Classes médias na sociedade industrial e condições

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Classes médias na sociedade industrial

As classes médias constituem o grupo mais heterogéneo e socialmente flutuante da sociedade industrial. Englobam o conjunto de profissões que não dependem do trabalho físico, isto é, o chamado setor de serviços.

Constituição

Pequenos empresários da indústria — embora vulneráveis às crises e aos consequentes fenómenos de concentração empresarial — foram-se expandindo em número ao longo do séc. XIX.

Empregadores comerciais

A expansão da Revolução Industrial criou novos empregos para fazer chegar o produto ao consumidor no mercado interno.

Profissionais liberais

Poucos cresceram em percentagem, mas valorizaram-se. O saber científico conferia-lhes autoridade e estatuto, bem como vantagens materiais provenientes da gestão de bens e lucros. Muitos dos seus elementos ascendiam na hierarquia social.

Conservadorismo

Embora portadores da ideologia do progresso, as classes médias eram socialmente conservadoras. De olhos postos na burguesia, encaravam com desconfiança o operário, cujos hábitos de contestação lhes repugnavam.

Ordem, estatuto e poupança

O sentido da ordem, do estatuto e do conservadorismo, o respeito pelas hierarquias e o gosto pela poupança marcavam as classes médias, assegurando-lhes conforto material e até pequenos luxos.

Vida familiar e valores

No seio da família desenvolviam-se as virtudes públicas e privadas: o gosto pelo trabalho, pelo estudo e o sentido de responsabilidade; a moral austera, a raiar o puritanismo; o culto das aparências. Na família afirmavam-se o poder dos homens, as qualidades domésticas da mulher e a obediência dos filhos.

Liberalismo económico e o proletariado

A aplicação do liberalismo económico nos países industrializados, ao estabelecer a não intervenção do Estado, deixou os operários à mercê das regras do mercado. O proletário é aquele que não tem qualquer poder sobre a produção, pois as minas, os caminhos-de-ferro e as fábricas pertencem à classe burguesa que detém o capital. Ele possui apenas a sua força de trabalho e recebe um salário pelo seu trabalho, o qual aumenta ou diminui conforme a prosperidade da empresa, sem que um salário mínimo esteja assegurado.

Condições de trabalho

  • Espaços de trabalho pouco saudáveis: ruído, calor ou frio, iluminação deficiente;
  • Ausência de cantinas, vestiários ou sanitários apropriados;
  • Falta de medidas de apoio social: não existia o direito a férias ou a descanso semanal;
  • Contratação de mão de obra feminina e infantil, por serem mais baratas e mais ágeis;
  • Elevado risco de acidentes de trabalho e de doenças profissionais.

Condições de vida

  • Habitações vazias ou húmidas, alugadas a preços especulativos, sem luz e sem higiene;
  • Os operários constituíam um terreno favorável à propagação de doenças;
  • Alimentação insuficiente e desequilibrada;
  • Pobreza extrema e todos os problemas a esta associados.

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