Classificação e Cuidados com Feridas Cirúrgicas

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Classificação da ferida cirúrgica

1. Quanto ao agente causador

  • Incisas ou cirúrgicas: São feridas limpas produzidas por um instrumento cortante, fechadas por suturas. Os agentes utilizados são bisturi, faca ou lâmina;
  • Contusas: São lesões causadas por traumatismo dos tecidos moles provocado por objeto, sendo caracterizadas por hemorragia e edema;
  • Lacerantes: São ferimentos caracterizados por margens irregulares provocadas por lesão de tração, evidenciando um rasgo ou arrancamento tecidual;
  • Perfurantes: São lesões caracterizadas por pequenas aberturas na pele com um predomínio da profundidade sobre o comprimento, como ferimentos provocados por armas de fogo ou ponta de faca.

2. Quanto ao grau de contaminação

  • Limpas: Não apresentam sinais de infecção. A probabilidade de ocorrência de infecção nas feridas limpas é bem baixa, cerca de 1 a 5%. Exemplo: feridas produzidas em ambiente cirúrgico;
  • Limpas-contaminadas: Ocorridas no ambiente doméstico ou feridas cirúrgicas que atingem os tratos respiratório, digestivo, urinário e genital. No entanto, em situações controladas, o risco de infecção não ultrapassa 10%;
  • Contaminadas: Feridas acidentais com mais de seis horas de trauma ou que tiveram contato com substâncias contaminadas como terra e fezes. Apresentam índice de infecção entre 20 a 30%. Exemplo: cirurgias que não respeitaram a técnica asséptica;

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Infectadas: Apresentam sinais nítidos de infecção.

3. Quanto ao comprometimento tecidual

  • Estágio I: Não há perda tecidual, comprometimento apenas da epiderme;
  • Estágio II: Há perda tecidual com o comprometimento da epiderme, derme ou ambas;
  • Estágio III: Comprometimento total da pele e necrose de tecido subcutâneo, porém não atinge a fáscia muscular;
  • Estágio IV: Há grande destruição de tecido, chegando a ocorrer lesão óssea ou muscular.

Cicatrização

O tipo de cicatrização que ocorrerá no tecido lesionado depende da extensão da lesão e da presença ou não de infecção no local. A classificação é a seguinte:

  • Primeira intenção: Não há presença de infecção e as bordas da ferida estão próximas ou aproximadas para ocorrer a cicatrização. Não há perda de tecido ou há perda mínima. Presença mínima de edema. A formação do tecido de granulação não é visível;
  • Segunda intenção: Pode ter ou não infecção. No entanto, não é possível aproximar as bordas da ferida, que deverão permanecer abertas para que ocorra a contração e epitelização;
  • Terceira intenção: Presença de infecção na ferida, a qual é mantida aberta e somente após o tratamento adequado deverá ser feita a aproximação das margens da ferida.

A cicatrização pode ser obstruída por fatores gerais, relacionados às condições clínicas do paciente, ou por fatores locais, relacionados às condições da ferida e técnica cirúrgica envolvida. Alguns fatores locais são: vascularização das bordas da ferida, grau de contaminação da ferida e tratamento adotado no tratamento da ferida. (Pedroso, 2015)

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Fatores que podem comprometer a ferida

  • Infecção: Deve-se observar o aspecto da lesão, buscando sinais de infecção, tais como: coloração avermelhada, endurecimento, drenagem de secreções, edema e calor no local, dor exagerada no local da incisão e febre;
  • Hemorragia: Poderá ocorrer hemorragia decorrente de lesão dos vasos sanguíneos. Podem ser internas e externas, dependendo da região afetada. Hemorragias internas normalmente necessitam de cuidados mais emergenciais, pois podem ter um volume de sangue muito elevado. Nas hemorragias externas, deve-se fazer compressão no local ou um curativo compressivo até a chegada de um médico;
  • Deiscência e evisceração: A deiscência ocorre quando os pontos da ferida operatória se rompem. Quando este rompimento ocorre na totalidade da sutura, poderá ocorrer evisceração. A evisceração é mais comum em cirurgias de abdome, onde há a saída abundante de líquido da cavidade abdominal.

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Cuidados

A ferida deve ser lavada com água corrente e sabonete neutro e secada com toalha macia, sem movimentos de fricção ou pressão sobre o local. Não há necessidade de utilizar qualquer antisséptico, somente manter o local limpo e seco, pois a oxigenação favorece a cicatrização. Quando se utiliza curativo, os que são impermeáveis permitem que o paciente possa banhar-se sem se preocupar em molhar a ferida operatória, podendo ser mantidos por até sete dias. Os sinais de infecção, hemorragias, deiscência e evisceração devem ser observados. O paciente deve usar roupas confortáveis para que não haja pressão sobre o local. A retirada dos pontos poderá ser feita pelo médico assistente ou em um serviço de saúde.

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