.C., ocorreu a unificação do Alto e Baixo Egito, no reinado de Menés, que fundou a primeira dinastia e estabeleceu a capital em Mênfis. As características deste período são as seguintes:
- Consolida-se a ideia de que o rei é um deus, o proprietário de toda a terra do Egito, que ele doava aos sacerdotes, soldados, etc. Com esse caráter sagrado, o rei garantia as inundações periódicas do Nilo, a riqueza do país, a ordem e a paz.
- O país era dividido para administração em unidades territoriais chamadas "nomos". Os "nomarcas" eram os governadores nomeados pelo rei, dirigindo a vida pública nestas províncias.
- Neste antigo império, estabeleceu-se uma corte que servia ao rei, dirigida pelo vizir, encarregado de tratar dos assuntos de Estado em nome do Faraó.
- Os grandes túmulos construídos refletem o enorme poder dos faraós, como a Pirâmide de Zoser, construída por Imhotep, e as grandes pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos.
2. O Primeiro Período Intermediário (2200-2052 a.C.)
Caracterizado pela perda do poder central, causada pelas lutas internas na família real e pelo crescente poder dos nomarcas. O país dividiu-se em dois: um estado do norte (capital em Heracleópolis) e outro ao sul (capital em Tebas).
3. O Reino Médio (2052-1768 a.C.)
O rei de Tebas lutou para obter o controlo de todo o território do Egito, até que Mentuhotep II conseguiu a reunificação. Este período também terminou com a fragmentação do poder central, devido ao crescente poder dos nobres e às invasões estrangeiras.
4. O Segundo Período Intermediário (1786-1575 a.C.)
Um novo grupo, os Hicsos, que possuíam melhores habilidades militares (como a carruagem puxada por cavalos e arqueiros), dominaram o norte do Egito, levando à perda do poder central e estabelecendo a sua capital em Avaris, no Delta.
5. O Novo Império (1575-1087 a.C.)
O Faraó Ahmose expulsou os Hicsos e fundou o Novo Império, com a capital de volta à cidade de Tebas. Durante este período, o Egito começou a expandir as suas fronteiras, alcançando partes da Ásia e do Norte de África (Fenícia). Entre os reis mais famosos deste período, destacam-se:
- Rainha Hatshepsut: Cujo reinado foi um período de paz, enviando expedições militares e construindo o grande templo que leva o seu nome em Deir El Bahari.
- Faraó Amenófis IV (Akhenaton): Realizou uma reforma religiosa e administrativa, introduzindo o culto monoteísta a Aton. Sua esposa foi a rainha Nefertiti.
- Tutancâmon: Um dos sucessores de Akhenaton.
- Ramsés II (Dinastia XIX): Representa o poder militar desta nova família de faraós, sendo responsável por grandes edifícios, como o templo de Abu Simbel, a reconstrução de Tebas e a construção do templo de Amon.
A História do Egito, durante o primeiro milénio a.C., terminou o seu domínio político com a conquista por outros povos: Assírios (com Assurbanipal, no século VII a.C.), Gregos (Alexandre, o Grande, no século IV a.C.) e Romanos (no século I a.C.).
Religião Egípcia
Os egípcios eram politeístas e a religião estava presente em todos os aspetos da sua vida. Os deuses eram representados em forma humana ou animal (antropomórfica ou zoomórfica). Havia uma série de deuses maiores:
- Ptah: Considerado o criador do mundo.
- Hórus: Por vezes representado como um falcão, era o deus do céu.
- Rá: O deus sol e uma representação da força humana.
Os egípcios acreditavam que o homem era composto por três partes: o corpo (material), a alma (o elemento que permite mover e sentir) e o espírito (através do qual os seres humanos eram inteligentes e imortais, ligando-os aos deuses).
Escrita Egípcia
Os egípcios tinham vários tipos de escrita: hierática, demótica e hieróglifos. A escrita hieroglífica é habitual no chamado Livro dos Mortos, que eram rolos de papiro introduzidos com os corpos mumificados para lhes dar instruções a seguir para a ressurreição.
Arquitetura Funerária e Religiosa
A arquitetura egípcia destaca-se pelo seu caráter colossal e monumental.
Características da Arquitetura
- O material utilizado era a pedra de pedreira, trabalhada em forma de sela, formando paredes sólidas. Os edifícios eram fundamentais para o Faraó, como amostra do seu enorme poder.
- A arquitetura era de verga, com coberturas retas.
O Templo Egípcio
Especialmente aqueles dedicados ao deus Rá. Os templos mais bem preservados e arquitetonicamente mais atraentes surgiram durante o Novo Império (dinastias XIX e XX). Os grandes templos, que podiam estender-se por vários quilómetros, tinham uma dupla função: local de culto das estátuas dos deuses e palco das grandes cerimónias dos faraós (como a coroação). As paredes e colunas eram feitas de blocos, com capitéis compostos por formas de plantas (flores de lótus, palma ou papiro) ou a cabeça da deusa Hathor.
Partes de um Grande Templo
- A Avenida das Esfinges.
- A Esplanada dos Obeliscos.
- Os Pilares.
- O Pátio Hipetra.
- O Hall de Pilares (com um telhado).
- O Sancta Sanctorum ou Santuário.
Os melhores exemplos destes grandes templos são o Templo do deus Amon, em Luxor, e o Templo dedicado ao deus Amon, em Karnak.
Os Speos
Os speos são templos escavados na rocha. Têm a particularidade de ter uma fachada para o exterior e uma função funerária. O interior era formado por três salas dispostas em diminuição de altura, tamanho e iluminação. Exemplos notáveis são o Templo da Rainha Hatshepsut em Deir el Bahari (um semiespeo) e o Grande Speos de Ramsés II em Abusimbel.
Os Túmulos Egípcios
Os três tipos básicos de túmulos são as mastabas, as pirâmides e os hipogeus.
1. A Mastaba
É uma estrutura em forma de pirâmide truncada. Consistia nas seguintes partes: a capela de velório, um poço ou galeria e a câmara subterrânea. As mastabas eram construídas lado a lado, formando a necrópole (exemplo: Gizé).
2. A Pirâmide
Uma grande criação dos egípcios, símbolo do seu domínio da arquitetura e do imenso poder dos faraós. No Reino Antigo, o Faraó Zoser e o seu arquiteto Imhotep ordenaram a construção de uma pirâmide em Sacara. As Grandes Pirâmides são nomeadas em homenagem aos faraós que ordenaram a sua construção na Quarta Dinastia do Antigo Reino: Quéops, Quéfren e Miquerinos.
3. O Hipogeu
Durante o Reino Médio e o Novo Reino, surgiu um novo tipo de enterro. A sua principal característica é ser totalmente escavado na rocha, sendo usado por faraós, nobres e sacerdotes importantes. Estes hipogeus, por não terem fachada ou estrutura exterior, eram difíceis de encontrar, o que dificultava o saque. Os melhores exemplos de hipogeus estão no Vale dos Reis, nos arredores de Tebas, um local considerado sagrado.