Comportamento e Saúde Mental no Trabalho — Teorias e Impactos
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Behaviorismo — comportamento observável
Behaviorismo — o objeto de estudo é o comportamento observável do ser humano, externalizável: o que posso ver. Existem dois tipos principais: respondente, que é o comportamento involuntário, fisiológico, resposta a um estímulo do ambiente (primeiro vem o estímulo, depois a resposta); e operante, que é uma ação deliberada — eu ajo visando obter uma recompensa.
Condicionamento
Condicionamento — é um processo de aprendizagem: aprende-se a emitir uma resposta involuntária diante de um estímulo que antes não causava resposta.
Influências ambientais na saúde mental (Warr)
Segundo Warr, a sensação de bem‑estar proveniente do trabalho precisa ser compreendida em termos dos determinantes ambientais gerais da saúde mental. Warr cita que são nove determinantes; abaixo seguem os itens apresentados no conteúdo original:
- Oportunidade de controle - A saúde mental está ligada às oportunidades que o ambiente oferece a uma pessoa para controlar atividades e eventos. É melhorada por ambientes que promovem o controle pessoal, com dois elementos principais: a oportunidade de decidir e agir de maneira escolhida e o potencial de predizer as consequências da ação.
- Oportunidade de usar a habilidade - Até que ponto o ambiente inibe ou encoraja a utilização e o desenvolvimento das habilidades. As restrições podem ser de dois tipos: impedir as pessoas de usar as habilidades que já possuem, permitindo apenas rotinas, e restringir a aquisição de novas habilidades.
- Metas geradas externamente - Um ambiente que nada exige da pessoa não oferece desafios nem incentiva atividades ou realizações. Inversamente, um ambiente que encoraja a determinação e a busca de metas gera impacto positivo na saúde mental.
- Variedade ambiental - A exigência de atividade repetitiva não contribui para a saúde mental; atividades que introduzem novidades e quebram a rotina influenciam favoravelmente.
- Transparência organizacional - Até que ponto o ambiente organizacional é transparente. A transparência inclui dois componentes: feedback sobre as consequências das próprias ações e clareza dos requisitos do papel e das expectativas normativas sobre o comportamento; é importante que os padrões sejam explícitos e aceitos no ambiente.
- Disponibilidade de dinheiro - A presença de dinheiro não assegura a saúde mental, mas a sua ausência muitas vezes produz sérios problemas psicológicos.
Bem‑estar, competência, autonomia e aspiração
Bem‑estar — é o equilíbrio entre prazer e excitação. Somente excitação é ansiedade; só prazer não é bem‑estar.
Competência — doença não é um estado paralisado, é um processo dinâmico. Competência significa que, após adoecer, a pessoa tem recursos para voltar a ficar saudável.
Autonomia — refere‑se à capacidade da pessoa de enfrentar as influências ambientais e de determinar suas próprias opiniões e ações.
Aspiração — estabelecer metas e esforçar‑se para atingi‑las; um dos principais sintomas da depressão é a ausência de aspiração.
Funcionamento integrado — equilíbrio entre bem‑estar, competência, autonomia e aspiração.
Consequências do estresse na organização
Consequências do estresse na organização — absenteísmo (faltas ao trabalho), queda de produtividade, conflitos interpessoais, desmotivação, vandalismo, abuso de substâncias.
Espaço público como recurso humano (Dejours)
Espaço público como recurso humano segundo Dejours — a psicopatologia do trabalho ressalta a importância do espaço público como fator capaz de reconstituir condutas individuais e mobilizar a criatividade investida no trabalho. O espaço público pode ser fundamental na resolução do conflito entre organização e mente humana, entre organização e sofrimento no trabalho, servindo para descarregar conflitos.
Senso comum e conhecimento científico
Senso comum — é o conhecimento do dia a dia fundamentado apenas na experiência cotidiana.
Conhecimento científico — algo comprovado cientificamente, testado e experimentado várias vezes; é especialmente importante na gestão de Recursos Humanos em organizações.
Psicologia como ciência
Psicologia é uma ciência — desenvolve um método: delimitar um objeto de estudo, fazer experiências, criar teorias e tentar prová‑las. É formada pela união de várias abordagens. Freud estuda o inconsciente; para Carl Rogers o centro é o Eu; para Skinner é o comportamento humano externalizável. A psicologia tenta responder à pergunta: quem é você? o que fez você ser você? como você é?
Subjetividade e autoconhecimento
Subjetividade — é o Eu individual, o conceito do Eu singular; objeto de estudo da psicologia por meio da nossa história de vida.
Bergamini — diz que quando me conheço melhor, tenho maior autoconhecimento dos meus processos psicológicos e da minha história de vida, consigo enfrentar os desafios da vida de maneira mais adequada, melhorando a qualidade de vida.
Importância da psicologia nas organizações
Importância da psicologia nas organizações — se eu sei o que gera bem‑estar ou mal‑estar para o sujeito do ponto de vista psicológico, e sei que o ambiente organizacional, o tipo de gerenciamento, a liderança e as relações geram mal‑estar, é natural aplicar esse conhecimento na empresa para promover saúde.
Personalidade
Personalidade — manifestação da subjetividade; nosso comportamento começa a se formar desde o nascimento. Ambiente e genética podem comprometer o desenvolvimento da personalidade. 'Personalidade' vem de 'persona', que significa máscara. Há três tipos de barreiras que podem impedir o desenvolvimento da personalidade: barreiras situacionais (relacionadas ao ambiente), intrapessoais (dentro da própria pessoa, por exemplo deficiência física) e interpessoais (entre pessoas — relacionamentos que afetam a personalidade).
Percepção, sensação e fenômenos relacionados
Percepção — é um processo cognitivo de interpretação das sensações; é o local onde podem ocorrer distúrbios, pois nem tudo que percebemos é real.
Sensação — processo de detecção e recepção dos estímulos nos órgãos dos sentidos; é puramente fisiológica. Exemplo: o perfume que permanece na sua roupa; a sensação forneceu a informação simples do odor, a percepção interpretou‑o e deu sentido; você pode associá‑lo a alguém especial e produzir bem‑estar.
- Estereótipos: interpretação padrão.
- Efeito halo: quando uma característica positiva ou negativa de uma pessoa domina a avaliação das demais características.
- Percepção seletiva: ocorre quando qualquer característica que se sobressaia aumenta a probabilidade de ser percebida.
- Efeito contraste: a percepção pode ser influenciada por pessoas percebidas anteriormente.
- Projeção: ocorre quando o percebedor atribui à pessoa percebida suas próprias características pessoais.
Inteligência — é a capacidade de resolver problemas; é a forma intelectual de compreender o mundo, que diferencia as pessoas entre si.
QI = (Idade Mental / Idade Cronológica) × 100. Intervalos aproximados: 90 < IM < 120 — faixa considerada média.
Emoções e níveis de consciência
Emoções — experiência subjetiva associada à personalidade de cada um, baseando‑se em três aspectos: cognitivo (determina a intensidade da resposta emocional), fisiológico (mudanças físicas internas resultantes do alerta emocional) e comportamental (sinais exteriores das emoções vivenciadas).
Objeto de estudo da psicanálise: o inconsciente
Objeto de estudo da psicanálise — o inconsciente. Freud determina que o homem tem duas naturezas: a natureza animal (Id) e a natureza social ou cultural (Ego).
Consciente — tudo aquilo de que estamos cientes no momento.
Pré‑consciente — memórias que podem tornar‑se conscientes.
Inconsciente — memórias e desejos reprimidos que não podem tornar‑se conscientes; não temos acesso direto ao inconsciente.
Estrutura da psique (Freud)
Id — fonte da energia psíquica; estrutura biológica; fonte das pulsões (instintos); opera pelo princípio do prazer.
Ego — responsável pelo contato do indivíduo com a realidade; opera pelo princípio da realidade; controla os impulsos do Id e controla todas as funções cognitivas: pensar, perceber, raciocinar, planejar.
Superego — representante interno das normas sociais e da lei; 'consciência moral'; responsável pela autopunição; herdeiro do complexo de Édipo; também controla impulsos do Id.
Conceitos freudianos e mecanismos
Instinto — soma das energias que dirigem processos psicológicos.
Desejo — sintoma de privação, busca de uma falta.
Necessidade — nasce de um estado de tensão interna (por exemplo, fome).
Recalque — operação pela qual o indivíduo procura manter no inconsciente representações (pensamentos, imagens, recordações).
Sublimação — deslocamento de energia de um objeto de natureza sexual para um objeto de natureza cultural, ocasionando prazer e diminuindo a tensão.
Desenvolvimento psicossexual (Freud)
Investimento da energia sexual (libido) em determinadas zonas do corpo (zonas erógenas):
- Fase oral (até 1 ano) — a libido está investida na zona erógena da boca.
- Fase anal (1 a 3 anos) — a libido investe a zona anal.
- Fase fálica (3 a 5 anos) — considerada muito importante no desenvolvimento psicossexual.
- Fase genital — a libido investe a zona dos órgãos genitais.
Complexo de Édipo — relacionado ao desenvolvimento na infância; seguem fases de latência e fase genital (puberdade/adulto).
Transtornos e sofrimento psíquico
2. Transtornos de personalidade e classificações (apresentadas no material):
- Neurose — não há perda da personalidade nem perda do contato com a realidade. Exemplos: ansiedade, fobias, obsessões/compulsões.
- Psicose — há perda da personalidade e do contato com a realidade. Exemplos: esquizofrenia; transtorno maníaco‑depressivo (bipolar); paranóia.
- Psicopatia — distúrbio da personalidade sem perda do contato com a racionalidade; manifesta desprezo pelos outros e pelas normas sociais.
O que causa transtornos/sofrimentos? — a tensão causada pelo acúmulo de energia no inconsciente reprimida pelo ego. A energia psíquica tem origem sexual, e na vida adulta essa energia precisa ser redirecionada para o ego (formas socialmente aceitáveis, de natureza cultural).
Alienação do trabalho e sofrimento
Alienação do trabalho — quando o trabalhador não consegue se identificar com seu trabalho (por exemplo, não sabe quanto vale aquele produto).
Trabalho que gera sofrimento — tarefas repetitivas, rotineiras, sem sentido, alienadas, simplificadas, rigidamente organizadas; existe diferença entre o trabalho ideal e o trabalho real.
Dicotomia entre trabalho de concepção e trabalho de execução — o trabalho mental e intelectual (realizado pelo gerente) versus o trabalho de execução (realizado diretamente pelo trabalhador).
Separação entre trabalho ideal e real
Separação entre o trabalho ideal e o real
Quando dou poder de decisão, melhora essa diferença.