Cognição Social: Processos Fundamentais e Formação de Impressões
Classificado em Psicologia e Sociologia
Escrito em em
português com um tamanho de 4,63 KB
Cognição Social: Processos Fundamentais
Os processos fundamentais da cognição social são: as impressões, as expectativas e as atitudes.
Compreender a cognição social é essencial, pois ela representa a forma como encaramos o mundo, a nós próprios e como interagimos com os outros. A cognição social é o conjunto de processos subjacentes ao modo como percebemos o mundo social.
Formação das Impressões
A impressão é uma imagem ou ideia sobre uma pessoa, criada a partir de características e indícios captados no primeiro contacto. Estas noções criam um quadro interpretativo para avaliarmos os outros.
Neste processo, escolhemos as características mais significativas em determinados momentos e situações. A produção da impressão é mútua: os outros também criam uma impressão sobre nós, influenciando o nosso comportamento recíproco.
As impressões formam-se através de um processo de organização da informação sobre outra pessoa, integrando-a numa categoria significativa. Na base da formação das impressões está a interpretação, onde percecionamos o outro através de uma grelha de avaliação baseada nos nossos conhecimentos, valores e experiências pessoais.
Indícios na Formação de Impressões
Alguns indícios ajudam a formar uma impressão de uma pessoa num primeiro encontro:
- Indícios físicos: Remetem a características como altura, peso ou cor do cabelo (alto, baixo, magro, loiro).
- Indícios verbais: O modo como a pessoa fala, como o vocabulário utilizado ou a adjetivação.
- Indícios não verbais: A forma como a pessoa se veste ou gesticula durante a fala.
- Indícios comportamentais: Conjuntos de comportamentos observados que permitem a classificação. A interpretação destes varia: por exemplo, uma mulher com muita maquilhagem pode ser vista como cuidada ou fútil, dependendo da experiência pessoal do observador.
A partir destes indícios, formamos uma impressão global, atribuindo à pessoa uma categoria socioeconómica, cultural e um determinado estatuto social.
Efeito das Primeiras Impressões
A primeira impressão tem a maior influência nas nossas perceções. A ordem pela qual conhecemos as características de alguém é crucial para a categorização global que fazemos.
Uma característica marcante das primeiras impressões é a sua persistência. É muito difícil alterar a nossa perceção inicial, mesmo quando recebemos informações contraditórias. Há uma tendência a rejeitar informações que contrariem a impressão formada e a valorizar as que a confirmam.
Thurstone designou este fenómeno como efeito de halo: uma vez criada uma impressão global, tendemos a focar nas características que a confirmam. Se avaliamos alguém como honesto, associamos automaticamente características positivas como leal, sociável e simpático.
Expectativas, Estatuto e Papel
As expectativas são modos de categorizar pessoas através de informações, prevendo os seus comportamentos e atitudes. São mútuas: o outro também desenvolve expectativas em relação a nós.
As expectativas dizem respeito aos conjuntos de comportamentos que esperamos daqueles que nos rodeiam, em função dos seus estatutos/papéis sociais. A cada estatuto corresponde um papel, que define os comportamentos esperados de alguém com um determinado cargo ou posição. Estatuto e papel complementam-se, e as expectativas criam-se com base no conhecimento do estatuto alheio.
Expectativas como Autorrealização de Profecias
As expectativas afetam a forma como os outros interagem connosco, influenciando a nossa autoimagem e comportamento.
Experiências demonstraram que expectativas positivas geram comportamentos positivos, e as negativas geram comportamentos negativos: a profecia autorrealizava-se. Por exemplo, se um homem era informado de que falaria com uma mulher"meiga e bonit", a conversa inicial era mais simpática, e a mulher respondia de forma mais alegre, mesmo sem saber da informação prévia.
Psicólogos constataram que expectativas elevadas sobre alunos podem influenciar positivamente o seu rendimento, produzindo a autorrealização de profecias. Este fenómeno é também designado por “efeito de Pigmalião”, referindo-se às consequências que advêm do processo profético.