Comércio e Demografia da Espanha — Exportações e Indicadores

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O Comércio

2. O comércio é a troca de bens e serviços de um país com o resto do mundo.

Exportação e Importação

Exportação: vendas de produtos nacionais no exterior.

Importação: compra de produtos estrangeiros pelo país.

Exportações, importações e saldo comercial

a) Exportações aumentaram. O maior valor corresponde a equipamentos, indústria automotiva e à exportação de alimentos. Comunidades com maior peso nas exportações: Catalunha, Madrid e Valência.

b) Importações também aumentaram devido à expansão da procura interna. Produtos notáveis nas importações: equipamentos, produtos energéticos e setor automotivo. Comunidades que mais importam: Catalunha, Madrid e Andaluzia.

c) Saldo comercial é o equilíbrio entre exportações e importações. Observa‑se déficit em quase todos os tipos de produtos, nomeadamente em bens de consumo e alimentação automóvel. Desde 2004, o saldo tem sido negativo em muitos setores. Saldos negativos relevantes ocorrem em Madrid, Catalunha e Andaluzia.

Áreas do comércio exterior

A) Comércio na Europa: o comércio mais importante está, desde 1986, concentrado nos países da UE, tanto nas importações quanto nas exportações. A balança comercial em Espanha apresenta défice devido à menor competitividade de alguns produtos.

B) Comércio com o resto do mundo: as importações provenientes da Ásia são importantes, principalmente da China, e também de países da OPEP. Comércio com a América Latina e África tem importância moderada. Comércio com a Oceania é pouco significativo.

Política de comércio exterior

A política externa é determinada pela relevância da UE, que implica circulação livre de pessoas, bens, capitais e serviços entre os seus membros, uma tarifa comum de importação para países terceiros e acordos com a Organização Mundial do Comércio, que promove a liberalização do comércio mundial. O objetivo é promover as exportações por meio da promoção no exterior das empresas e produtos espanhóis, definindo certos países prioritários para atuação comercial.

Indicadores Demográficos

Taxa de natalidade = nascimentos num ano x 1.000 / população total = 10,95 ‰

Taxa de mortalidade = óbitos num ano x 1.000 / população total = 8,57 ‰

Taxa de mortalidade infantil = crianças < 1 ano que morreram num ano x 1.000 / nascidos vivos = 3,7 ‰

Variação natural = taxa de natalidade − taxa de mortalidade = 2,38 ‰. A taxa pode variar (ex.: por aumento de catástrofes naturais) e valores médios podem situar‑se entre 10 a 20 ‰ em contextos específicos.

Taxa de fertilidade = nascimentos num ano x 1.000 / número de mulheres entre 15 e 49 anos. Valores altos, médios e baixos são usados para referência: alto > 150 (por 1000), médio 75–150, baixo < 20 (nota: escalas de referência podem variar consoante a fonte).

Taxa de fertilidade total: valor de substituição aproximado é 2,1 filhos por mulher. Classificações: alto ≈ 3,5+, médio 2,1–3,5, baixo < 2.

Esperança de vida = soma de anos vividos pelos membros de uma coorte / número de indivíduos dessa coorte. Valores de referência: baixo < 60 anos, médio 60–70 anos, acrescento em torno de 70 anos.

Esperança de vida (2007): Total: 80,94; Mulheres: 84,10; Homens: 77,76.

Índice sintético de fecundidade (2008): 1,458 filhos por mulher.

Taxa de fecundidade (2008): 45,15 ‰ (comparativo: 35,45 ‰ em 1998).

Transições e Regimes Demográficos

Antigo regime demográfico

O Antigo Regime Demográfico abrange desde o período tradicional até o início do século XX. Caracteriza‑se por altas taxas de natalidade e mortalidade e baixo crescimento natural. A economia era predominantemente rural, com mão de obra agrícola e famílias numerosas. Existia elevada mortalidade devido a falta de eficácia dos sistemas de controlo de nascimentos, atraso nas idades de casamento em alguns contextos, níveis de vida baixos, desnutrição e dietas desequilibradas (ex.: baseadas em pão). As condições sanitárias eram precárias e as doenças infecciosas (tuberculose, bronquite, pneumonia, gripe, diarreias) provocavam elevada mortalidade. A ausência de infraestruturas de água e saneamento, epidemias, guerras e más colheitas contribuíam para mortalidade catastrófica e baixa esperança de vida.

Transição demográfica

Transição demográfica — período de queda progressiva da mortalidade seguido da queda da natalidade, com mudança nos padrões de crescimento natural. Conclusão parcial do processo entre cerca de 1900 e 1975.

Detalhes cronológicos: a queda das taxas de nascimento evoluiu de forma irregular; a década de 1920 conheceu prosperidade e recuperação dos nascimentos. A crise de 1929 e o período da Segunda República e a Guerra Civil (1936–1939) reduziram as taxas de natalidade. No pós‑guerra (1940–1955) as taxas variaram devido à situação política (exílio, repressão) e políticas económicas. O primeiro período de desenvolvimento (1956–1965) correspondeu a um baby boom e recuperação dos nascimentos; o segundo período de desenvolvimento (1965–1975) alterou modos de vida, com industrialização e urbanização.

Mortalidade decresceu de forma significativa e consistente: progressos em vacinas e antibióticos, redução das epidemias (exceto a gripe de 1918), melhoria nos serviços de saúde, partos hospitalares, expansão da Segurança Social, melhorias em saneamento e higiene, melhor alimentação a partir dos anos 1960, e avanços em pediatria e cuidados infantis. Resultado: aumento da esperança de vida e declínio da mortalidade infantil e materna. Conclusão: alto crescimento populacional entre 1920 e 1965, apesar de factores como a guerra civil e a emigração.

Regime demográfico atual (1975 – presente)

Caracteriza‑se por baixas taxas de natalidade e mortalidade, com crescimento natural reduzido.

a) 1975–1998: período marcado por uma forte queda das taxas de natalidade (ex.: 9,19 ‰ em 1996). Mudança de atitudes e valores, alterações na participação laboral feminina, desemprego e melhoria dos padrões de vida influenciaram a natalidade.

b) 1998 – atual: ligeira recuperação das taxas de natalidade (ex.: 11,38 ‰ em 2008). Influência da imigração e melhoria económica relativa; contudo, as taxas mantêm‑se baixas. A mortalidade aumenta ligeiramente devido ao envelhecimento da população. As causas principais de mortalidade são: doenças cardiovasculares, cancro, acidentes de viação, consumo de álcool, tabagismo e drogas. O envelhecimento demográfico explica o aumento da prevalência de doenças crónicas como Alzheimer.

Migração

Migração interna (histórica): fases principais em Espanha incluem meados do século XIX até à Guerra Civil (1939); desde a Guerra Civil até ao Plano de Estabilização (1959); e do Plano de Estabilização até 1975; e de 1975 até ao presente. A migração interna teve consequências residenciais (urbanização e abandono do interior), pendulares (deslocações diárias), laborais e demográficas, alterando estruturas etárias e espaciais tanto nas regiões de origem como nos destinos.

Migração externa: desde 1830 houve emigração para o Norte de África (destinos mediterrâneos como Oran e Argel), para os Estados Unidos (desde meados do século XIX até à Guerra Civil espanhola), e para a Europa (especialmente desde meados do século XIX e intensificado nos anos 1950–1973). No pós‑guerra, houve exílios políticos e movimentos de trabalhadores para a indústria; desde 1960, trabalhadores industriais e técnicos emigraram para países europeus.

Migração em Espanha (situação recente)

Três tipos de residentes por nacionalidade:

  • Españóis de nacionalidade espanhola;
  • Estrangeiros com autorização de residência;
  • Estrangeiros em situação irregular.

Principais nacionalidades de imigrantes: Marrocos, Equador, Colômbia, Bolívia, Argentina. Comunidade importante: Roménia (a maior colónia de estrangeiros em Espanha). Também presentes: Reino Unido, Alemanha, Itália, França.

Comunidades autonómicas com maior presença de imigrantes (habitação): 1. Catalunha; 2. Comunidade de Madrid; 3. Comunidade Valenciana.

Consequências da imigração:

  • Demográficas: aumento real do crescimento e rejuvenescimento da população;
  • Económicas: aumento das contribuições para a Segurança Social e aumento de despesas em educação e saúde;
  • Sociais: desafios e oportunidades das sociedades multiculturais e multiétnicas;
  • Políticas: controlo da imigração irregular e promoção de políticas de integração.

Crescimento Real e Distribuição Espacial

Crescimento real da população espanhola = crescimento natural + saldo migratório líquido. Tendência ascendente: entre 1998 e 2008 a população espanhola cresceu cerca de 6,1 milhões de pessoas. A população atual de Espanha ultrapassa os 46 milhões.

Distribuição espacial — densidade populacional = população total / área (hab/km²). Em 2008, a densidade foi de 90,9 hab/km². Grandes contrastes decorrentes da migração interna e alterações na estrutura etária: Madrid com 778,7 hab/km²; regiões interiores com forte despovoamento (ex.: 25,6 hab/km²).

Estrutura Económica e Mercado de Trabalho

A estrutura económica da população ocupada em Espanha (valores aproximados):

  • Setor primário: 4,2% da população ocupada;
  • Setor secundário: 28,4% da população ocupada;
  • Setor terciário: 67,4% da população ocupada.

Principais problemas laborais e sociais:

  • Maior desemprego entre mulheres em alguns grupos (taxa masculina e feminina podem diferir por setor);
  • Elevada taxa de desemprego juvenil e desemprego de longa duração (40–50 anos);
  • Aumento do desemprego entre os menos escolarizados;
  • Distribuição espacial desigual do emprego; regiões menos dinâmicas têm maior proporção de população jovem no setor primário.

Projeções e Futuro da População Espanhola

As projeções demográficas apresentam incertezas, mas indicam:

  • Progressivo envelhecimento da população (estima‑se que um terço da população poderia ser idoso até 2060);
  • Possível ligeiro aumento da natalidade associado à imigração;
  • Aumento da esperança de vida;
  • Imigração poderá continuar a crescer, embora possa ser desacelerada por crises económicas.

Nota: alguns valores numéricos e termos referidos no original (ex.: "2,06 bilhões. 52") foram mantidos tal como apareciam, respeitando a instrução de não remover conteúdo, apesar de exigirem confirmação ou clarificação de fonte para uso estatístico rigoroso.

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