Classificação e características dos títulos de crédito
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Classificação dos títulos de crédito
Quanto ao modelo
- Vinculado: É aquele cuja forma ou modelo deve obedecer padronização obrigatória. Esses modelos seguem o padrão estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
- Livre: É aquele que não precisa observar padronização obrigatória.
Quanto às hipóteses de emissão
- Causal: Somente poderá ser emitido nas hipóteses (causas) autorizadas por lei. Exemplo: duplicata.
- Não causal: É aquele cuja emissão não depende de causa específica, razão pela qual serve para documentar diversos tipos de negócios. Exemplo: cheque, que pode ser emitido em qualquer situação.
Quanto à sua circulação (tradicional)
- Ao portador: O título é ao portador quando a lei não obriga a identificar o beneficiário do título. O título circula por mera entrega (tradição).
- Nominativo: É aquele que identifica o beneficiário; sendo assim, pode ser:
- À ordem: Circula por meio de endosso. Aquele que transfere por endosso responde pela existência e pelo pagamento do título (ex.: cheque).
- Não à ordem: Circula por meio de cessão civil. Aquele que transfere por meio de cessão civil não responde pelo pagamento ou solvência, respondendo somente pela existência do direito cedido.
Observação: Se o cheque for à ordem e houver transferência por reendosso, quem endossou responderá também pelo pagamento; se for cessão civil, não há responsabilidade pelo pagamento.
Diferença entre aval e fiança
Aval | Fiança |
Somente pode ser dado no próprio título de crédito. | É prestada em contrato. |
É autônomo (em caso de morte, incapacidade ou falência do avalizado, o avalista continua sendo responsável). | É acessória (em caso de morte, incapacidade ou falência do afiançado, o fiador deixa de responder). |
Não tem benefício de ordem. | Possui benefício de ordem. |
Nota promissória — conceito
Conceito: Promessa de pagamento.
Figuras:
- a) Promitente (subscritor ou emitente) = devedor principal;
- b) Tomador/beneficiário = credor;
- c) Endosso/aval = garante o pagamento da dívida.
Observação: Vinculação da nota promissória ao contrato: o título deixa de possuir autonomia quando vinculado; a vinculação precisa constar também no título (princípio da literalidade).
Cheque
É uma ordem de pagamento à vista, incondicional, contra um banco, em razão de provisão do emitente, proveniente de depósito bancário ou de abertura de crédito.
Figuras:
- a) Sacador: correntista;
- b) Sacado: banco ou instituição financeira;
- c) Beneficiado: credor do cheque.
Requisitos
- Denominação "cheque" escrita no contexto do título;
- Ordem incondicional de pagar quantia determinada;
- Nome do banco ou instituição financeira que deve pagar o cheque;
- Indicação do lugar de pagamento;
- Indicação da data de sua emissão;
- Assinatura do seu emitente ou do seu mandatário e indicação dos poderes especiais, quando for o caso.
Observação: Se o credor preencher o cheque em branco, desde que de boa-fé, será admitida sua cobrança ou protesto.
Cheque pré-datado e pós-datado
Considera-se que o cheque pré-datado, quando levado a desconto no banco, será pago. Se voltar sem fundos, pode ser protestado e executado. Essa conduta pode configurar ato desleal ou desonesto, violando a boa-fé e podendo gerar danos morais.
Súmula 370 do STJ: Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado (dano moral presumido).
Súmula 388 do STJ: A simples devolução indevida do cheque caracteriza dano moral, ou seja, se houver devolução indevida, o dano moral é presumido.
Duplicatas
Conceito: É um título de crédito à ordem, emitido pelo vendedor ou prestador de serviço, que visa documentar o saque fundado sobre crédito decorrente de compra e venda mercantil ou prestação de serviços, tendo como pressuposto a emissão de uma fatura.
Ordem de pagamento — figuras:
- Sacador: o vendedor ou prestador de serviço que emite a duplicata;
- Sacado: quem recebe a ordem — comprador ou tomador do serviço;
- Tomador/beneficiário: o primeiro credor do título — vendedor ou prestador de serviço.
Aceite — obrigatório.
Hipóteses legais de recusa do aceite
- Em caso de avaria, não recebimento ou prestação de serviço;
- Em caso de vício/defeito de quantidade ou qualidade do produto ou serviço;
- Divergência quanto ao prazo, preço ou condições de pagamento.
Em caso de recusa imotivada do aceite, o aceite poderá ser presumido, desde que exista comprovação da entrega do produto ou da prestação do serviço que fundamenta a duplicata.