Comportamento e Saúde Mental no Trabalho — Teorias e Impactos

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Behaviorismo — comportamento observável

Behaviorismo — o objeto de estudo é o comportamento observável do ser humano, externalizável: o que posso ver. Existem dois tipos principais: respondente, que é o comportamento involuntário, fisiológico, resposta a um estímulo do ambiente (primeiro vem o estímulo, depois a resposta); e operante, que é uma ação deliberada — eu ajo visando obter uma recompensa.

Condicionamento

Condicionamento — é um processo de aprendizagem: aprende-se a emitir uma resposta involuntária diante de um estímulo que antes não causava resposta.

Influências ambientais na saúde mental (Warr)

Segundo Warr, a sensação de bem‑estar proveniente do trabalho precisa ser compreendida em termos dos determinantes ambientais gerais da saúde mental. Warr cita que são nove determinantes; abaixo seguem os itens apresentados no conteúdo original:

  1. Oportunidade de controle - A saúde mental está ligada às oportunidades que o ambiente oferece a uma pessoa para controlar atividades e eventos. É melhorada por ambientes que promovem o controle pessoal, com dois elementos principais: a oportunidade de decidir e agir de maneira escolhida e o potencial de predizer as consequências da ação.
  2. Oportunidade de usar a habilidade - Até que ponto o ambiente inibe ou encoraja a utilização e o desenvolvimento das habilidades. As restrições podem ser de dois tipos: impedir as pessoas de usar as habilidades que já possuem, permitindo apenas rotinas, e restringir a aquisição de novas habilidades.
  3. Metas geradas externamente - Um ambiente que nada exige da pessoa não oferece desafios nem incentiva atividades ou realizações. Inversamente, um ambiente que encoraja a determinação e a busca de metas gera impacto positivo na saúde mental.
  4. Variedade ambiental - A exigência de atividade repetitiva não contribui para a saúde mental; atividades que introduzem novidades e quebram a rotina influenciam favoravelmente.
  5. Transparência organizacional - Até que ponto o ambiente organizacional é transparente. A transparência inclui dois componentes: feedback sobre as consequências das próprias ações e clareza dos requisitos do papel e das expectativas normativas sobre o comportamento; é importante que os padrões sejam explícitos e aceitos no ambiente.
  6. Disponibilidade de dinheiro - A presença de dinheiro não assegura a saúde mental, mas a sua ausência muitas vezes produz sérios problemas psicológicos.

Bem‑estar, competência, autonomia e aspiração

Bem‑estar — é o equilíbrio entre prazer e excitação. Somente excitação é ansiedade; só prazer não é bem‑estar.

Competência — doença não é um estado paralisado, é um processo dinâmico. Competência significa que, após adoecer, a pessoa tem recursos para voltar a ficar saudável.

Autonomia — refere‑se à capacidade da pessoa de enfrentar as influências ambientais e de determinar suas próprias opiniões e ações.

Aspiração — estabelecer metas e esforçar‑se para atingi‑las; um dos principais sintomas da depressão é a ausência de aspiração.

Funcionamento integrado — equilíbrio entre bem‑estar, competência, autonomia e aspiração.

Consequências do estresse na organização

Consequências do estresse na organização — absenteísmo (faltas ao trabalho), queda de produtividade, conflitos interpessoais, desmotivação, vandalismo, abuso de substâncias.

Espaço público como recurso humano (Dejours)

Espaço público como recurso humano segundo Dejours — a psicopatologia do trabalho ressalta a importância do espaço público como fator capaz de reconstituir condutas individuais e mobilizar a criatividade investida no trabalho. O espaço público pode ser fundamental na resolução do conflito entre organização e mente humana, entre organização e sofrimento no trabalho, servindo para descarregar conflitos.

Senso comum e conhecimento científico

Senso comum — é o conhecimento do dia a dia fundamentado apenas na experiência cotidiana.

Conhecimento científico — algo comprovado cientificamente, testado e experimentado várias vezes; é especialmente importante na gestão de Recursos Humanos em organizações.

Psicologia como ciência

Psicologia é uma ciência — desenvolve um método: delimitar um objeto de estudo, fazer experiências, criar teorias e tentar prová‑las. É formada pela união de várias abordagens. Freud estuda o inconsciente; para Carl Rogers o centro é o Eu; para Skinner é o comportamento humano externalizável. A psicologia tenta responder à pergunta: quem é você? o que fez você ser você? como você é?

Subjetividade e autoconhecimento

Subjetividade — é o Eu individual, o conceito do Eu singular; objeto de estudo da psicologia por meio da nossa história de vida.

Bergamini — diz que quando me conheço melhor, tenho maior autoconhecimento dos meus processos psicológicos e da minha história de vida, consigo enfrentar os desafios da vida de maneira mais adequada, melhorando a qualidade de vida.

Importância da psicologia nas organizações

Importância da psicologia nas organizações — se eu sei o que gera bem‑estar ou mal‑estar para o sujeito do ponto de vista psicológico, e sei que o ambiente organizacional, o tipo de gerenciamento, a liderança e as relações geram mal‑estar, é natural aplicar esse conhecimento na empresa para promover saúde.

Personalidade

Personalidade — manifestação da subjetividade; nosso comportamento começa a se formar desde o nascimento. Ambiente e genética podem comprometer o desenvolvimento da personalidade. 'Personalidade' vem de 'persona', que significa máscara. Há três tipos de barreiras que podem impedir o desenvolvimento da personalidade: barreiras situacionais (relacionadas ao ambiente), intrapessoais (dentro da própria pessoa, por exemplo deficiência física) e interpessoais (entre pessoas — relacionamentos que afetam a personalidade).

Percepção, sensação e fenômenos relacionados

Percepção — é um processo cognitivo de interpretação das sensações; é o local onde podem ocorrer distúrbios, pois nem tudo que percebemos é real.

Sensação — processo de detecção e recepção dos estímulos nos órgãos dos sentidos; é puramente fisiológica. Exemplo: o perfume que permanece na sua roupa; a sensação forneceu a informação simples do odor, a percepção interpretou‑o e deu sentido; você pode associá‑lo a alguém especial e produzir bem‑estar.

  • Estereótipos: interpretação padrão.
  • Efeito halo: quando uma característica positiva ou negativa de uma pessoa domina a avaliação das demais características.
  • Percepção seletiva: ocorre quando qualquer característica que se sobressaia aumenta a probabilidade de ser percebida.
  • Efeito contraste: a percepção pode ser influenciada por pessoas percebidas anteriormente.
  • Projeção: ocorre quando o percebedor atribui à pessoa percebida suas próprias características pessoais.

Inteligência — é a capacidade de resolver problemas; é a forma intelectual de compreender o mundo, que diferencia as pessoas entre si.

QI = (Idade Mental / Idade Cronológica) × 100. Intervalos aproximados: 90 < IM < 120 — faixa considerada média.

Emoções e níveis de consciência

Emoções — experiência subjetiva associada à personalidade de cada um, baseando‑se em três aspectos: cognitivo (determina a intensidade da resposta emocional), fisiológico (mudanças físicas internas resultantes do alerta emocional) e comportamental (sinais exteriores das emoções vivenciadas).

Objeto de estudo da psicanálise: o inconsciente

Objeto de estudo da psicanálise — o inconsciente. Freud determina que o homem tem duas naturezas: a natureza animal (Id) e a natureza social ou cultural (Ego).

Consciente — tudo aquilo de que estamos cientes no momento.

Pré‑consciente — memórias que podem tornar‑se conscientes.

Inconsciente — memórias e desejos reprimidos que não podem tornar‑se conscientes; não temos acesso direto ao inconsciente.

Estrutura da psique (Freud)

Id — fonte da energia psíquica; estrutura biológica; fonte das pulsões (instintos); opera pelo princípio do prazer.

Ego — responsável pelo contato do indivíduo com a realidade; opera pelo princípio da realidade; controla os impulsos do Id e controla todas as funções cognitivas: pensar, perceber, raciocinar, planejar.

Superego — representante interno das normas sociais e da lei; 'consciência moral'; responsável pela autopunição; herdeiro do complexo de Édipo; também controla impulsos do Id.

Conceitos freudianos e mecanismos

Instinto — soma das energias que dirigem processos psicológicos.

Desejo — sintoma de privação, busca de uma falta.

Necessidade — nasce de um estado de tensão interna (por exemplo, fome).

Recalque — operação pela qual o indivíduo procura manter no inconsciente representações (pensamentos, imagens, recordações).

Sublimação — deslocamento de energia de um objeto de natureza sexual para um objeto de natureza cultural, ocasionando prazer e diminuindo a tensão.

Desenvolvimento psicossexual (Freud)

Investimento da energia sexual (libido) em determinadas zonas do corpo (zonas erógenas):

  • Fase oral (até 1 ano) — a libido está investida na zona erógena da boca.
  • Fase anal (1 a 3 anos) — a libido investe a zona anal.
  • Fase fálica (3 a 5 anos) — considerada muito importante no desenvolvimento psicossexual.
  • Fase genital — a libido investe a zona dos órgãos genitais.

Complexo de Édipo — relacionado ao desenvolvimento na infância; seguem fases de latência e fase genital (puberdade/adulto).

Transtornos e sofrimento psíquico

2. Transtornos de personalidade e classificações (apresentadas no material):

  • Neurose — não há perda da personalidade nem perda do contato com a realidade. Exemplos: ansiedade, fobias, obsessões/compulsões.
  • Psicose — há perda da personalidade e do contato com a realidade. Exemplos: esquizofrenia; transtorno maníaco‑depressivo (bipolar); paranóia.
  • Psicopatia — distúrbio da personalidade sem perda do contato com a racionalidade; manifesta desprezo pelos outros e pelas normas sociais.

O que causa transtornos/sofrimentos? — a tensão causada pelo acúmulo de energia no inconsciente reprimida pelo ego. A energia psíquica tem origem sexual, e na vida adulta essa energia precisa ser redirecionada para o ego (formas socialmente aceitáveis, de natureza cultural).

Alienação do trabalho e sofrimento

Alienação do trabalho — quando o trabalhador não consegue se identificar com seu trabalho (por exemplo, não sabe quanto vale aquele produto).

Trabalho que gera sofrimento — tarefas repetitivas, rotineiras, sem sentido, alienadas, simplificadas, rigidamente organizadas; existe diferença entre o trabalho ideal e o trabalho real.

Dicotomia entre trabalho de concepção e trabalho de execução — o trabalho mental e intelectual (realizado pelo gerente) versus o trabalho de execução (realizado diretamente pelo trabalhador).

Separação entre trabalho ideal e real

Separação entre o trabalho ideal e o real

Quando dou poder de decisão, melhora essa diferença.

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